sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Partilhando: Venci um Concurso de Redação / Sharing: I won a Scholarship Essay Contest

Essa semana recebi a notícia de que fui a vencedora de um concurso de redação. Premiações e patrocínios para a pesquisa fazem parte da vida acadêmica aqui nos EUA, então isso é um passo importante para minha carreira. O tema da redação era Como estudar nos EUA irá ajudar a atingir suas metas profissionais.
Segue o link para o meu texto http://www.isvmag.com/08/18/margaret-w-wong-scholarship-winner-announced/7205

This week I received the information that I won the Margaret W. Wong Scholarship essay contest. It is an important step to my career. The topic for the scholarship was “How will studying in the United States help you achieve your career goals?”.
Here is the link to my essay
www.isvmag.com/08/18/margaret-w-wong-scholarship-winner-announced/7205

sexta-feira, 25 de julho de 2014

25 de julho Feliz dia da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha / July 25 Happy Afro Latin and Caribbean Woman Day

Para as minhas irmãs na caminhada só posso desejar um feliz 25 de julho, dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Que nesse dia, nós possamos lembrar a força que carregamos em nós, que lembremos a herança que nossas ancestrais nos deixaram. Como diria Jurema Werneck, "nossos passos vem de longe". Em toda a diáspora, foram mulheres negras como nós quem carregaram consigo a responsabilidade de cultivar nossa história, propagar nossos feitos e irmanar nosso povo. E é assim que devemos seguir, como agentes de nossa história. Sempre fortalecendo uma a outra na caminhada. Eu sou porque vocês são. Ubuntu! Mulheres negras irmanadas sempre.Nesse dia, partilho com vocês o documentário 25 de julho - o Filme - Feminismo Negro contado em primeira pessoa. Do qual tive a honra de participar.
https://www.youtube.com/watch?v=J6ev2V-Ee3U

To my sisters in this journey, I only can wish a happy July 25, International day of Afro Latin and Afro Caribbean women. I wish that on this day we can remember the strenght that we carry with us, that we can remember the inheritance that our ancestors gave to us. As Jurema Werneck would say "our steps come from far". In the whole Diaspora, were black women like us, who carried with them the responsibility of cultivating our history, propagating our achievements and congregating our people. We need to follow in this way, as agents of our own history. Strenghtening each other in the journey. I'm because you are. Ubuntu! Black women always congregated as sisters.Today I share with you the documentary, that I had the honor to participate: July 25 - The Movie - Black Feminism narrated in First person.

https://www.youtube.com/watch?v=J6ev2V-Ee3U


A mis hermanas en el camino sólo puede desear un feliz 25 de julio, día de Las Mujeres Afro de América Latina y el Caribe. Ese día, podemos recordar la fuerza que llevamos dentro de nosotras, recordamos el legado que nuestras antepasadas nos dejaron. ¿Cómo se ha dicho Jurema Werneck, "nuestros pasos desde lejos." A lo largo de la diáspora, fueron las mujeres negras como nosotras que llevan con ellas la responsabilidad de cultivar nuestra historia, nuestros logros y se propagan a nuestra gente a congregarse. Y así debe seguir, como agentes de nuestra historia. Siempre fortalecimiento entre sí para caminar. Yo soy porque tú eres. Ubuntu! Las mujeres negras siempre hermanadas.Ese día, comparto con ustedes el documental de 25 de Julio - La Película - Negro Feminismo contada en primera persona. Que tuve el honor de participar.

https://www.youtube.com/watch?v=J6ev2V-Ee3U

Pour mes sœurs à la marche ne peut souhaiter un joyeux 25 Juillet le jour des femmes noires en Amérique latine et dans les Caraïbes. Ce jour-là, nous pouvons nous rappeler la force que nous portons en nous, nous nous souvenons de l'héritage que nos ancêtres nous ont légué. Comment serait jurema Werneck, «nos traces de loin." Tout au long de la diaspora, étaient des femmes noires comme nous, qui portent avec eux la responsabilité de cultiver notre histoire, nos réalisations et nos gens se rassemblent propagent. Et il doit suivre, comme les agents de notre histoire. Toujours renforcer l'autre dans la marche. Je suis parce que vous êtes. Ubuntu! Les femmes noires toujours jumelées.
 Ce jour-là, je partage avec vous le documentaire de 25 Juillet - Le film - Black Feminism dit à la première personne. Que j'ai eu l'honneur de participer.

https://www.youtube.com/watch?v=J6ev2V-Ee3U 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Rainbow-Push Coalition 43rd Annual International Convention

It is a pleasure and a honor to announce that I was invited to be a panelist in the 43rd Rainbow-Push Coalition Annual International Conference. I'm going to talk about Human Rights for the Afro Brazilian population. If you are in Chicago please join us next monday June, 30 at 9.30 at the Sheraton Hotel. 
http://rainbowpush.org/index.php/pages/2245/

terça-feira, 29 de abril de 2014

O racismo e as bananas que não somos obrigados a engolir / Racism and the bananas that we don’t have to eat

Essa semana a mídia foi tomada por dois casos envolvendo racismo no esporte, não que esses sejam casos isolados, mas esses foram casos de grande repercussão.
Nos EUA, o dono do time de basquete Los Angeles Clippers, Donald Sterling, fez um comentário racista ao ver uma foto de sua namorada com Magic Johnson, afirmando que não gostaria de ver imagens dela no instagram com negros.
A mídia divulgou o caso e a imagem do empresário ficou manchada, seus jogadores se recusaram entrar em quadra com a camisa do time, o cantor que ia interpretar o hino nacional desistiu de cantar e Sterling não apenas sofreu críticas duras, como também foi banido da NBA pela vida inteira, não podendo nem comparecer aos jogos e ainda recebeu uma multa de 2,5 milhões de dólares.
Na Europa, o jogador brasileiro que atua no Barcelona, Daniel Alves foi atingido  por uma banana que foi jogada no campo pelos torcedores em uma clara intenção de chama-lo de macaco. Ele em uma reação de momento, pegou a banana, comeu e continuou jogando.
A mídia brasileira noticiou o caso como se racismo fosse algo que só acontecesse fora do país. Em pouco tempo o jogador Neymar decidiu “criar” uma campanha de apoio ao colega onde aparece comendo uma banana ao lado da frase somos todos macacos. A campanha, que mais tarde se revelou ser um case de uma agência de publicidades foi adotada por personalidades e artistas, incluindo o apresentador Luciano Huck que decidiu lucrar o caso, vendendo camisetas e outros produtos com a frase que supostamente ajudaria a combater o racismo.
O que essas reações dizem sobre os dois países?
Nos EUA, racismo não é crime, a pessoa tem o direito de se expressar garantido pela primeira emenda da constituição mesmo que seus comentários sejam racistas. Mas ainda que os EUA “pós-racial”, seja repleto de racismo, poucos ousam expressar esse sentimento, como Sterling fez, pois se declarar racista pega mal, as pessoas reparam, acham feio (ainda que elas pensem igual), os patrocinadores não investem mais na empresa e seu filme fica muito queimado.
No Brasil, ao contrário dos EUA, racismo é crime inafiançável, a pessoa que faz comentários racistas pode ir para a cadeia, então se a pessoa quiser ser racista até pode ser, mas não deve expressar, tem que morrer entalado com seu racismo. Porém como outras leis no país, essa também não funciona e poucos são aqueles que realmente foram punidos por isso.
Ao contrário dos EUA, no Brasil, ser racista não pega mal, é até engraçado, é uma coisa que você pode fazer amigavelmente, ser socialmente racista e quando a pessoa atingida reclamar você diz que ela não tem senso de humor, que o racista é ela e que na verdade somos todos iguais e ela que quer dividir o país.
Ao se banalizar uma ofensa racial como a campanha somos todos macacos faz, presta-se um desserviço à população negra, pois se nós somos todos macacos, nenhum de nós precisa se ofender com isso ou lutar contra a ofensa.
Ao ter autoridades como a presidenta da república realizando o ato de comer uma banana, o ato legitima a banalização sem respeitar a dor daqueles que passam sua vida inteira sendo chamados de macaco e o racismo vira comédia.
Contudo, ainda que esses casos demonstrem a maneira diferente como os dois países lidam com o racismo (um finge que já resolveu e o outro finge que ele não existe), há algo em comum nos dois casos, a participação passiva de negros que aceitam esse tipo de ação racista.
No caso de Donald Sterling, temos o presidente da NAACP Los Angeles (instituição histórica na luta pelos direitos dos afro-americanos) que diz que as doações financeiras feitas pelo empresário mostram que ele não é racista. Temos também a namorada do empresário, que mesmo sendo negra e conhecendo os atos racistas que ele cometeu no passado, continua ao seu lado aceitando esse tipo de atitude.
No caso brasileiro nós temos a figura de Neymar, jovem negro, que não se assume como tal, mesmo sendo vítima de atos racistas como esse diversas vezes. Neymar foi quem divulgou a ideia como algo sendo natural, sua presença legitima o fato de nos exporem ao ridículo. 
Ao associar o ato de comer a banana com a luta contra o racismo, minimiza-se a questão e banaliza-se o tema. O programa esportivo da maior emissora do país (e também a mais racista) diz que ao comer a banana Daniel Alves engoliu o racismo.
Esse é o ponto que o Brasil ainda não entendeu, nós negros não temos que engolir o racismo, o racismo é um veneno que nos mata um pouco a cada dia. O racismo não deve ser engolido, ao contrário deve ser jogado fora, combatido por meio de luta e resistência.
Quando a gente engole o racismo, ele fica lá dentro, encubado, germinando até sufocar aquele que o engoliu. Por isso, se alguém tem que engolir o racismo, que seja então o racista. Que ele se envenene sozinho com seu ódio.
Comer bananas ou engolir o racismo não colabora com nossa luta, ao contrário nos prejudica cada vez mais e desvaloriza a resistência daqueles que tem lutado para que o racismo seja extinto da sociedade. Por isso:
Não coma as bananas que os racistas estão dando pra nós!


This week the media was taken by two cases of racism in sports, not that it is a new fact, but these cases had a really huge impact.
In the USA the Los Angeles Clippers owner, Donald Sterling, did a racist comment when he saw a picture of his girlfriend with Magic Johnson, affirming that he wouldn’t like to see her picture associated with black people in instagram.
The media released the case and his image was compromised, his players refused to play with the team jersey, Tank decided don’t sing the national anthem and Sterling not only received rigorous critics but also was suspended from NBA for life and received a 2,5 million dollars fine.
In Europe, the Brazilian soccer player Daniel Alves, who plays in the Barcelona team, was reached by a banana which was throw in the field by the fans in a clear intention of call him a monkey. He in a moment reaction ate the banana and kept playing. (In Brazil and some latino countries call a black person a monkey is like call a black person a jigaboo in the US and throw a banana is similar to throw a watermelon for African Americans).
The Brazilian media noticed the case as if racism was something that only happens abroad. Soon, the soccer player Neymar decided “to create” a campaign to support his colleague where he appears eating a banana with the phrase we are all monkeys. The campaign that later was revealed as a marketing case was adopted by artists and personalities, including the entertainer Luciano Huck, who decided to make money with the case selling t-shirts and other products with the sentence that supposedly should help to combat racism.
What do these reactions tell about both countries?
In the US, racism is not a crime, the person has the freedom of expression guaranteed by the Constitution First Emend, although these comments are racist. However, even if the “post racial” US is full of racism, few people dare to show their feelings, as Sterling did, because declare themselves racist is something bad, people don’t like it, they think is terrible (even if they think in the same way), sponsors don’t want to give you money anymore and you get a really bad image.
Unlike the US, in Brazil racism is a non-bailable crime, the person who wants do racist comments can go to the jail, so if the person wants being racist the person can be, but can’t express the feeling, needs to keep it to them and being choked to death. However, this law doesn’t work, as other laws in the country and there are few people who were punished for racism in Brazil. 
Unlike the US, in Brazil, being racist is not so bad, it is actually funny, it is something that you can say in a friendly way, you can be a “social” racist and when the offended person complain you can say that the person doesn’t have humor , that actually the person is racist and that we are all equal and that the person wants to share the country. (sarcasm)
When we trivialize a racial offense as this campaign we are all monkeys does, it is actually a disservice to the black population, because if we are all jigaboos, so nobody should feel offended by the word and nobody needs to fight against it.
When authorities as the President take pictures eating a banana, the act itself legitimizes the racism trivialization without being respectful with the pain of those who have been called monkeys their whole lives, and racism becomes a joke.
However, even if these two racism cases show the different way how these countries deal with racism (one pretends that racism is already solved and the other pretends it doesn’t exist), there is something in common in both cases, the passive participation of some black people who accept this kind of racist action.
In Donald Sterling case we have the president of LA NAACP, Leon Jenkins, who affirms that the donations that Sterling did to the institution proves that the businessman isn’t racist. We also have Sterling’s girlfriend who even if knows he already did racist actions in the past is still dating him accepting this kind of attitude.
The Brazilian case bring us the figure of Neymar, young black man, who didn’t assume his blackness, even if he was also a victim of racist acts with the bananas in the past. Neymar was the one who exposed the idea of the campaign as something natural, his presence in the campaign legitimize the fact that they are exposing us in a ridiculous situation.
When they associated the act of eat a banana to the fight against racism, the pain was minimized and the struggle was trivialized. The sport show of the most important tv channel in Brazil (which is also the most racist tv channel) says that when Daniel Alves ate the banana he also ate the racism.
This is the point that Brazil didn’t understand yet, we as black people we don’t need to eat the racism, it is a poison that kills us each day. So, racism doesn’t need being eat, unlike it should be thrown away, combated with struggle and resistance. 
When we accept a racist act, it remains within us, incubates, germinating until suffocate the one who accepted it. For this reason if someone needs to die suffocated with the racism, so it is better if the suffocated person is the racist. He can die, poisoned with his hate.
Eating bananas or accept the racism will not cooperate with our struggle, unlike it will create more issues and devalues the resistance of those who have been fighting to stop racism in the society. For this reason:
Don’t eat the bananas that racists are giving to us

quinta-feira, 20 de março de 2014

Nos matam aos montes / They kill us in mass

Confesso que a escrita desse post é dolorida, por isso relutei ao máximo em escrevê-lo. Mas também pode ter sido covardia, falta de coragem em admitir que tudo isso está realmente acontecendo, como se ao não mencionar deixasse de ser verdade.
Mas não há como negar, não há ausência de escrita que vá fazer deixar de ser verdade o fato de que nossas cabeças estão a premio. Estão nos matando aos montes.
Só nos últimos meses quatro histórias se destacaram na mídia envolvendo corpos negros tratados como nada, como lixo, que pode ser descartado a qualquer momento.
O primeiro choque veio com as correntes nos postes, a tortura na calada da noite, o corpo negro exposto nu, humilhado sem defesa.
Os gritos de justiça a qualquer preço geralmente são acompanhados da negação do racismo, mas não há discurso que apague a imagem do adolescente negro tratado como bicho, sem direito a humanidade, por ter nascido pobre, por ter nascido preto, sem oportunidade.
As críticas a dor que senti (sentimos, pois acredito que você também), vieram imediatamente, afinal estávamos defendendo o marginal, o crime não tinha nada a ver com racismo, mas era a busca por um “meliante”.
O menino sem nome definido pelos jornais apenas como o menor é filho de outro jovem, negro e sem oportunidade que se viu na vida do crime e foi assassinado sem ter tempo de criar o filho. A rua, o crime, o crack foi o que sobrou para o jovem negro torturado nas ruas do Rio de Janeiro.
O vício maldito que faz milhares de vítimas no Brasil (só quem já perdeu alguém para o crack sabe a dor que é), vitimou também um outro jovem, loiro de olhos azuis no sul do país, que também roubava para sustentar seu vício. Esse não foi tratado como “o marginalzinho” pela mídia sensacionalista e com ele ninguém quis fazer justiça com as próprias mãos, ao contrário lhe deram casa, comida, roupa lavada, agência de modelos e clínica de reabilitação, pois ele era lindo demais para ser mendigo e viciado.
Ao contrário do menino negro que era “feio” e merecia ser açoitado aos sons dos clamores pela volta do pelourinho.
“Feio” também era Vinícius Romão, jovem negro, psicólogo, ator, que foi preso sem direito a explicação, por ser confundido com assaltante, afinal era negro e usava black power, porque todos os negros são iguais e usar cabelo black também é sinônimo de bandidagem. Passou 16 dias preso, sem direito a apuração e só foi solto, porque o fato de ter um pouco mais de visibilidade fez com que seu caso ganhasse força e amenizasse a fúria daqueles que já estão acostumados a matar inocentes. Pois afinal, eles nos matam aos montes.
A vítima de roubo que denunciou Vinicius, também é uma mulher negra, que já está tão condicionada a associar sua própria cor ao mal, que em meio ao nervosismo concordou com a ação da polícia, ainda que não tivesse muita certeza que havia sido aquele jovem e não outro que a roubou. É vítima da alienação do mesmo sistema racista que nos mata aos montes, se não pela morte física, mas nos mata emocionalmente.
Temos então o caso da amiga Nina Silva, escritora, administradora de empresas, ativista do movimento negro, que se viu discriminada em uma porta giratória de uma agência bancária, reclamou, foi tratada como alguém que exagera e se viu dentro de um hospital tendo que ser medicada para aplacar a dor emocional que o racismo causa.
Por último, temos o caso de Cláudia da Silva, mulher negra, mãe de quatro filhos, que cometeu o crime grave de ir a padaria comprar pão e carregar um copo de café em suas mãos. Foi baleada a curta distância e arrastada pela viatura por mais de 300 metros agonizando como nem animais mereceriam ser tratados. No sensacionalismo da mídia, Cláudia perde seu nome, virou a mulher arrastada, porque afinal a morte preta não comove mais, porque eles nos matam aos montes.
Quatro casos em pouco mais de um mês, todos seguidos de gritos esbravejados de não foi racismo, vocês veem racismo em tudo, o racista é o próprio negro e todas as outras palavras que quem vive no Brasil já está acostumado, porque afinal todos os dias nos matam aos montes, com palavras, com ações e com o maldito “racismo amigável”, que permite você ser chamado de macaco amigavelmente.
Mas não posso ser injusta, pois não é só no Brasil que nos matam aos montes. Em toda a diáspora a história se repete, já estão acostumados a exterminar corpos pretos.
Se Vinícius passou 16 dias preso sendo inocente, assim como ele tantos outros estão atrás das grades sem terem cometido nenhum crime, ou por delitos menores cuja pena já poderia ter sido cumprida há muito tempo. A história se repete aqui nos EUA, onde após quase 30 anos no corredor da morte, Glenn Ford, conseguiu sua liberdade, pois era inocente da acusação de homicídio pela qual fora preso, assim como havia afirmado em três décadas, mas ninguém deu ouvidos. Agora ele pode voltar pra sua vida. Mas que vida?
O caso de Cláudia com seu copo de café na mão, me lembra outro caso, de Trayvon Martin, que morreu porque carregava um pacote de skittles (balas) e por isso foi considerado suspeito. A sua família coube enterrar o corpo e ver o acusado sair livre e sorrindo.
Que me lembra também de outro jovem, que morreu porque ouvia música suspeita, afinal vendendo milhões ou não, o rap continua sendo música de preto.
É aqui também nos matam aos montes.
O pior de tudo é pensar que esses são apenas alguns casos que ganham visibilidade na mídia, mas que estão longe de serem casos isolados, pois onde quer que seja continuam nos matando aos montes.
Como mostram as centenas de denúncias feitas pela Campanha Reaja ou será morto, Reaja ou será morta, que tem levantado sua voz e exigido uma solução contra o genocídio da população negra, sem recuar.
Só no Brasil, foram 300 mil jovens negros assassinados em dez anos, a maioria pelo braço armado do Estado, que já está acostumado a nos matar aos montes.
E nós que estamos vivos, vamos assim morrendo por dentro, com as dores daqueles que nos são iguais, fazemos parte do “monte” que todo dia é assassinado sem direito a grito e ao clamor contra o racismo. Só me pergunto até quando nos matarão aos montes?






I need to confess that to write this post is really painful and for this reason I postponed to do it. But, I also need to confess that it happened because I’m a coward, I was not brave enough to admit that all these things are really happening, thinking that if I didn’t say it would not be true.
However, I can’t deny anymore, there is no absence of words that is going to make untrue the fact that there is a reward for our head. They are killing us in mass.
Only in these past months four histories were highlighted by the Brazilian media involving black bodies treated as nothing, as trash, that can be disposable any time.
The first shock came with chains in stop signals, the torture in the middle of the night, an exposed naked black body, humiliated without defense.
The cry for justice by any means usually are followed by a denying of racism, but there is no speech that can erase the image of the black teenager treated as an animal, without right to his humanity, only because he was born black and poor without opportunities.
The critics to the pain that I felt (we felt, because I believe that you felt too), came immediately, because we were defending a thief, and the crime wasn’t racism, but it was a search for “criminal”.
The nameless boy defined by the newspapers only as a minor is the son of another young black man without opportunities who were involved in the criminal life, who was murdered and didn’t have time to raise his kid. The streets, the crime, the crack was the legacy that the young black boy tortured in the Rio de Janeiro streets received.
The damned crack addiction make several victims in Brazil (only someone who lost someone to the drug knows how painful it is), it victimized another young man in Brazil: blond, blue eyes, in the south of the country, who also used to be a pickpocket to support his addiction. This one was not called by the sensationalist media as a “criminal”, nobody requested justice by any means, unlike they gave him a home, food, clean clothes, a modeling agency and rehab, because he was to handsome to be homeless and addict.
Unlike the black boy who was “ugly” and deserved being whipped under the sounds of the cry to bring back the public whip.
Who was also “ugly” was Vinicius Romão, young black man, psychologist, actor who was arrested without right to defend himself, when he was misunderstood as a robber, because he was black and had an afro hair, because all black people are equal and having an afro hair is a synonymous of criminality. He was in prison for 16 days, without rights for investigation and only was released because his visibility made his case stronger and it diminish the furor of those who are habituate to kill innocent people. Because, as usual they are killing us in mass.
The victim who accused Vinicius, is also a black woman, who is probably so conditioned to associate her own color with the evil, that in a nervous situation agreed with the Police action, even if she wasn’t sure that he was the man who stole her. She is also a victim of the alienation of the same racist system which is killing us in mass, not only through the physical death, but are also killing us emotionally.
In the same way, we have the case of my friend Nina Silva, writer, business woman, activist in the Black Political Movement, who suffered racism in a bank door and was treated as someone that is exaggerating and saw herself inside a hospital, receiving medication to relief the emotional pain caused by the racism.
At least, we have the case of Claudia da Silva, black woman, mother of four children, who committed the terrible crime of going to the bakery by bread carrying a glass of coffee. She was shoot in a short distance and dragged by the Police car for more than a quarter mile, dying as not even an animal should be treated.  In the sensationalist media, Claudia lost her name, became the dragged woman, because the black death isn’t able to cause emotion anymore, because they are killing us in mass.
Four cases in a little bit more than one month, they were all followed by people screaming that “these weren’t racism”, and “you see racism everywhere”, “the black person is the racist one” and all the other sentences that all those who live in Brazil are habituate to hear, because as I said they are killing us in mass, with words, with actions and with the damn “friendly racism”, which allows calling you a jigaboo in a “friendly” way.
But I can’t be unfair, because is not only in Brazil that they are killing us in mass. In the whole Diaspora the history is repeating, they are habituate to exterminate black bodies.
If Vinicius spent 16 days arrested being innocent, like him several other people are in prison without commit any crime or because they did minimal crimes for those they could be free a long time ago. The history is the same here in the US, where after almost 30 years with a death sentence, he was released, because he was innocent of the homicide accusation, as he was affirming during these past three decades, but nobody listened him. Now he can goes back to his life. But which life?
The case of Claudia with her cup of coffee on her hands, reminds me another case, of Trayvon Martin, who was murdered because was carrying a Skittles pack and for this reason was considered suspect. To his family the legacy was burry his body and see the assassin being freed with a smile on his face.
It also reminds me another case of a black boy who was murdered because he was listen a suspect music, because no matter if it sells millions or not, rap is still a black music.
Yes, here they also are killing us in mass.
The worst thing is to think that these are only few cases that got some media visibility, but that they are far from being isolated cases, because no matter where we are they are still killing us in mass.
As has been showed by the several denounces made by the campaign Reaja ou sera morto, Reaja ou sera morta (React or you will be dead), which has been raising their voice and asked a solution against the black genocide in Brazil, without turn back.
Only in Brazil, we had more than 300 thousand black youth murdered in these past 10 years, most of them by the armed wing of the State, which is already habituate to kill us in mass.
Us who are still alive, we are dying inside, feeling the pain of those who look like us, we are part of this “pack” that is murdered every day without the right to scream or to cry against racism. I only wonder  how long are they going to kill us in mass?