sexta-feira, 19 de maio de 2017

Quando o romance perde o açúcar / When romance loses its sugar


Como vocês sabem eu amo ler, gosto mesmo, sou do tipo que desde que comecei a ler de verdade, sempre me fechei no quarto por horas com um livro na mão e só saia quando acabava, de preferência queria terminar as histórias no mesmo dia. Um dos meus hobbies de leitura são (pasmem) os livros de banca! Eles mesmos, aqueles romancizinhos melosos que vendem nas bancas de jornal. Eu sei o quanto isso não combina com a ativista pé na porta que faz doutorado e tem opinião sobre tudo, mas eu comecei a ler quando era adolescente e viciei nas historinhas de mocinhas e mocinhos que se encontram e vivem felizes para sempre. Ah gente pera lá né, dentro de mim bate um coração, eu sou romântica, do tipo que chora com música romântica pensando no crush eeheheheh.

Desde aquela época até hoje, eu já colecionei, já vendi vários, já troquei, já comprei e continuo lendo os romancezinhos, em qualquer hora vaga que tenho, seja em viagens longas de avião ou de ônibus ou até mesmo pra distrair a cabeça de alguns temas pesados.
Até que... A gente não consegue se distrair porque os temas pesados nos perseguem até nos momentos de distração.

Em outro post eu já falei sobre o problema racial dessas publicações no Brasil, comentei que enquanto aqui nos EUA tem várias publicações dessas com personagens negras, no Brasil os romances só trazem personagens brancos em suas histórias. Quando entrevistei a editora no Brasil ela disse que não tinha livros com negros porque não tinha público, enfim, mesma pataquada de sempre.
Mas hoje eu queria abordar outro tema, quero falar de machismo.

Eu lembro que quando era adolescente e comecei a ler esses livros, minha professora de português da 8ª série mencionou que uma pesquisa feita com leitoras desse tipo de literatura mostrava que as mulheres que liam esses livros pensavam exatamente igual. Na época eu sabia que era uma critica aos livros, mas achei que era uma referência a péssima qualidade, mas não entendi muito bem o porquê do pensamento igual e etc.
Depois que eu comecei a aprender mais sobre questões de gênero e sobre o Feminismo Negro, eu comecei a perceber o quanto o conteúdo desses livros é machista.

Pra quem nunca leu um livro desse e até pra quem já leu, as histórias sempre envolvem um romance entre um homem e uma mulher que lutam bastante para ficar juntos e no final tudo acaba bem e eles vivem felizes para sempre. Até aí normal um enredo clichê como de qualquer comédia romântica ou novela mexicana.

Mas quando eu paro pra analisar as personagens desses livros, eu percebo que na grande maioria dos casos existe uma relação abusiva acontecendo.
É sempre um homem, geralmente alguns anos mais velho, rico, se relacionando com alguma moça que atende ao padrão virginal da mocinha.
Onde é que está o problema?
Na maneira como essa mulher é apresentada.
Lendo esses livros eu percebo que:


-A grande maioria das heroínas é virgem, só perdem a virgindade com a personagem principal. As mulheres não virgens da trama são retratadas como vagabundas. Muitas vezes a mocinha tem fama de vagabunda por não ser virgem e o camarada só muda de opinião quando literalmente na hora h percebe que na verdade ela era pura e casta;

-Nas histórias que a mocinha perde a virgindade pro mocinho, sexo se torna então uma ferramenta de poder, a mocinha nunca mais vai transar com ninguém, porque é como se o corpo dela só conhecesse aquele homem, o homem praticamente vira dono do desejo dela;

- Na maioria das vezes que as mulheres dizem não para o sexo, o parceiro a seduz de todas as formas e até chantageia, até que ela ceda ao desejo sexual, esquecendo que não significa NÃO.

- Na maioria das histórias essas mulheres são vistas como um passatempo por seus parceiros e toda e qualquer demonstração de afeto e amor são ridicularizadas e se tornam motivo de humilhação por parte do parceiro que deixa claro que não quer nada sério e nunca vai amá-la, até que no final ele acaba cedendo ao amor e revela que tudo foi em consequência dos traumas que sofreu, mas até isso acontecer a mocinha já sofreu o diabo;

- Em várias histórias essas mulheres criam filhos sozinhas, em alguns casos algumas são viúvas, outras divorciadas ou foram abandonadas, mas na maioria das histórias que a mocinha é mãe solteira, o mocinho é o pai da criança que de alguma forma nunca ficou sabendo do filho ou foi enganado por algum parente que não contou da gravidez. Ele vive como um playboy, bon vivant enquanto a mocinha passa perrengue pra criar a criança;

- Várias personagens são forçadas a se casar, seja para esconder alguma vergonha, salvar sua família ou para o bem de seus filhos. Mesmo que elas não tenham desejo de se casar, acabam casando pelo bem dos outros;

-grande parte dessas mulheres para de trabalhar quando casam com o mocinho;

-grande parte dessas mulheres são afastadas de suas famílias quando casam com o mocinho, são levadas pra lugares onde não conhecem ninguém e não tem nenhum tipo de apoio emocional;

- em várias situações o mocinho escolhe até o que a mocinha vai vestir, sem contar no que eles vão comer, pra onde vão viajar e etc, autonomia feminina nível zero;


 - Várias delas são chantageadas pelos parceiros, que utilizam de seu dinheiro e poder para fazer ameaças que vão desde deixa-las sem emprego, na miséria até pegar a guarda das crianças;

-Várias mulheres são retratadas como interesseiras, desde as vilãs que querem separar a mocinha do mocinho, até mesmo a própria mocinha que muitas vezes é lida pelo mocinho como uma caçadora de fortunas;

-Mulheres são compradas facilmente, se tornam esposas e amantes em troca de pagamentos de dívidas e heranças a serem recebidas, na maioria dos casos com a já mencionada chantagem;

-Muitas dessas mulheres sofrem agressões verbais e algumas delas agressões físicas ainda que por “acidente”. São gritos, humilhações públicas, palavrões, na maioria das vezes machistas e etc;

-Muitas dessas mulheres são desacreditadas por seus parceiros, ou tidas como loucas em algum momento. Em várias histórias as personagens são expulsas de casa com uma mão na frente e outra atrás, pois vivem na casa do parceiro e dependem completamente dele financeiramente;

-a grande maioria dos homens possui traumas emocionais gravíssimos e de uma forma ou de outra desconta suas frustrações nas mulheres da trama;

E esses são apenas alguns dos temas que eu consigo lembrar.

Agora para pra pensar comigo. No Brasil, esses romances do tipo Julia, Sabrina e Bianca existem
desde a década de 1970. Aqui nos EUA os primeiros livrinhos são ainda mais antigos, começando a ser comercializados ainda na década de 1950. Isso significa que são entre 60 e 40 anos, ou entre três e quatro gerações de mulheres, em todos os lugares do mundo onde esse tipo de leitura está presente, sendo doutrinada pra acreditar que ser mal tratada por um homem é algo válido, se esse homem for a sua alma gêmea e que esse tipo de comportamento abusivo é o que acontece quando se está em busca do amor verdadeiro. E isso é extremamente preocupante, principalmente se considerarmos que oficialmente essas histórias foram escritas por mulheres.

Eu não tenho nada contra continuar lendo, agora mesmo tenho um na cabeceira da cama, mas em um mundo onde de acordo com a Organização Mundial de Saúde, 35% das mulheres já sofreram violência emocional, onde mais de 30% já sofreram violência física ou sexual por parte do parceiro e mais de 38% das mulheres assassinadas foram mortas pelo companheiro,  é preciso ler com olhos atentos para não deixar que uma nova geração de mulheres seja afetada por uma romantização da violência.




As you may know at this point, I love to read. I really like it. I am the kind of person who used to spent hours closed in my bedroom only to finish a book. I would preferably read a whole story in one day.

One of my favorite hobbies, as a reader, is those romances that we buy in newsstands. I know that doesn’t match my image of hardcore PhD, activist, who has an opinion about everything, but I started to read when I was a teenager and I became “addicted” to the sugared romance where good girls and good guys are going to live happily ever after. C’mon guys, I have a heart, I am a romantic, the kind of girl who cries with love songs while thinking about the crush lol.

 Since my teenager years until now, I have collected them, I have sold them, I have exchange them, I have bought them and I keep reading those novels, in any free time that I may have, it can be during long plane or bus trips or even to distract my mind from heavy subjects.
However, sometimes we can’t get distracted because those heavy subjects are following us even during our moments of leisure.

Some time ago, I wrote a post here, about how in Brazil those publications are completely white, how the representatives of the publishing house in my country decided not to bring any of the books with Black characters. They only bring books with white people. Few years ago, when I interviewed one of the responsible for those series, they said they only translated white books, because there was no audience for Black romance (In a country with 50% of Black population, but that is another story), and all the same bullshit that they always say.

But today I would like to approach another subject, I want to talk about sexism.

I remember that when I was on 8th grade, and I started to read these books, my Portuguese teacher mentioned that a research that was done with female readers of this literature genre, have demonstrated that those women usually think exactly the same. At that time, I knew it was a critique to the book content, but I thought, it was a reference to their bad quality and I didn’t understand why she was mentioning an equal mentality.
Years later, when I started to learn more about gender issues and about Black feminism, I realized how those books content is actually really sexist. 

For those who never read one of them and even for those who like myself have been reading it, these stories always involve a romance between a man and a woman who struggle during the whole book to have their relationship, until their happy end. That is ok, a cliché plot as any other romantic movie or telenovela.

However, when I started to analyze the characters in those movies I realize that in most of cases there is an abusive relationship happening. It is always a man, usually older, wealthy, having a relationship with a young, virgin woman. Where is the problem with this?
In the way this woman is represented. 

When I read these books I realize that:


- Most of the sheroes in the stories are virgin. They only lose their virginity to the main male character. The non-virgins in the story are showed as whores. Several times, the sheroe has the reputation of a whore because she is not a virgin, and the guy only changes his opinion when literally he gets to her bed and realizes that she is actually pure and chaste.

- In the stories that show a woman losing her virginity to the main character, sex became a tool of power, the girl will never have sex with anyone else, because now her body only knows that man, the man basically becomes the owner of her desire;

- Every time when a woman say no to her partner, he seduces her anyway or blackmail her until she "changes" her mind, forgetting that no means NO;

- Most of the stories show women who are perceived as a hobby for their partners and showing affection and love is ridiculed by the guy and a reason for him to humiliate the girl. He clarifies since the beginning that he doesn’t want anything serious with her and that he never will love her, until the moment in the end when he gives a chance to love and reveals that everything was a consequence of the traumas that he had suffered. However, until this happens, the girl has suffered as a dog;

- Several stories bring women who raise their children alone, in some cases they are widows or divorced, or women who were abandoned, but in the majority of the stories where the girl is a single mother, the male character is the father  and for some reason he never heard about the child, usually because someone hided the kid from him. He lives as a playboy, while the girl is leaving a hell to raise her child;

- Most of these characters are forced to get married, or to hide a shame in their families, or to save their families or for the good of their children. Even they don’t want to get marry, they cede for the good of others;


- Most of these women stop to work when they get marry with this guy;


- Most of these women are separate from their families when they get married, they are taken to live in a completely different place without any kind of emotional support;

- In many cases the guy decides what the girls is going to wear, or where they are going to eat, to live, to travel an etc, showing zero level of autonomy for the women.


- Several of them are blackmailed by their partners, who use their money and power to threat the women with things like live them without a job, in poverty, or ask for their children custody;

- Several women are portrayed as gold diggers, since the villains who want to interfere in the main couple relationship, until the sheroe herself that is perceived by the guy as a gold digger.

- Women are easily purchased, they become wives and mistress in exchange for money, debt payments, to receive inheritances, most of the cases involving the blackmail that I mentioned before;

- Several women are verbally or physically abused even by “accident”. Men yell at them, they humiliate them publicly; they curse them using sexist words and etc;

- Several of them are in some moments discredited by their partners, or treated as if they were crazy. In several stories, the female characters are kicked out of the house without anything to call their own, because they usually are living in their partners’ house and are totally dependent of them financially;

- Most of these men have severe emotional traumas and they cast their frustration in the women of the stories;


These are only few of the themes that I am able to remember.

Now think with me. Here in the U.S these books such as Harlequin romances have been commercialized since 1950s, in Brazil they arrived in the late 1970s. That means that this kind of literature is between 60 and 40 years. Which means three or four generation of women in the whole world where those books were published, have been indoctrinated to believe that being poorly treated by a man is something worth if this man is your soulmate and that this kind of abusive behavior is what happens when you are searching for true love. This is extremely worrying, especially if we consider that at least officially those plots were written by women. 

I don’t have anything against keep reading it, actually I have one on my bedside table right now, but in a world where according with the World Health Organization, 35% of women have been victims of emotional violence committed by their partners, where more than 30% have been sexually or physically abused by a partner and where 38% of women murdered were murdered by a partner, it is necessary to read it with our eyes open, so we won’t let another generation of women being affected by a romanticized violence. 




domingo, 30 de abril de 2017

A redenção de "Dear White People" / The redemption of "Dear White People"

Acabei toda a 1ª temporada de “Dear White People”. Amei a série. Assisti o filme no cinema assim que saiu aqui em 2014 e detestei, a série foi a redenção.
Esse post vai ser cheio de spoiler então se você não gosta de gente que conta filme não leia até o final ehehehe.





Quando eu assisti “Dear White People” - o filme eu gostei de todas as críticas que estavam no filme, mas detestei pontos que pra mim pareciam fundamentais.

O filme traz uma crítica muito grande a sociedade pos racial americana, a ideia que se é passada aqui nos EUA hoje de que racismo não existe desde a luta pelos direitos civis e que por isso vivemos em uma sociedade multicultural, multirracial, diversa e igualitária.

E o tempo todo a personagem da Sam luta pra mostrar que essa ideia não é verdadeira e que deve ser combatida. Mas o jeito que o filme termina mostrando Sam como uma moça traumatizada pela experiência de ter um pai branco, e não conseguir se relacionar com esse pai e que de certa forma vem daí sua luta, como se ela fosse apenas alguém revoltada que só vai ser ela mesma ao lado de um homem branco contradiz toda a crítica que o filme fez do início ao fim.

Ao mesmo tempo a personagem do Lionel, que tenta mostrar o quanto pessoas negras e LGBTQIA são desprezadas em diferentes faces dos movimentos sociais, também me pareceu um tanto quanto contraditório já que o tempo todo ele aparece como uma figura bagunçada, até mesmo desleixada, onde o cabelo Black, que é tido como sinônimo de resistência, se torna nessa personagem sinônimo de confusão interior e não lugar, e no momento que ele possivelmente se encontra ele raspa o cabelo entrando dentro de um padrão de respeitabilidade negra que existe aqui nos EUA.

Então o filme me deixou com muitas pulgas atrás da orelha, muitas mesmo, sem contar outras personagens que eu não entendia bem qual era a pegada mas me incomodavam ao ponto de eu não gostar do filme, apesar de tudo que a crítica estava dizendo e de retratar muito bem a realidade de alunos negros, que estudam em campos majoritariamente brancos como é o caso dos alunos negros aqui da UT.

Ontem revi o filme antes de assistir a série e até tentei ver se tinha entendido algo errado, mas novamente detestei o filme.

Aí comecei a ver a série e aí o filme ganhou um novo brilho pra mim, pois a série preenche todas as lacunas que o filme deixa a desejar.

A série traz a humanidade de cada personagem, a série mostra como cada personagem chegou até o momento atual. A série deu vida a cada história e trajetória.

A série tirou Sam do estereótipo da mulata dramática (mulatto drama como eles dizem aqui) pra dizer o porquê Sam faz escolhas que faz e até para criticar seu posicionamento político. Sam deixou de ser uma mulher problemática que protesta porque é mal resolvida, pra se tornar uma mulher complexa com diversas contradições como qualquer outra mulher da sua idade.

A série trouxe Coco da alienação pra mostrar Coco com uma história, que faz com que muitas pessoas negociem sua identidade pra sobreviver e não porque não ligam pra causa, mas porque as vezes nossa existência é pesada demais pra gente lidar. Eu particularmente amei quando ela diz pra
Sam que é o privilégio da pele clara que faz Sam poder ter seu show.

A série traz Troy como esse homem que tenta fugir do padrão de classe média negra respeitável que é tão imposto aqui que as pessoas seguem até mesmo sem perceber que isso é uma tentativa de aproxima-las da branquitude e afastá-las do "negro problem" como definiria Du Bois. E no final seu pai vê que toda respectability do mundo não vai salvar seu filho do racial profiling que persegue a população negra.

A série traz Reggie com sua raiva incontida, mas que na verdade é só alguém tentando fazer diferença, mas que também se vê paralisado quando o racismo aponta uma arma pro seu peito. Mas que também é um homem que ama, que é frágil, se sente só.

A série traz Lionel, lutando pra se encaixar no mundo como jovem negro e gay, Lionel que não é mais uma bagunça, mas que é alguém que ainda precisa encontrar a própria voz e que vai fazendo isso de episódio em episódio até seu grito final no último episódio denunciando a manobra da universidade, é como se ele despertasse de um sono.

E a série traz as personagens coadjuvantes como Rashid o jovem africano que sofre com xenofobia apesar de ser parte do grupo o que também é comum por aqui, ou o rapaz light skin meio boca aberta mas que traz tiradas importantes para o movimento ou a melhor amiga que traz contrapontos importantes para Sam, ao mesmo tempo que em alguns momentos gostaria de estar no lugar dela.

Enfim a série para mim é a redenção do filme e vale muito a pena ser assistida, com o olhar crítico que ela pede.

Concordo com Fabio Kabral que disse que apesar do título “Dear White People” é muito mais sobre nós do que sobre eles, sobre nossas dores e amores e posicionamentos. Claro que tem muitas críticas e lições para pessoas brancas (eu vi o filme com uma amiga branca e o filme trouxe reflexões pra nós duas), mas prefiro deixar que eles façam esse debate entre eles. Para mim o mais importante é saber o que essa série traz pra nós.

Eu acho que ela traz muita humanidade para nossa luta, as emoções que nos motivam a lutar, que nos fazem acordar de manhã pensando o porquê de não ter dormido e de saber que é preciso falar, não calar, agir.

Para mim, a redenção da série é que ela mostra quem somos por trás de nossos punhos cerrados.






I watched the whole 1st season of “Dear White People” yesterday. I love the show. I watched the movie in 2014 when it came out and I hated it, the TV show was the redemption. 
This post will be full of spoiler so if you don't like it don't read until the end.



When I first watched the movie “Dear White People” – I enjoyed all the critiques that were in the movie, but I hated some points that were fundamental for me.

The movie brings an important critique to the U.S “post racial society” and all this fake idea that has been preached here that racism was over with integration and the civil rights’ struggle and that the U.S is a multicultural, multiracial, diverse and egalitarian society. 

During the whole movie Sam’s character fights to show that this idea isn’t true and that it must be combated. But what looks totally contradictory to this critique to  me, is the fact that the movie ends, showing Sam as a girl who is traumatized by the experience of having a white father, and by being someone who couldn’t have a relationship with this father because of his race, and in a certain way showing that her struggle came from that and that she only will be able to be herself with a white man.

At the same time, Lionel’s character trying to show how Queer Black people are despised sometimes both in the Black and the Queer struggle, it also looked kind of contradictory to me, the way as his appearance is showed as a mess all the time. Even his Afro, a hair style that is always a synonymous of resistance, in this character is synonymous of interior confusion and of someone who is out of place and in the end, the moment of his “redemption”, when he apparently find himself, he shave his hair and enter in a mode of Black respectability that is worshiped here.

So the movie was really uncomfortable for me, especially when I couldn’t understand what the ideas behind some of the other characters were. That bothered me so much that I disliked the movie, although all the positive comments that the critique was showing and even if I was able to identity with the reality of Black students in a majority white campus as is our case here at UT.  

Yesterday, I watched the movie again before to watch the whole Netflix show, to see if I misunderstood something, but again I hated the movie. But then, I started to watch the series and the movie got a new shine on my eyes, because the TV show fills all the gaps that the movie created.

The show brings humanity to each character, it shows the trajectory of each of them and how they arrived to the current moment. The show gave life to each story and trajectory. 
The show removed Sam from the Mulatto Drama, stereotype and showed why Sam made her choices, even criticizing her political positionality. Sam isn’t the trouble woman that protest because she didn’t solve something from her past, and she became a complex woman full of contradictions as any other Black woman in her age.

The show removes Coco from the alienation to show a Coco with a story, showing what makes a lot of people like her to negotiate their identity to survive, not because they don’t care about things, but because sometimes our existence is too heavy to deal with. I particular liked the way she tells Sam that is her light skin privilege that authorizes her having a radio show like that.

The show brings Troy as this man that is trying to escape the Black middle class respectability that is so part of the reality here, that Black people follow even without realize that it is an attempt of making us closer to whiteness and push them away of the image of the “negro problem” as Du Bois would define. In the end, his father sees that all that respectability won’t save his son of the racial profiling that hunting us as Black people.

The show brings Reggie with his anger that is actually just someone trying to make difference, but who also sees himself paralyzed when racism put a gun on his chest. But Reggie is also a man who loves, and who is fragile and who feels lonely sometimes. 

The show brings Lionel, fighting to find his place in the world as a Black gay young man, Lionel that is not messy anymore, but is someone who is trying to find his own voice and keep trying it from episode to episode until he finally yells trying to denounce the university scheme of integration, as if he was waking up from a deep sleep. 

The show brings support characters such as Rashid, the African guy who suffers with xenophobia among the Black community, although he is part of the group, what is also usual here, or the light skin silly dude, who brings some important insights, or the best friend who brings some balance to Sam, at the same time that would she like to have some aspects of her life.

In conclusion, in my opinion the show is the movie’s redemption and it is worthy to be watched, with the critical view that it asks. 

I agree with Fabio Kabral, who says that although the title of the show is “Dear White People”, it is much more about us, than about them, about our Black pain, love and positionality. Of course it has lessons for white people (I watched it with a white friend and it taught lessons for both of us) But I prefer to let them debate the lessons among themselves, because for me the most important is to know what the show is bringing to us. 

I believe it brings humanity to our struggle, it shows the emotions that motivate us to fight, that make us wake up in the morning thinking why we didn’t sleep and that we must say something, not be quiet, and act. 

For me, the redemption of the TV show is that it shows who we are behind our Black power fist.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O Poder do Hip Hop / The Power of Hip Hop

No ano passado eu tive o privilégio de participar do TEDx Sao Paulo - Mulheres que Insipiram.
Minha TED Talk finalmente foi publicada no youtube. Assistam, divulguem e deixem seus comentários https://www.youtube.com/watch?v=O35r8Y5aJes


Last year, I had the honor to give a TED talk during TEDx Sao Paulo - Women that Inspire.
My video was finally uploaded at Youtube. Please watch, share and leave your comments.
https://www.youtube.com/watch?v=O35r8Y5aJes

TEDxSaoPaulo - Mulheres que Inspiram 23/07/2016
Foto: Anderson Jesus