terça-feira, 24 de novembro de 2015

A força das Mulheres Negras / Black Women' strength

Mais de 50 mil mulheres se dirigiram a Brasília para denunciar o racismo, o machismo e a violência que nos aflige e apresentar reivindicações de soluções para esses problemas.


E na última quarta-feira 18 de novembro, Brasília parou ante a força das mulheres negras. Ali, cerca de 50 mil mulheres marcharam, como protagonistas de sua história acompanhadas de seus aliados, que incluíam mulheres de outras etnias, homens negros e ativistas de diferentes movimentos sociais.
A Marcha que teve como meta principal a luta contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, foi o resultado de uma mobilização que ocorreu durante mais de um ano. Iniciado por organizações que fazem parte do movimento de mulheres negras, a marcha focou na denúncia da violência que nos agride de forma interseccional, já que somos aquelas que nunca serão apenas mulheres ou apenas negras, mas ao contrário somos a base da pirâmide das aflições que atingem o nosso povo.
Abrilhantadas pelo protagonismo do nosso dia de festa, mulheres negras oriundas de diferentes cenários marcharam juntas pacificamente em prol de um único objetivo. Ali, caminharam lado a lado, mulheres negras: heterossexuais, lésbicas, transexuais, bissexuais; de religião de matriz africana, ateias, católicas e evangélicas, gordas e magras, portadoras de necessidades especiais ou não, mulheres jovens e idosas, marcharam também crianças negras e famílias completas representando um intercâmbio geracional. Todas com o mesmo objetivo denunciar a exclusão de nossos corpos que persiste na sociedade.
Nos carros de som, autoridades como a Ministra Nilma Lino Gomes, que comanda as pastas da Igualdade Racial, das Mulheres e dos Direitos Humanos, Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres e a Consulesa da França, Alexandra Loras se juntaram  as vozes de ativistas para demonstrar a importância da mobilização das mulheres ali presente.
A Marcha foi coroada ainda por um encontro da liderança de Mulheres Negras com a presidenta Dilma, onde foram colocados pontos decisivos recolhidos durante os encontros preparatórios para a marcha nacional.
Em meio a fala de diferentes manifestantes, a música oficial da marcha criada pela MC Luana Hansen, narrava a motivação daquelas que ali decidiram estar.  Com o refrão “Marchar contra o racismo, eu vou, marchar contra a violência, marchar pelo bem viver, pelo bem viver, pelo bem viver”, a música foi uma das canções que embalou a multidão nos mais de cinco quilômetros de caminhada.
Nossa chegada na praça dos Três Poderes foi recebida covardemente com bombas e tiros, por aqueles que representavam exatamente o porquê de lutarmos contra o racismo e o patriarcado. Esses cidadãos covardes se sentiram intimidados por nada mais do que nossos corpos pretos em marcha. Ali ao contrário do que foi relatado pela grande mídia, não houve confronto, houve ao contrário um ataque direto a mulheres idosas e crianças que caminhavam juntas em harmonia e não possuíam nenhum tipo de arma para se defender.
Mas o ataque que surgiu como uma forma de desmobilizar e desqualificar nossa luta, não foi o suficiente para apagar o brilho daquelas que ali festejavam. A marcha seguiu de volta ao seu local de origem onde a festa foi coroada com apresentações musicais.
Como participante da Marcha das Mulheres Negras 2015, posso apenas partilhar a emoção que ainda toma conta de mim. Ali vi milhares de mulheres que assim como eu tem dedicado a sua vida a lutar por justiça e igualdade para nosso povo.  Vi nossas mais velhas e nossas mais novas caminhando juntas, segurando as faixas que representavam nossas reivindicações. Marchar lado a lado com tantas irmãs traz uma sensação grande de pertencimento e de solidariedade. Nos traz também à lembrança a força e coragem que nos acompanham e que permite que mulheres negras sejam a força motriz do Brasil por mais de cinco séculos. Nossas pautas, nada mais são do que a somatória daquilo que nos aflige no cotidiano. Ali marchamos todas juntas pelo bem da comunidade que temos gerado, não apenas em nossos ventres, mas também em nossa mente, em nossa alma e nos nossos corações.

Artigo publicado originalment no portal AfroBrasileiros: http://www.afrobrasileiros.net.br/det.asp?cod=121&caminho=mulher


More than 50 thousand Women went to Brasilia (capital of Brazil) to denounce racism, sexism and violence that affect us and to present requests to solve these problems.

Last Wednesday, November 18, Brasilia stopped when facing Black Women’ strength. There, around 50 thousand Black women marched as protagonists of their history followed by their allies that included women from other ethnicities, Black men and activists from different social movements.
The March had as main goal the struggle against Racism, Violence and for a well living, and it was the result of a mobilization that happened for more than one year. Started by organizations that are part of the Brazilian Black Women’s movement, the March focused in to denounce the violence that reach us in an intersectional way, considering that we are those that never will be only women or only Black, but as the opposite we are the base of the pyramids of afflictions that affect our people.
Enhanced by the role of our party day, Black women from different scenes marched together peacefully, celebrating a same goal. There, we had walking side by side, Black women who are: heterosexual, lesbian, transgender,  bisexual; from Afro Brazilian religions, atheists, catholic, evangelical; overweight, slim; with disabilities or not, young and elder, and also Black children and families representing a generational exchange. All them with the same goal: to denounce the exclusion of our bodies that still persists in the society.
In the sound trucks, authorities such as the Minister of Human Rights, Women and Racial Equality Nilma Lino Gomes, the UN women director’s Phumzile Mlambo-Ngcuka and the Consul of France, Ms. Alexandra Loras got together with other activists voices to demonstrate the importance of the mobilization of the women who were there.
The March was crowned by a meeting of the Black women’s leadership and the president of Brazil Dilma Roussef, where they were able to present important points that were caught during the preparation to the national march in each state.
Among the speeches of the participants, the official song of the March was echoing in the cars. The lyric created by MC Luana Hansen was narrating the motivation of those who decided to be there.  With a chorus that says “I will march against racism, I’ll march against violence, I’ll march for well living, well living, well living”, the song was one of the several songs that was sang by the crowd that walked more than 3 miles.
When we arrived in the Três Poderes square we were cowardly received with stun bombs and shots for those who were representing exactly the reason why we were fighting against racism and patriarchy. Those coward citizens felt intimidated by anything else than our Black bodies marching. In the opposite that the hegemonic media said, there wasn’t confrontation, what happened was a direct attack to elder Black women and children that were walking harmoniously and didn’t have any kind of gun to protect themselves.
But this attack that happened as a way to stop our mobilization and disqualify our struggle wasn’t enough to erase the light of those who were there celebrating. The march followed back to its original place where the party was crowned by musical performances.
As a participant of the Black Women’s March 2015 I only can share the emotion that is still taking me. There I saw thousands of women that as myself has been dedicating their lives to fight for justice and equality to our people. I saw our elders and our youth walking side by side, holding banners that were representing our claims.
Marching side by side with so many sisters brought to me a feeling of belonging and solidarity. With also remind us the strength and the courage that follow us and that allow Black women being the energy that drives Brazil in these past 5 centuries. Our agenda, is a report of what have been affecting us daily. We marched there together for the good of the community that we have been generating not only in our bellies but also in our  minds, souls and in our hearts.

 This article was originally posted at the website Afrobrasileiros http://www.afrobrasileiros.net.br/det.asp?cod=121&caminho=mulher





Nenhum comentário:

Postar um comentário