domingo, 28 de outubro de 2018

Se eu morrer amanha… Ode ao meu eu politico / If I die tomorrow... Ode to my political self


Se eu morrer amanha quero que os que me amam olhem nos olhos da minha mae e digam a ela que ela era meu maior amor, que vivemos a jornada juntas e que desde o primeiro dia saber que ela estava la, era suficiente pra eu estar bem. Diga um boo de bom dia e sorria;

Se eu morrer amanha, honre a memoria do meu pai, diga uma frase engracada que ele diria, xingue onde ele xingaria e se fizer algo raivoso de impulso diga “eh seu Raimundo”;

Se eu morrer amanha diga aos meus irmaos que eu sabia que sou o que sou por eles tambem, que carreguei comigo um pedacinho de cada um deles, na memoria; 

Se eu morrer amanha olhe pros meus sobrinhos e diga que eu gerei eles no meu coração, diga que desde Maio de 2004 minha vida foi melhor, que eu acordei com sentido, que eu soube que tinha que aguentar porque tinha dois pares de olhos se espelhando em mim, diga que o futuro e deles e que eles podem conquistar o mundo e que tudo que eu fiz foi por eles também;

diga pro meu sobrinho que os olhos dele tem visto mais do que os de muitos de nos e pra minha sobrinha que nada nem ninguem pode impedir que o futuro dela seja brilhante;

Se eu morrer amanha olhe pra cada um do “povo do quintal” e diga que eu os amava, que os levei comigo em cada jornada, cada aventura, cada caminho;

Se eu morrer amanha, lute pra que as pessoas se amem mais, se beijem mais, se abracem mais, digam mais eu te amo, demonstrem afeto, carinho e mais tesao, que elas transem mais pra equilibrar o mundo heeheheh. Mas pecam que demonstrem, principalmente amor, talvez se tivesse mais amor eu não morreria amanha;


Se eu morrer amanha, corram pra agua, tomem banho, de mar, de rio, de chuva, de chuveiro, de bacia, no tanque, se molhem, eu amo a agua e acho que quando ela corre, ela cura, limpa, purifica e energiza, se molhem, sem se preocupar com cabelo, maquiagem, roupa, se eu morrer amanha deixa molhar;

Se eu morrer amanha coma coisas gostosas, guloseimas, muitos doces e frutinhas, ah e come lasanha, feijoada, pizza, churrasco, chocolate, bolo, não tudo ao mesmo tempo ta hahha;

Se eu morrer amanha, lembrando o quanto eu gosto de dancar, dance, dance como se o dia nunca acabasse, dance ate sem musica, pule, se não sabe dancar invente, voce e livre, mexe o corpo de um lado pro outro e dance, dance, dance;

Se eu morrer amanha ouca musica e cante alto, cante com a alma, minha voz era tao livre quanto meu espirito e a musica sempre falou muito comigo; principalmente escute e cante um rap, de preferencia um Racionais, que era o que eu ouviria

Se eu morrer amanha ria, como eu sempre ri, mesmo quando meus olhos estavam tristes, sorrir faz a gente achar que tudo esta melhor;

Se eu morrer amanha diga pra quem escolheu o lado errado da forca, que eu fiquei triste, mas compreendo que se eles soubessem o que sabem agora, talvez fizessem diferente, diga que lutei por eles também, talvez de modo exacerbado e sem muita escuta, mas que fiz por amor, amor por uma causa, amor por um povo e também por resistência, que vou perdoa-los, so vai demorar um pouquinho;


Se eu morrer amanha, conte a historia que a escola não vai contar, que os jornais vao omitir enquanto publicam noticias sobre o futebol, conte a historia de nossos ancestrais e de como eles vivem em nos, conte a historia dos porões e das correntes, mas conte também a historia dos quilombos e de quem lutou pra ser livre;

Se eu morrer amanha, diga ao opressor que a cada um de nos que vai nasce 1000, que eles enterram o corpo, mas que o pensamento floresce, pois somos sementes e que eles não podem calar todos, ao mesmo tempo;

Se eu morrer amanha, lute contra o sistema, lute ferrenhamente, mas faca do seu jeito, lute contra aquilo que tenta te castrar e oprimir, seja o que for;

Se eu morrer amanha quero que minhas palavras voem como pétalas, ou folhas, que circulem livremente mesmo em um mundo acorrentado, publiquem, escrevam, nem que seja em papel de pao ou folha de jornal, pra que alguém leia e se inspire ou não, mas que elas possam voar livre, como eu sempre quis ser; 



If I die tomorrow, I want those who love me look in to my mom eyes and tell her that she was my biggest love, that we lived a journey together and that since the first day I knew that she was there and that was enough to make me feel good. Tell her a good morning boo and smile;


If I die tomorrow, honor my father’s memory, tell a funny thing he would say, curse where he would curse and if you do something in an angry impulse just say “ok Mr. Raimundo”;


If I die tomorrow, tell my siblings I know that I am who I am because of them as well, that I carried a little piece of them in my memory;

If I die tomorrow, look to my nephew and niece and tell them that I generated them in my heart, tell that since May 2004 my life became better, that I woke up with a new motivation, that I knew I should support everything because I had four eyes looking at me, tell them that the future belongs to them, that they can conquer the world, and that everything I have done, I did for them as well. Tell my nephew his eyes saw more than most of these people, and to my niece tell that nobody can stop her from being brilliant;


If I die tomorrow tell the people in our “yard” that I loved them and that I took them in each of my journeys, adventures and roads;

If I die tomorrow, fight so people can love more, kiss more, hug more, say I love, show affection, emotions and show they are horny, tell them to fuck more so the world can have balance lol. But ask them to demonstrate love, first and mostly, because if there was more love in the world, maybe I wouldn’t die tomorrow;

If I die tomorrow, run to the water, swimming in the sea, a river, take a rain shower, a real shower, or a bucket shower, no mater what you do, just get wet, I love the water and I think that when the water runs, it heals, it cleans, it purifies and energizes us, go to the water, without worrying with hair, makeup, clothing, If I die tomorrow let it soppy;

If I die tomorrow, eat delicious, yummy things, candies, fruits, deserts, and please, lasagna, feijoada, pizza, Brazilian bbq, chocolate, cake, not at the same time of course lol


if I die tomorrow, remember how I love dancing and dance, dance as if the day would never end, dance even there isn’t music, jump, if you don’t know how to dance just create some steps, you are free, move your body side to side and dance, dance, dance;

If I die tomorrow listen to some music and sing it loud, sing with your soul, my voice is free as my spirit  and music Always talked to me; especially listen to and sing a rap, specially Racionais MCs because that is what I would listen to;

If I die tomorrow laugh, as I Always laughed, even if my eyes were sad, smile make us believe everything is better;

If I die tomorrow, tell those who picked the wrong side of the force, that I am really sad, but I don’t blame them, because I believe they would have make it diferente if they knew them, what they know now, tell them that I fought for them as well, maybe in an effusive way and without hearing as much as I should, but that I did this for love, love for a cause, love for a people and a way to resist; that I am going to forgive them, but I can't do that right now;

If I die tomorrow, tell the history that school won’t tell, that the newspapers are going to omit, while they publish News about soccer, tell the history o four ancestors, how they are still living through us, tell the stories of the basements and chains, but tells also the history of the quilombos ando f those who fought for freedom;

If I die tomorrow, tell the opressor that for each one of us they are killing, more 1000 will born, that they can bury our bodies, but that our thoughts are going to blossoming, because we are seeds and they can’t kill everybody at the same time;

If I die tomorrow, stand against the system, fight with all your strength, but do it on your own way, against what is your oppression, whatever castrates you, you should fight against it;

If I die tomorrow, I want my words flying as petals, or leaves, that are circulating free in a chained world, publish them, write them somewhere, even in a newspaper sheet or in a brown bag, so people can read them, because even they don’t get inspired, I want my words flying free, as I always wanted to be;

sábado, 29 de setembro de 2018

#Elenão #Elenunca #Nothim #Neverhim

We who identify as Black/ Women / Queer Brazilians are standing against the racist, sexist, queerphobic, xenophobic Brazilian presidential candidate. 
The fascist presidential candidate is the human manifestation of racist, sexist and queerphobic actions that have been constant in these past few years.
This is a Brazilian issue, but is also an issue that is going to affect the whole continent and a threat to democracy, considering that he has been defending the return of the military dictatorship and the man who is running as his vice-president is a Military General, also in favor of the dictatorship.
Most recently, he and his supporters have been propagating the idea, that slavery was caused by Black people, that the holocaust never existed and that our 25 years of military dictatorship was actually good for the country.
We already have reports of people who faced physical aggressions, by his allies, including queer people who were harassed in public spaces.
In these past few weeks, Brazilians who oppose his heinous practices created the hashtags #elenao, #elenunca which became viral and was translated by supporters around the world as  #nothim #neverhim. 
This weekend, Brazilian women are organizing an international protest called Women United Against Bolsonaro, where people are going to the streets to say #nothim #neverhim
That is why we are calling you, who are willing to fight against all forms of discriminationto join us and share this message against him and what he represents.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

#LuzesparaMarielleeAnderson Austin,TX / #LightsforMarielleandAnderson Austin, TX

#LuzesparaMarielleeAnderson
#LightsforMarielleandAnderson
#MarielleVive
#MariellePresente
#Blacklivesmatter
#Saytheirname
#StoptheBlackgenocide




















Luzes para Marielle e Anderson / Lights for Marielle and Anderson


On March 18 Black Brazilian Activist and Councilwoman Marielle Franco and her Driver Anderson Gomes were assassinated in Rio de Janeiro - Brazil.
Marielle was an activist for Black Rights, for Human Rights, for LGBTQIA rights, the rights of the population living in Favela's communities and against the Black Genocide in Brazil and the Diaspora, Police Brutality, Military Intervention and the occupation of the favelas in Rio.
At this point, the investigation is really slow and the facts show political motivation behind the deaths of Marielle and Anderson. 
Today, at 7pm we are organizing a global event named Lights for Marielle and Anderson.
Whatever you are search for an event or light a light by yourself, record it and post on Social Media with the following hashtags.
#LuzesparaMarielleeAnderson
#LightsforMarielleandAnderson
#MarielleVive
#MariellePresente
#Blacklivesmatter
#Saytheirname
#StoptheBlackgenocide
Please visit https://www.mariellefranco.com.br/luzes for more information and share this call with your friends










quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Sobre imperialismo negro / About Black imperialism

Eu escrevi esse post no Facebook e achei interessante postar aqui.
Depois vcs acham que eu to de implicância quando falo em imperialismo negro. 
Há uns quatro anos escrevi um texto sobre ser uma mulher negra brasileira vivendo no exterior que foi reproduzido na página do amigo Marques Travae. Desde então eu recebo os comentários que as pessoas fazem sobre meu texto e tem de tudo desde gente achando interessante pq não sabia nada sobre o Brasil, pessoas que discordam e ate homem escroto apoiando turismo sexual.
Ai hj recebi esse aqui. 
No texto o homem tá dizendo que enquanto os negros brasileiros não aprenderem inglês eles serão ignorados e que ninguém sabia que tinha pretos no Brasil até Cidade de Deus.
A segunda parte é uma verdade, afinal nossa mídia é parte importante da imposicao da supremacia branca e quem controla a mídia controla a história que será contada. Portanto nao se enganem com essa ou aquela aparicao na TV: A midia hegemonica brasileira nao nos representa!
Mas quanto a falar inglês vou escurecer algo aqui ao mesmo tempo que traduzo minha resposta pra ele.
Eu amo falar inglês. Quem me conhece sabe que desde criança falar inglês fluente era um dos meus sonhos tanto que enquanto não tinha grana pra fazer um curso me dediquei a estudar sozinha.
Eu não tenho problema que nosso povo aprenda ingles, eu acho o maximo que cada vez mais pretos no Brasil aprendam nao so ingles, mas varios outros idiomas porque isso abre muitas portas, pra conhecer novas culturas, novos povos, novos rostos e novas historias. O mundo e muito maior que nosso bairro e o trajeto de duas ou tres horas que a gente faz pra ir de casa pro trabalho. 
Agora o que pega pra mim e a obrigacao. A obrigacao em aprendermos o idioma. Primeiro nos sabemos que no Brasil cada obrigacao que o sistema nos impoe e na verdade uma barreira pra que a maioria dos negros tenha acesso a outras etapas. Entao se nao tem faculdade nao consegue, se nao tem ingles nao consegue, como se seu valor fosse medido nisso e ai quando a gente atinge essa meta eles dobram a meta (piadinha) e pedem pos, espanhol, alemao, mandarim, pra que a gente sempre esteja um passo atras. Mas essa e outra historia. Mas ainda assim eu quero que muitos pretos no Brasil falem inglês. 
Mas o que me incomoda nessa frase do fulano que eu nao sei o nome. E que e uma via de mao unica e faz com que ele e varios outros fiquem felizes em suas zonas de conforto. Voce nao ouve ninguem falando, ah eu preciso aprender portugues, espanhol, frances pra me comunicar com outros povos, nao e sempre voces tem que falar ingles. 
Sempre venha a nos e vosso reino nada. Nao tem ponte, nao tem troca e apenas uso.
E e esse uso que me incomoda. Aqui na academia dos EUA tem muitos negros estudando sobre o povo negro no Brasil. Muitos sao respeitosos e criam conexoes verdadeiras, mas infelizmente uma grande parte ainda nos ve como objetos, nos olha como o outro e se ressente com os poucos de nos que estao aqui tentando contar a propria historia. Por que eles nao estudam as proprias comunidades? Por que eu nao posso vir do Brasil e estudar a comunidade deles? Porque a gente so estuda o outro, o que e objeto e nao sujeito. Eles reproduzem o imperialismo da academia branca em seus discursos e acoes. 
E isso vai pra alem da academia, vai pro turista, pra pessoa que decide morar no pais, ganhar dinheiro, mas nao respeita o povo e as particularidades do local e isso ta cheio. Afinal nos temos acompanhado a historia da pessoa que chegou de fora e acredita realmente que pode ensinar ao negro brasileiro como lutar contra o racismo ne?
Volto a ressaltar as excecoes de amigos que tem respeito por nos como povo e que chegam no sapatinho, na contencao, tentando dar da mesma forma que recebe, mas infelizmente nao e a maioria.
Muitas vezes a gente ate se surpreende porque algumas pessoas ate querem criar conexoes, mas em um momento deixam transparecer o imperialismo no discurso e acho que varios deles nem se dao conta. Meu bate boca de ontem foi com um mano, que mora em Sao Paulo, trabalha ai, e amigo da negrada ta direto no role, mas falou que brasileiros sao atrasados por nao falarem ingles e que me criticou quando eu disse que aqui ninguem sabe nada sobre nos que ainda acham que a gente fala espanhol e que a capital do Brasil e Buenos Aires. 
Minha resposta para o rapaz de hoje foi que se ele acha que 100 milhoes de negros brasileiros que nao falam ingles serao ignorados ate que aprendam, serao ignorados tambem 50 milhoes de negros na Am. Latina como um todo que falam espanhol, mais todos os negros dos paises Caribenhos que falam frances, mais os africanos de paises cujo frances ou arabe e a primeira lingua e principalmente aqueles que so falam sua lingua local, porque afinal ingles por mais que seja uma lingua global, nao se tornou o unico idioma falado no mundo.
Em outras palavras o que esta implicito na fala dessa pessoa e de muitos outros e que ou o mundo negro chega ate ele ou ele nao vai nem se esforcar, usar sei la o google translator pra se conectar conosco e ai esta o meu incomodo.
Entao que me desculpem os amigos negros estrangeiros que nao sao imperialistas, mas vou falar que enquanto mais de voces nao estiverem dispostos a andar metade do caminho pra encontrar conosco, vai ficar muito dificil mesmo criar essas pontes.

P.S. Eu decidi nao traduzir esse post para o ingles propositalmente. 



terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Meghan Markle é negra? - Entrevista para o site M de Mulher / Is Meghan Markle black? - Interview to M de Mulher website

Dei uma entrevista para o site M de Mulher falando sobre pensamento racial no Brasil e nos EUA, colorismo e a sobre a negritude de Meghan Markle.
Confira aqui na integra

https://mdemulher.abril.com.br/cultura/meghan-markle-e-negra/

I gave an interview to M de Mulher about racial relations in Brazil and the U.S, colorism and Meghan Markle's Blackness. Check an English version here.
https://blackwomenofbrazil.co/2017/12/17/is-meghan-markle-is-black-depends-do-you-live-in-the-us-or-brazil-daniela-gomes-breaks-it-down/

domingo, 18 de junho de 2017

“Todo mundo sabe que amamos Tupac” / “Everybody knows we love Tupac” *

Acabei de chegar do cinema e eu tive que escrever esse post antes de ir dormir, porque não ia me aguentar. Hoje criei coragem, marquei um encontro comigo mesma e fui assistir All Eyez on me.

Queria ter tido um zilhão de pessoas lá comigo, mas como não tinha, fui sozinha, me controlando pra não cutucar o moço do lado e fazer meus comentários.

Confesso que eu fui pro cinema esperando o pior, não achei que fosse ser um bom filme, achei que ia escrever uma única linha falando pra vcs economizar a grana e assistir online, até porque as críticas são bem ruins por aqui, mas não.
Na verdade o filme me surpreendeu.

Vou tentar não fazer nenhum spoiler, mas vou partilhar alguns sentimentos que o filme me trouxe.
Primeiro o filme reforçou um sentimento que já havia sido despertado em mim quando escrevi minha dissertação de mestrado que é o fato de que as mortes de Big e Tupac são um símbolo do genocídio da juventude negra, o quanto eles nos matam em nossas fases mais produtivas e que quanto mais longe a gente chega mais a gente incomoda.

O filme me lembra também que um MC como Tupac não se faz sozinho. Enquanto tem vários rimadores de meia tigela por aí se achando a ultima bolacha do pacote, o cara só era um dos melhores, se não o melhor rapper de todos os tempos, porque ele teve uma base, sua mãe como pantera negra, lhe ensinou o que era resistência, lhe ensinou a lutar contra o sistema e a reconhecer as ferramentas do sistema. O cara lia jornal desde criança, o cara lia os clássicos, o cara foi fazer teatro, o cara era versátil, não era quadrado. Ele teve uma formação. Era por essas e outras que ele não rimava coração com mão.

Assim como muitos MCs depois dele e muitos de nós que de alguma forma temos visibilidade, Tupac não se via como líder, não queria ser líder e precisou ser lembrado do quão poderoso era o microfone em sua mão. O quanto as ideias propagadas eram muito mais letais do que qualquer arma que ele pudesse carregar e que ele seria uma referência e uma liderança ainda que essa não fosse sua intenção.

O filme me fez pensar também, que mesmo aqueles de nós que já reconhecem as ferramentas do sistema e desenvolvem estratégias pra lutar contra elas, ainda podem se deixar envolver e abater pelas mesmas. Afeni Shakur, se rendendo ao vício e Tupac sendo preso são demonstrações claras disso.

Me faz pensar também na arrogância da juventude, no quanto a gente acha que sabe de tudo, que tem que falar tudo. Mas aí eu lembro que ele tinha só 25 anos e que um jovem de 25 anos conquistou o mundo com sua música e atitude.

No mais a semelhança entre o ator Demetrius Shipp Jr. e Tupac no filme faz com que a gente tenha a sensação de ver Tupac de novo, de que esses 20 anos não se passaram. Me senti em uma versão full screen do Coachella.

O filme me levou a outro tempo, outro lugar, me fez lembrar dos papos sentada na calçada, ouvindo suas musicas e duvidando se ele havia mesmo morrido.

Também não pude deixar de comparar Tupac com Mano Brown, claro que cada um tem seu flow, mas as ideias fortes, o carisma com o público, até mesmo alguns aspectos da história de vida, me fazem ver semelhanças entre os dois.

Achei o filme bom, foi poético, foi intenso assim como Tupac. O tipo de filme que deixa a gente triste, mesmo a gente já sabendo o final. Mas o mais lindo, foi ouvir os irmãos e irmãs no fundo do cinema gritando: isso mesmo, prega mesmo, a cada palavra de resistência que era dita ali.

*O titulo desse post foi retirado de um trecho da música Foi num baile Black de Mano Brown






I just arrived from the movie theater and I had to write this post before I go to bed. I wouldn’t be able to handle myself until tomorrow. So, today, I was brave enough to have a date with myself and decided to go watch All Eyez on me.  I wished I could have several people by my side, but I didn’t have so I went alone, and had to control myself and not poke the guy that was in the next seat to tell him my comments.

I confess that I went to the movies waiting for a terrible movie. I thought I would write one line, telling you guys to save some money and wait to see it on Redbox, especially after I read some bad reviews.
But actually the movie surprised me.

I will try not to post any spoiler here, but I am going to share some of my feelings regarding this movie.

First of all, the movie reinforced a feeling that I carry with me since I wrote my Master’s thesis that Tupac and Big’s deaths are a symbol of the Black genocide, and how they kill us in our more productive age and that how far we go, more we bother them.

The movie also shows that a MC like Tupac doesn’t rely only in his own talent. Considering that nowadays several mediocre MCs think they are the best on it, Tupac only was one of the best, if not the best rapper of all time because he had a foundation. His mother, as a Black Panther taught him, what resistance was, she taught him how to fight against the system and to recognize the tools of the system. The guy used to read the newspaper, the guys used to read the classics, the guy went to study theatre, the guy was versatile, and he was not limited. He had a formation. Those are some of the reasons why he used to rock with his rhymes.

Like many other Mcs after him, and in a certain way many of us who have any kind of visibility, Tupac didn’t see himself as a leader, he didn’t want to be a leader and had to be reminded how powerful the mic in his hands was. How the ideas propagated were more lethal than any other weapon that he could carry and that he was a reference and a leadership even it was not his intention.

The movie also made me think, that even those who know the tools of the system and develop strategies to fight against them, still can be involved and shot by them.  Afeni Shakur with her addiction and Tupac being arrested are demonstrations of this.

It make me think in youth arrogance, in how, when we are young, we think we know everything and we can say everything we want. But then, I remember that he was only 25 and that a 25 years old Black man was able to conquer the world with his music and attitude.

Furthermore, the similarity between Demetrius Shipp Jr, the actor who plays Tupac and Pac himself
make us feel as if we were saying Tupac alive again, as if these 20 years were not gone. I felt as if I were in a full screen version of Coachella.

The movie also took me to other time and place and reminded me of the talks that I had with friends seated in the sidewalk and listening to his songs and guessing if he was really dead.

I also could not stop myself from comparing Tupac with Brazilian rapper Mano Brown, of course each of them has his own flow, but the strong ideas, the charisma with the audience, and even some aspects of their personal life, make me thing about similarities between them.

I thought the movie was good, poetic and intense as Tupac used to be. The same kind of movie that let us sad in the end, even we previously knew what would happen. But the most beautiful thing was to hear the brothers and sisters in the back of the movie theater yelling: “preach bro, yeah preach” after every word of resistance that was said there.


*This post’s title is an excerpt of Mano Brown’ song Foi num baile Black