quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Sobre ser uma mulher negra brasileira vivendo no exterior / About being an Afro Brazilian woman living abroad


O processo de escrita desse post tem sido longo. Por várias vezes já pensei em começar, mas me sinto tão sensibilizada com o tema, que vejo o quanto isso pode prejudicar a escrita e simplesmente paro.
A primeira vez que vim aos Estados Unidos, tive a oportunidade de morar por dois meses em Atlanta no estado da Georgia. A experiência foi tão profunda para mim que cada etapa do que vivi era visto como algo mágico. Entre esses, também era novo para mim o fato de ser considerada uma mulher bonita pelos homens negros aqui, coisa que não acontecia com frequência no Brasil.
Naquele período de dois meses, aprendi que a palavra bonita tinha uma outra conotação quando ela vinha acompanhada da frase “ah você é do Brasil?”. Era fácil perceber que o que estava em jogo não era apenas o fato de ser bonita ou não, mas era antes de tudo o fato de ser brasileira que significava alguma coisa. 
Sempre tinha ouvido falar sobre o estigma da hipersexualidade da mulher brasileira no exterior, que essa era vista como uma mulher fácil, ou ao até mesmo como uma prostituta, mas sempre achei que isso era uma generalização e não um fato concreto. 
Com o passar dos anos, eu que sempre tive amizade com americanos negros, nunca pensei nesse tema como uma possibilidade, considerando-se que com meus amigos, sempre tive uma relação de respeito e igualdade independente de suas nacionalidades.
E essas relações foram cada vez mais me aproximando do conceito de diáspora e a tentar pensar na luta negra de forma coletiva onde negros de todo mundo devem estar unidos na luta contra o racismo.
Nesse período comecei a ter mais contato com a comunidade negra americana por conta do meu trabalho e cheguei a ser abordada por alguns homens negros americanos de forma indevida, mas sempre vi como fatos isolados, pois acredito que falta de caráter independe de nacionalidade.
Preciso dizer que esse pensamento não mudou, continuo encontrando pessoas maravilhosas no meu caminho e fazendo ótimos amigos aqui.
Contudo é preciso dizer que desde que passei a viver nesse país, alguns fatos chegaram ao meu conhecimento, tornaram as coisas mais claras e me deixaram realmente entristecidas.
O primeiro fato foi um comentário de um estranho sobre homens afro-americanos irem ao Brasil a procura de prostitutas, pois isso facilitaria o relacionamento apesar da barreira da língua. O segundo fato foi a observação de comportamentos indevidos de alguns homens negros americanos no Brasil, que tratavam mulheres como um corpo disponível, como pessoas que estariam ali apenas esperando por eles. Por último, tive acesso a um video que circula livremente pelo youtube onde homens afro americanos dizem procurar mulheres brasileiras, pois essas seriam submissas, não estariam preocupadas com status ou posição social e não teriam um alto nível de educação.
O vídeo me chocou por diversas razões:
A primeira pelo fato de que todas as mulheres no video eram negras.
A segunda pelo fato de que a maioria das mulheres no vídeo visivelmente faziam parte de uma rede de prostituição e as pessoas de forma indiretas mencionavam turismo sexual.
A terceira pelo fato de que o video em todo o momento criava uma tensão entre as mulheres negras brasileiras e as mulheres negras americanas, onde essas estariam sendo preteridas pelas primeiras.
A perspectiva apontada pelo vídeo me fez sentir realmente mal, comecei a lembrar de diversos fatos isolados não apenas que aconteceram comigo, mas também histórias de pessoas conhecidas que tinham exatamente essa perspectiva: mulheres negras brasileiras sendo tratadas como seres de segunda classe por aqui.
Comecei a lembrar que geralmente os comentários sobre a mulher negra brasileira ser bonita, vinham acompanhados sobre comentários de como esses homens gostariam de ir ao Brasil e se divertir muito, mas nunca acompanhado de um pensamento de encontrar uma mulher negra brasileira para um relacionamento verdadeiro, esses são reservados para boas mulheres americanas.
A tristeza só aumenta quando penso que isso é o reflexo de nossos corpos sendo vendidos como produto desde a escravidão, afinal no Brasil a branca sempre foi para casar, a “mulata” para foder e a preta para trabalhar.
Como mulheres Afro Brasileiras sejamos nós de pele escura ou clara, nos tornamos ao longo dos anos a mulata exportação, o símbolo da sexualidade de um país, uma bunda ambulante que está disponível, aquela que merece ser desfrutada, mas que nunca se tornará a senhora.
Enfim, o Brasil que foi tão hábil em mascarar seu racismo com o passar dos anos, também foi esperto o bastante para nos vender como seu melhor produto, que atrai milhares de “clientes”.
Mas se o Brasil vende um produto, existe por outro lado um país que está comprando essa imagem, que está acreditando que a mulher negra brasileira é realmente a grande prostituta que se diz. E isso realmente me entristece. Me entristece, pois eu conheço e tenho estudado cada vez mais a luta das mulheres afro-americanas para fugir de estereótipos como esses. Então porque acreditar quando isso é associado a irmãs de outros países?
Não há como falar em diáspora, sem pensar em união, sem pensar em partilha de dores e experiências na luta contra o racismo e pensar que eu posso ser observada como alguém que não é boa o bastante realmente me faz pensar se estamos em uma luta coletiva.
É claro que não posso generalizar, como eu mencionei antes minhas relações pessoais dentro da comunidade sempre foram maravilhosas e acredito que assim como meus amigos existam outras pessoas que também estão abertas a conhecer e respeitar a cultura do outro e seguir em uma luta conjunta.
Prefiro pensar que na maioria dos casos o que acontece é uma falta de conhecimento sobre a cultura brasileira ou sobre o que realmente acontece no Brasil.
Por isso resolvi responder em poucas palavras algumas das questões levantadas no video Frustrated: Black American Men In Brazil.
Sobre a sexualidade da mulher negra brasileira: Não há como generalizar, em um país com mais de 50 milhões de mulheres negras, cada uma irá lidar com sua sexualidade de maneira pessoal. Conheço mulheres negras que são sexualmente mais liberadas, como conheço outras que são virgens, não existe um padrão para a sexualidade da mulher negra em meu país. Também não acredito que tenhamos uma sexualidade mais aflorada que outras mulheres no mundo, acredito que isso é muito mais um conceito vendido do que uma verdade. A única certeza que tenho é: NÃO SOMOS UM CORPO A DISPOSIÇÃO, ir ao nosso país não significa sexo fácil, apenas porque somos brasileiras e isso é fato.
Sobre mulheres negras brasileiras serem submissas: Entendendo o machismo em meu país, acredito que muitas mulheres no Brasil ainda são subjugadas por homens, mas assim como sexismo existe em todos os lugares, a luta do feminismo negro também existe e nós temos nos levantados contra todo o tipo de opressão de gênero e raça. Temos um histórico de luta e protagonismo em nosso país, mulheres negras desde sempre foram responsáveis pela manutenção da família, como matriarcas que eram e também pelo pioneirismo político em diversas situações. NUNCA ESTIVEMOS NOS BASTIDORES.
Sobre prostituição no Brasil: Existe prostituição no Brasil como existe em qualquer lugar, na verdade o Brasil ainda é um país bem retrogrado nesse sentido, pois é um dos países no mundo, onde prostituição ainda é ilegal e considerada crime. E NÃO, NÃO SÃO TODAS AS MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS QUE SÃO PROSTITUTAS OU QUE VÃO TROCAR SEXO POR FAVORES.
Sobre mulheres negras brasileiras serem melhores que mulheres negras americanas: Não acredito que possa ao menos existir essa comparação, politicamente falando mulheres negras nos dois países tem partilhado uma história de luta e militância e aprendido muito umas com as outras. Fisicamente falando, acredito que na verdade somos muito mais parecidas do que nunca, afinal vejo diversas pessoas aqui que se parecem comigo, com minhas amigas, com minhas irmãs. Emocionalmente, temos um histórico diferenciado, apesar de sofrermos com a opressão do racismo, mas acredito sinceramente que nenhuma de nós tem tempo ou vontade de ser o capacho de homem algum . Sexualmente falando, acredito que a questão da sexualidade tem que ser tratada como o que é, algo pessoal que compete apenas aos envolvidos. É mais do que hora de quebrarmos os estereótipos que foram criados sobre nós.
Bom, o post foi longo, mas espero ter sido claro e que ajude para que possamos continuar construindo relações fraternas na luta contra o racismo. Todos são bem vindos no Brasil, mas é preciso derrubar imagens que não são verdadeiras.
Deixo com vocês um link para o video Frustrated: Black American Men In Brazil. E convoco a todas mulheres negras brasileiras e americanas para se unir e dar uma resposta  a altura para algo tão preconceituoso e machista.
http://www.youtube.com/watch?v=BOjvPOBvd9A

The process to write this post has been taking a time. Several times I thought about to start, but I feel so sensitive about the subject, and I see how this can worry the writing so I stop.
The first time that I came to the US, I had the opportunity of living during two months in Atlanta-GA. It was a so deep experience that for me each step that I took was seeing as something magic. Among these experiences was also new for me the fact that here I was considered pretty by Black men, what didn’t happen often in Brazil.
During those two months, I learned that the word beautiful had another connotation when it was followed by the sentence “oh are you from Brazil?”. It was easy to realize that what was on the table wasn’t only the fact of being beauty of not, but before this was the fact that to be Brazilian meant something else. 
I always hard about the stigma of the Brazilian women hyper sexuality abroad, the fact that she was seeing as a promiscuous woman, or even as a prostitute, but I always thought it was a generalization and not a real fact.
Over the years, as a person that always had African American friends, I never saw it as a possibility, considering that with my friends I always had respectful and equal relationships independent of where they were from.
These relationships were responsible for approached me of the concept of Diaspora and made me start to thing in the black struggle in a collective way where black people around the world need to be united in the fight against racism.
On this period, I started to have more contact with the African American community because of my work and sometimes I was approached by some African American men in a malicious way, but I always saw it as isolated facts, because I believe that a bad character is a thing that isn’t related with nationality.
I need to say that this thought didn’t change, I still meet wonderful people on my way and I’m still making amazing friends here.
However, I need to say that since I came to live in this country, I start to know some facts, some things became clear and it made me really sad.
The first fact was a commentary made by a strange who told me about African American men who go to Brazil to find prostitutes, because it would make the relationship easier considering the language barrier. The second fact was the observation of a bad behavior of some African American men in Brazil, who were treating women as available body, as people who were there only waiting for them. At least, I had access to a video that is published on youtube, where African American men affirm to look for Afro Brazilian women, because they supposedly were submissive, they wouldn’t be worry about status or social position and they would not be educated.
This video shocked me for several reasons:
Fist,  because all the women on it were black.
Second, by the fact that most of those women were clearly part of a prostitution networking and because indirectly in the video people were mentioning sexual tourism.
Third, the fact that during the video all the moment it was bringing a tension between Afro Brazilian women and African American women, as if those were deprecated by the first ones.
The perspective highlighted by the video made me feel really bad, I started to remember several isolated facts that have happened not only with me, but also histories of people that I know that had exactly this perspective: Afro Brazilian women being treated as second class people here.
I started to remember that usually the comments about the beauty of the Afro Brazilian women, were followed by comments about how these men would like to go to Brazil and have a lot fun, but never was a comment followed by the thought that they could go to Brazil and find a woman to have real relationship, because these are reserved for good American women.
My sadness becomes deeper when I think that this is the reflex of our body being sold as a product since the slavery, because in Brazil, the white woman was to get marry, the “mulatta” to fuck and the black to work.
As Afro Brazilian women no matter if we are light or dark skin we became over the years the “mulatta” for exportation, a symbol of the sexuality of a country, a walking as who is available, the one who deserves to be enjoyable, but who never will become a Mrs.
So, Brazil who was so able in to hide its racism over the years, was also smart enough to sell us as its best product, which can attract millions of “clients”.
However, if Brazil is selling a product, there is on the other hand a country that is buying this image, that is believing that the Afro Brazilian woman is really the great whore that everybody says. And this makes me really sad. It makes me sad because I know and have been learning each day more, about the fight of African American women to escape from stereotypes like these. So why to believe on it when this image is related with sisters from other countries?
There isn’t a way to talk about Diaspora, without to think about union, about share pain and experiences in the struggle against racism and to think that I can be observed as someone that isn’t good enough really makes me think if we are in a collective struggle.
Of course I can’t generalize, as I mentioned before my personal relationships inside the black community here were always wonderful and I believe that as my friends there are other people who are also open mind and are available to know and to respect the culture of their neighbor and to follow in a collective struggle.
I prefer to think that in most of cases what happens is a lack of knowledge about the Brazilian culture or about what really happens in Brazil.
For this reason I decided to answer in few words some of the questions which were approached on the video Frustrated: Black American Men In Brazil.
About the sexuality of the Afro Brazilian Woman: There isn’t a way to generalize it, in a country with more than 50 million Black women, each one of them is going to deal with their sexuality in a personal way. I know Black women in my country who are more sexually open in the same way that I Know other who are virgins; there isn’t a standard for the sexuality of the Black woman in my country. I also don’t believe that we are hyper sexual or are more sensitive for sex than other women in the world, I really believe it is more a sold concept than the truth. The only certainty that I have is: WE AREN’T AN AVAILABLE BODY and to go to our country doesn’t mean easy sex, only because we are Brazilians.
About Afro Brazilian women being submissive: I understand the machismo in my country, and I believe that several women in Brazil are still subjugated by men, but in the same way that sexism is everywhere, the struggle of the Black feminism also exist everywhere and we have been standing against all kinds of oppression of gender and race. We have a history of role in our country, Black women who since always have been responsible for support their family, as matriarchs and also by the political pioneering in different situations. WE NEVER WERE ON THE BACK STAGE.
About prostitution in Brazil: There is prostitution in Brazil as if there is prostitution everywhere. Actually Brazil is still a conservative country in this sense, because it is one of the few countries in the world, where prostitution is illegal and considered a crime. AND NO, NOT ALL BLACK BRAZILIAN WOMEN ARE PROSTITUTES OR ARE GOING TO CHANGE SEX FOR FAVORS.
About Afro Brazilian women being better than African American women: I don’t believe this comparison can even exist, in a political sense black women in both countries has been sharing a history of fight and activism and learning a lot with each other. Physically, I believe that actually we are really similar to each other, because here I see several people who look like myself, my friends, my sisters. Emotionally, we have different history, although we both suffer with the racism oppression, but I really believe that none of us has time or wish to be a doormat for a man. Sexually, I believe that this question needs to be treated as it is, something personal, that compete only to people who are involved on it. It is more than time to break the stereotypes which were created about us.
Well the post was long, but I hope it is clear and can help us to follow constructing friendly relationships in the fight against racism. Everybody is welcome in Brazil, but it is necessary to knock down some images which aren’t real.
I let here the link for the video Frustrated: Black American Men In Brazil. And I call all Afro Brazilians and African American women to join me and give a right answer to something so sexista and full of prejudice.
http://www.youtube.com/watch?v=BOjvPOBvd9A

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O som da diáspora - The sound of the Diaspora

É com grande alegria que eu partilho aqui o link para a minha dissertação de mestrado: O som da diáspora - A influência da Black music norte-americana na cena Black paulistana.
Espero que vocês gostem pois é uma parte muito importante de mim.

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100135/tde-18072013-182513/pt-br.php

I'm really happy in to share with you the link for my Masters Thesis: The sound of the diáspora - The influence of American Black in the Black scene of São Paulo.
I hope you enjoy because it is an important part of me.

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100135/tde-18072013-182513/pt-br.php

terça-feira, 22 de outubro de 2013

E no final do dia apenas uma mulher negra / And in the end of the day just a Black woman

Esse é um post que vem sendo construído aos poucos, em meio a necessidade me adaptar a minha nova vida e a nova realidade na universidade, algumas coisas começaram a me fazer refletir.
Um dos principais temas presentes na mídia desde que cheguei aqui tem sido o comportamento da cantora Miley Cyrus, que tem tentado de algumas maneiras romper com a imagem de eterna estrela Disney que tinha ao interpretar Hannah Montana, se comportando de maneira a mostrar sua liberdade proclamando sua sexualidade e seu direito em se comportar como tem vontade, ou seja da velha maneira que muitas estrelas Disney antes dela já fizeram com muito sexo, drogas e rock and roll ou seja lá  o que for que ela canta.
Nada contra a necessidade de autoafirmação da cantora, embora ache essa crise de adolescência pública um pouco démodé, também não tenho nada contra o fato de ela expressar sua sexualidade e liberdade como desejar, mas o que tem me incomodado é como ao criticar o comportamento de Miley Cyrus, por considerar suas “atitudes excessivas”, a mídia aqui faz questão de mencionar que ela está fazendo tudo isso porque quer se passar por negra.
Isso mesmo, o seu comportamento considerado exagerado, excessivo, considerado até mesmo obsceno se daria, segundo essas críticas porque ela quer se passar por uma mulher negra.
Essa afirmação me impressionou porque mesmo eu sendo negra minha vida inteira e tendo vivido experiências diversas, eu nunca fiz nada do que ela supostamente tem feito. Além disso, conheço diversas mulheres negras sejam na minha família ou entre as minhas amigas que nunca chegaram nem perto disso. Então porque essa comparação?
Na mesma época, comecei a ver matérias relacionadas com a ida da cantora Beyonce ao Brasil, durante os preparativos para o tão esperado show, todas as matérias publicadas pela versão brasileira de sites como o yahoo e o msn tratavam de trazer matérias negativas sobre a cantora, com títulos como os maiores micos de Beyonce e traziam cenas como seu cabelo ficando preso no ventilador e tombos dela no palco. Mesmo ela sendo uma das maiores cantoras do mundo, não mereceu palavras positivas por parte desses sites, para eles era melhor retratar seu fracasso.
Mas o que mais me marcou durante essas reportagens foi uma imagem durante um de seus shows ao redor do mundo quando um fã decidiu dar um tapa na bunda dela enquanto ela dançava em cima do palco. Mesmo que ela tenha chamado a atenção do fã dizendo que ele seria retirado do show se fizesse aquilo novamente, aquela imagem foi extremamente agressiva aos meus olhos.
Mas você pode estar se perguntando, como a natureza rebelde de Miley Cyrus e o tratamento destinado a Beyonce estão relacionados?
Eles estão relacionados exatamente porque o racismo e o machismo presentes em nossa sociedade fazem com que a imagem da mulher negra seja perpetuada como a de um corpo a disposição, alguém que está ali, disponível para o toque e pronta para o sexo a qualquer momento.
Miley Cyrus, pode até ser considerada degenerada pela opinião pública, mas como uma mulher branca “jamais se comportaria desse jeito”, na mentalidade doentia do racismo e do machismo, ela só pode estar desejando ser negra para se comportar dessa maneira.
Já Beyonce, pode até se comportar como uma diva, pode ter o sucesso de uma mulher poderosa, mas não é possível admitir os seus sucessos, é preciso reforçar os seus fracassos e trata-la como aquilo que ela é: apenas uma mulher negra.
Essa relação entre hiper sexualidade e a imagem da mulher negra faz parte (segundo o que tenho aprendido aqui por meio do pensamento de autoras como Patrícia Hill Collins), da formação de imagens controladas das mulheres negras que são divulgadas como ferramentas que ajudam a manter um sistema opressor e excludente que faz das mulheres negras suas maiores vítimas.
É isso que faz não apenas Beyoncé, mas também, você, eu, ou suas irmãs e mães serem vistas como alguém a disposição, como uma mulher que pode ser explorada emocionalmente e fisicamente, como uma bunda gigante que pode levar um tapinha em público, afinal “a gente pede por isso”.
Miley Cyrus, caso decida mudar seu comportamento, será novamente acolhida no seio da boa família, ocupará novamente seu lugar na casa grande, pois terá deixado de tentar agir como negra. Já Beyoncé, você e eu não importa como nos comportemos terminamos apenas como o que somos: No final do dia somos apenas mulheres negras.


This is a post that I have been constructing piece by piece. In the middle of my necessity to adapt to my new life and new reality at the university, I started to think about some things.
One of the main subjects on media since I arrived here has been the behavior of the singer Miley Cyrus, who has been in different ways to break up with the image of an eternal Disney star that she used to have while she was performance Hannah Montana, behaving in a way that intents to show her freedom, proclaiming her sexuality and her right in do what she wants to do, what means in the same old way that several Disney stars before that had done before, with a lot of sex, drugs, rock and roll or whatever she sings.
I don’t have anything against her necessity of self- affirmation, even if in my opinion this teenager drama queen is a little bit démodé, I also won’t positioning myself against her right to express her sexuality and freedom and the ways how she wishes to do that. However, what have been bothering me in all this history is the way how to criticize Miley Cyrus’ behavior for her “excessive attitudes” the media is highlighting the fact that she is doing everything because she wants to pass by a Black woman.
Exactly, her behavior which has been considered exaggerate, excessive, considered even obscene would be, according with these critiques because she wants to perform a Black woman.
This affirmation impressed me because even if I have been black my whole life and even I had different life experiences I never did anything related with those things that she supposedly has been done. Although, I also know several Black women, on my family or between my friends that not even really come close to that. So why are they doing this comparison?
At the same time, I started to see several news related with Beyonce’s trip to Brazil, and during the preparation for this awaited show, all the articles published by the Brazilian version of sites like yahoo.com and msn.com were highlighting negative images of the singer, with titles talking about her failures and images as those about her hair grabbing in the ventilator and other images of she falling on the stage. Even if she is one of the greatest singers in the world, she didn’t deserve any positive word from these sites, for them the best thing was to talk about her failure.
However, in the middle of all these news, the image that really shocked me and marked me, it was a scene during one of her shows around the world, when a fan decided to spank her ass while she was dancing on the stage. Even if she was angry whit the fan telling him that he would be removed from the concert if he did that again, that image was extremely aggressive to my eyes.
But you can be wondering: how are the rebel acts of Miley Cyrus and the treatment that was given to Beyonce related?
This is exactly the point. They are related because the racism and the sexism that exist in our society make possible to perpetuate the image of a Black woman as an available body, someone that is over there, available for the touch and ready to have sex in any moment.
Miley Cyrus, can be considered degenerated by the public opinion, but as a white woman, she “never would behavior like this”, so in the sick mentality of the racist and sexist society, she only can be wishing to be Black to behavior herself in this way.
On the other hand, even if Beyconce, can behavior herself as a Diva, and be successful as a powerful woman, people can’t admit her success, it is necessary to reinforce her failure and treat her as that that she really is: only a Black woman.
This relationship between hyper sexuality and the Black woman image is part (according with I have been learning through the thought of writers as Patricia Hill Collins), of the creation of controlled images of Black women which are spread as tools to keep an oppressor and exclusionary system, which make Black women are it main victims.
And this is what makes not only Beyoncé, but also you, and me, or your sisters and your mothers be seen as someone available, as a woman that can be explored emotionally and physically, as a big ass that can be spanked in public, because in the end “we are asking for that”.
Miley Cyrus, in the case that she would decide to change her behavior, she will be again well received in the arms of the good family, she will occupy her place in the Master’s house, because she would stop to try to act as Black. Now, Beyoncé, you and me no matter how we decide to behavior, in the end of the day we finish as that we are: In the end of the day we are only Black women.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Uma diáspora de dores – A Diaspora of pain

A escrita desse post começou há mais de um mês, no dia em que recebi a notícia de que George Zimmerman havia sido inocentado da morte de Trayvon Martin. Naquele mesmo dia, li uma outra notícia de um jovem negro que havia sido torturado por horas no Paraná, por ter sido “confundido” com um assaltante.
As duas histórias não saíram da minha cabeça e me fizeram mais uma vez pensar em como nossas dores e aflições são parecidas apesar de diferentes realidades.
Na mesma época as questões diaspóricas fluíam na minha vida sob diferentes perspectivas, pois ao mesmo tempo em que terminava meu mestrado fui convidada para fazer uma palestra na ONU e a falar sobre racismo e xenofobia no Brasil e na América Latina, comparando como em diferentes lugares da diáspora essas questões sempre afligem a população negra.
E naquele momento escrever sobre isso realmente parecia o melhor tema.
Por diversas razões, o processo de escrita não fluiu, as coisas começaram a ficar corridas e a preparação para essa palestra e para a mudança acabaram fazendo com que eu adiasse a escrita.
Mas esse é um novo tempo.
Para quem não sabe, no início do mês de agosto eu me mudei para Austin, Texas, onde irei iniciar meu doutorado em Estudos Africanos e da Diáspora Africana pela University of Texas. E ao chegar aqui e passar a observar a questão racial nesse país com um olhar de fora, a necessidade desse post voltou a surgir.
O que me fez pensar nisso, é ver o quão parecidas são nossas dores na diáspora, o quanto sofremos as mesmas agressões, mas o quão diferente são nossas reações a estas.
Na última semana, jovens ativistas negros no Brasil saíram as ruas para protestar contra a morte em massa de jovens negros, devido a diferentes formas de violência, em especial aquela praticada pelo Estado.
No último sábado, aqui nos Estados Unidos milhares de pessoas se reuniram em Washington DC, para comemorar os 50 anos do discurso de Martin Luther King, I have a dream e uma das principais causas levantadas durante o evento foi a morte de Trayvon Martin.
Dois eventos semelhantes, infelizmente com realidades tão diferentes. No Brasil país onde 51% da população é negra, as marchas conseguiram reunir apenas algumas centenas de pessoas. Enquanto que nos Estados Unidos, país onde a população negra representa 13%, a marcha reuniu aproximadamente 100 mil pessoas.
Em um primeiro momento isso pode parecer uma questão simples, de falta de comprometimento ou podemos generalizar e dizer que as coisas aqui foram no passado e são até hoje diferentes de lá, mas a questão é muito mais profunda do que isso.
Essa é uma questão intrínseca que envolve temas como a maneira como a colonização se deu nos dois países e o que tem sido chamado de segregação de fato e de direito e outros temas que merecem ser aprofundados em outra postagem.
De diversas maneiras, são essas diferenças, na maneira como a conscientização de nosso povo acontece que faz com que ao andar nas ruas aqui, eu possa observar um senso de irmandade que nunca presenciei no Brasil, apesar de já ser uma ativista há mais de 15 anos.
Um senso de irmandade que faz as pessoas se cumprimentarem nas ruas ainda que não se conheçam, comentarem as últimas notícias relacionadas a população negra, que faz os pastores usarem a luta contra o racismo em seus sermões, que faz com que o motorista do ônibus ou o atendente da farmácia, comecem a falar sobre movimento black power e partido black panthers, apenas por ver meu cabelo natural.
Não quero pensar que esse senso de irmandade não exista no Brasil, mas acredito que ainda está em construção, onde tentamos primeiro descobrir quem somos, para depois tentar unir o que somos individualmente ao que somos como coletivo e isso leva tempo.
Mas então, porque não unir nossas dores? Essas são mais fáceis e mais palpáveis do que a conscientização. A dor do povo preto está aí, estampada há mais de 500 anos, em toda a diáspora e seja aqui nos Estados Unidos ou seja no Brasil, a carne mais barata do mercado ainda é a carne preta, o corpo mais vulnerável e a disposição ainda é o nosso, então talvez possamos partir daí.
Se unirmos nossas dores e aprendermos com as experiências um dos outros talvez possamos encontrar um caminho em comum a seguir que torne nossa jornada mais fácil e nossa vida na diáspora menos dolorosa.
Eu ainda não sei qual é esse caminho, nem acredito que haja uma receita, mas de todo meu coração, procuro ver essa união como uma ponta de esperança na luta contra o racismo.
O que tenho aprendido nesses poucos dias aqui é que não existe racismo pior nem melhor, o que existe é a necessidade de lutar contra esse mal que fere e mata, seja aqui ou seja lá.
Vamos lutar!

I started to write this post around one month ago, in the day that I received the new that George Zimmerman was considered innocent  of Trayvon Martin’s death. At that same day, I read another new about a black youth who was tortured for several hours in the state of Parana, because he was mistaken for a robber.
Both histories weren’t out of my head and they made me wonder how similar are our pain and our afflictions even considering our different realities.
At the same time the diasporic issues flowed in my life under different perspectives, because at the same time that I was finishing my Master course I was invited to speech at United Nations headquarter about racism and xenophobia in Brazil and Latino America, doing a comparison about how even in different places of the diaspora black people are still afflicted by these questions.
And at that moment to write about this sounded as the best subject.
For several reasons, the process to write didn’t happen, and things started to be hard, and with the preparation for the lecture and to moving, I just postponed the writing.
But this is a new time.
For all those who don’t know, at early august I just moved into Austin, Tx, where I’m starting my PHD in African and African Diaspora Studies, by University of Texas and when I arrived here I could start to observe the racial issues in this country, and with a foreign perception the necessity of this post upraised.
What made me think about this was because I realized how similar are our pain in the Diaspora, how we have been suffering to the same kind of aggression, but how different are our reaction to that.
In the past week, some Afro Brazilian young activists went to streets to protest against the massive murdered of black youth, through several violence forms, especially that committed by the State.
Last Saturday, here in the US thousands of people met in Washington DC, to celebrate the 50th anniversary of Dr. King I have a Dream speech and one of the main issues that was approached by the leaders during the event was Trayvon Martin’s death.
Two similar events unfortunately with so different realities, in Brazil, a country with 51% of black population, the marches got to put together only some hundred people. While in the US where the black population represents only 13% the march got around one hundred thousand people.
In a first moment, this can sounds as a simple question, meaning that in Brazil people aren’t committed with the cause or we can generalize and say that things here were in the past and still are totally different from there, however this issue is really deeper than this.
This is an intrinsically question that involves subjects as colonization in both countries, and what we call segregation in fact and in law and other subjects that deserve a deeper look in another post. 
In several ways, these differences in the way that our people awareness happens is what made possible that when I’m walking on streets here, I can observe a brotherhood feeling, that I never felt in Brazil, although there is more than 15 year that I have been an activist.
This brotherhood sense which makes people in the street say hello even they don’t know each other, to talk about the past news regarding the black population, which makes pastors talk about the struggle against racism when they are preaching and that makes the bus driver or the drugstore attendant talk about the Black Power Movement and Black Panther Party only because they are seeing my natural hair.
I don’t want to think that this brotherhood send is inexistent in Brazil, but I prefer to believe that it is still on construction, where we are trying first to discovery who we are and after we can unify who we are as individual to what we are as collective and that takes time.
However, why can’t we join our pain? These are easier to identify and more touchable than awareness. The black people pain is there, stamped in these past 500 years, in the whole Diaspora, no matter if is here in the US or in Brazil, the cheaper meat in the market is still the black meat, the most vulnerable and available body is still ours. So maybe we could start over there.
If we join our pain and learn with our experiences maybe we could find a common way to follow with could allow us to have an easier journey and maybe to help us to have less painful life in the Diaspora.
I still don’t know what is this way, and I also don’t believe that there is a receipt for it, but with all my heart, I look to see this union as a piece of hope in the fight against racism. 
What I have been learning in these few days here is that there isn’t worse or better racism, what there is the necessity to fight against this evil thing that hurt and kill us, no matter if is here or there.
Let us fight!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O fim de um ciclo / The end of a cycle

E esse post marca o final de mais um ciclo na minha vida. Finalmente na semana passada, após dois anos e meio consegui terminar o mestrado.
O dia 25 de junho fica marcado em minha vida como um dia de extrema emoção, ao ter meu trabalho avaliado por pessoas fundamentais para a luta contra o racismo no Brasil e ouvir frases como “eu aprendi muito com seu texto” e “esse trabalho conseguiu abordar coisas fundamentais para esse tema”.
Ouvir algo assim não envolve apenas a questão do ego, pois com esse temos que tomar muito cuidado, mas envolve também e principalmente a noção de que se está no caminho certo, que a luta tem sentido real.
Embora eu venha trabalhando esse tema há aproximadamente quatro anos, primeiro na especialização e depois no mestrado, esse era um tema que estava em minha mente muito antes disso, pois ainda na graduação, eu já desejava falar sobre o movimento hip-hop e concluir mais uma etapa me faz pensar sobre o que eu aprendi com meu trabalho.
Foi uma escrita altamente introspectiva, momentos de muitas lembranças e até mesmo de lágrimas e revi muitas coisas em minha vida.
Entendi que mais do que simplesmente pesquisar, eu me descrevi nesse trabalho, coloquei parte da minha alma ali.
Relembrei cada etapa do meu processo de conscientização, que aconteceu a partir do hip hop. Compreendi também, como cada uma das festas que participei foi importante para que minha identidade quanto negra se solidificasse.
Posso dizer que isso não foi apenas uma dissertação, foi praticamente uma autobiografia.
Agora chega o momento de um novo passo, não consigo visualizar o que mais essa pesquisa pode trazer, mas com certeza estou pronta para uma nova fase de aprendizado. 
Espero que vocês continuem me acompanhando na jornada
Que venha o doutorado!



And this post is a mark for the end of another cycle in my life. Last week after two years and a half years I finally finished my Master course.
June 25th is going to be highlighted on my life as an extremely emotional day, when I had my job evaluated by some fundamental people for the struggle against the racism in Brazil and to hear sentences as “I learned a lot with your text” and “this work got to approach fundamental things for this subject”.
To hear somehting like this doesn’t involve only an ego question, because I know we need to be careful with this, but also involves mainly the notion of that I’m in the right way and that this struggle has a real mean.
Although has been almost four years that I have been working this theme, first on my specialization course and after on my MA, this was a subject that was already on my mind a long time before it, because during undergrad I already wished to talk about hip hop movement and to conclude another stage makes me think about what I learned with my work.
It was a really introspective write, several memories and I was crying in some moments and I reviewed a lot of things on my life.
I understood that more than just research, I was describing myself on this work, I put part of my soul overthere.
I remembered each step of my conscious process, which have happened from hip hop. I also understood how each one of the parties that I took part was important to solidify my identity as a black woman.
I can say that this wasn’t only a thesis, but it was practically an auto biography.
Now is the moment for a new step and I can’t see what else this research can bring to me on my PHD, but I’m ready for a new learn phase.
I hope you all can keep beside me on this journey.
Welcome PHD!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Começando novamente / Starting again

E depois de um longo tempo consigo retomar minhas atividades.
Finalmente consegui entregar minha dissertação de mestrado. Foi um longo processo de escrita, extremamente introspectivo, cheio de reflexões e onde acabei colocando uma parte de mim no papel.
Tudo isso me deixou um pouco exausta e ainda não me sinto hábil para voltar a escrever aqui no blog, mas enquanto terminava a dissertação, acabei escrevendo uma rima que queria colocar no texto e no final achei que não seria viável, então partilho com vocês.

Obrigada Hip Hop!
Sentada na cama ouço uma canção
Que fala de problemas referentes a nação
Problemas que não me eram desconhecidos
Questões que me abalavam e mexiam muito comigo
Falava de pobreza na periferia
Falava de descaso com a grande maioria
Mencionava bairros que estavam ao meu redor
Becos e vielas que iam de mal a pior
Me vi refletida naquela descrição
Parecia que aquilo era sobre minha situação
Isso despertou minha curiosidade
Me fez perceber qual era a verdade
Verdade que abre os olhos do alienado
Que fazem manos e minas correrem lado a lado
Conforme encontrava cada um dos cinco elementos
Aumentava ainda mais minha sede de conhecimento
Me fez entender o que é ser negro por aqui
Que se eu queria a mudança eu teria que agir
Me ajudou a ver as armadilhas do sistema
Mostrou claramente o que estava por trás daquela cena
Que não resolvia nada sentar e chorar
Que essa descoberta era um motivo para lutar
E que nessa luta eu não estava sozinha
Que tinha muitos outros com uma visão parecida com a minha
Que era uma jornada de muitos heróis
Que há anos se levantavam contra o algoz
Heróis que lutavam para quebrar as correntes
E deixar livre o corpo, a alma e a mente
Me apresentou a líderes mundiais
Que haviam dado suas vidas pela paz
Falava da diáspora em outras nações
Que naqueles navios tinham muitos porões
Porões lotados de homens e histórias
Que era necessário resgatar sua memória
Isso norteou a minha caminhada
Entendi qual seria a minha jornada
Comecei a lutar por igualdade
Estudei, busquei, lutei para mudar minha realidade
Mas não posso esquecer o que ficou para trás
Nomes, fatos, memórias de tempos que não voltam mais
Vidas que se cruzaram nas ruas da cidade
Que juntos desenhavam um outro tipo de realidade
Todos motivados pela mesma dor
Unidos pelo som, pela paz, pela cor
Minha vida não seria a mesma sem o nosso encontro
Tudo mudou a partir daquele ponto
Que sem a sua ajuda eu não estaria aqui
Um muito obrigado por você existir
E por essas e outras é preciso agradecer
Dizer bem nos olhos hip hop devo tudo à você

And after a long time I can restart my activities.
I finally finished my Master’s thesis. It was a long write process, extremely introspective, full of reflections and where I put a big piece of me on the paper.
Everything made me really exhausted and I’m still not able to write in the blog again, but while I was finishing my thesis, I wrote a rhyme that I was trying to include on my text, but at the end I thought wouldn’t be viable, so I would like to share with you. Unfortunatelly I still don’t know how to translate it rhyming in English, but I think you can understand the sense.

Thank you Hip Hop!
Sitting on my bed I hear a song
Which talks about issues that refers to the nation
Issues that weren’t unknown
Questions that shook and were messing with me
It was talking about poverty in the ghetto
Talking about neglect the majority
It was mentioning neighborhoods around me
Alleys and lanes that were going from bad to worse
I saw my reflection on that description
It shows as if that were about my situation
This arouse my curiosity
And made me see the truth
A true which opens the alienated eyes
This makes brothers and sisters run side by side
As I was meeting each one of the five elements
It was increasing my thirst for knowledge
It makes me understand what is to be black here
If I wanted to change I would need to act
It helped me to see the system traps
Showed me clearly what was behind that scene
That wouldn’t work to sit and cry
 This discovery was a reason to fight
And on this struggle I wasn’t alone
There were many others with a vision similar to mine
It was a journey with so many heroes
Whom have been a long time arising against the tormentor
Heroes who were fighting to break the chains
And let free the body, the soul and the mind
It introduced me to world leaders
Who had given their lives for peace
It was talking about the diaspora in other nations
That on those ships there were several basements
Basements which were full of men and histories
And that were necessary to rescue their memories
This guided my walk
I understood what would be my journey
I started to fight for equality
I studied, I sought, I fought to change my reality
But I can’t forget which were left behind
Names, facts, memories from times that aren’t going to come back
Lives which were crossing in the city’ streets
Together drafting another kind of reality
Motivated by the same pain
United by the sound, by the peace, by the color
My life wouldn’t be the same without our meeting
Everything changed from that point
Without your help I wouldn’t be here
Thank you very much for your existence
And for these things and many others I need to be grateful
Look into your eyes and say hip hop I owe everything to you

sábado, 23 de março de 2013

Quem está nos ouvindo? Who is listening to us?

Na última quinta-feira 21 de março, algumas manchetes de jornais me chamaram a atenção. Enquanto o mundo comemorava o Dia Internacional da Luta contra a discriminação racial, aqui no Brasil uma menina de 12 anos foi espancada por outras garotas que não admitiam que uma menina negra tivesse entrado em sua vizinhança.
Enquanto lia essa e outras matérias que envolviam desde desfiles com perucas feitas com “Bombril”, até a escolha de uma pessoa racista e homofóbica para se tornar presidente da Comissão de Direitos Humanos na Câmara, comecei a pensar sobre as razões que nos motivam a lutar e sobre as conquistas que realmente tivemos desde que tantas pessoas foram massacradas em Shaperville, na África do Sul, na década de 1960.
Esse pensamento desencadeou uma série de outras conjecturas que já haviam povoado a minha mente.
Nos últimos tempos comecei a atualizar as leituras para a escrita da minha dissertação de mestrado e tive contato com dois livros que realmente me marcaram.
O primeiro livro Dialética Radical do Brasil negro, de Clóvis Moura, divide a população negra entre os negros da “elite” e os negros “plebeus”, onde os primeiros seriam aqueles que fazem parte de uma classe média negra militante que detém as informações na luta contra o racismo, mas que por mais que milite não consegue fazer suas ideias chegar a grande massa negra.
Ao mesmo tempo, comecei a ler o livro o Genocídio do negro brasileiro, de Abdias do Nascimento e fiquei realmente assustada, pois apesar do livro ter sido escrito há quase 40 anos atrás, toda as denúncias que o ativista faz ali, ainda não foram superadas, nossos motivos para lutar ainda são os mesmos.
A leitura desses livros me fizeram questionar:
Quem está nos ouvindo? Que diferença estamos fazendo? Qual a razão de tanta leitura, de tanta discussão entre “intelectuais” se tantos irmãos e irmãos continuam sofrendo, sendo assassinados e na maioria das vezes continuam sem conhecer as ferramentas usadas pelo sistema?
Como transpor essa barreira? Como sair do papo intelectualóide e fazer algo que realmente ajude a virar esse jogo?
No meu caso em particular eu vejo a pesquisa sobre a temática negra como uma maneira de aprender e desmascarar as ferramentas do sistema e me capacitar para que a minha voz se faça ouvir de alguma maneira e ecoe a voz de outras pessoas que passam pelas mesmas coisas, mas eu não quero deixar de me comunicar, com aqueles que estão ao meu redor.
Tenho medo de ficar fechada numa sala falando e ouvindo, discutindo teorias sem realmente fazer com que isso tenha algum tipo de efeito no dia a dia, não apenas no meu, mas também no dia a dia daqueles que como eu, andam de ônibus lotado, são discriminados nas entrevistas de emprego, são vítimas das piadas racistas e tantas outras coisas que nos afligem.
Acho que tenho medo de criar uma barreira tão grande que as pessoas não consigam mais ouvir a minha voz através dela!

Last Thursday March 21, some News on the newspapers got my attention. While the world was celebrating the International Day Against the Racial Discrimination, here in Brazil a 12 years old girl was bitten by other girls that didn’t want to accept a black girl entering on their neighborhood.
While I was Reading this and other articles that were talking about fashion shows with “steel sponge” (clearly a racist comparison with afro hair), and also about a racist and homophobic Congressman who was selected to be the president of the Human Rights Comission on the Congress, I started to think about the reasons that motivate us to fight and about the wins that we really had since the 1960s when so many people were murdered in Shaperville, South Africa.
This thought, promoted a series of other conjectures that had already were on my mind before.
On these past few times I started to update my readings to write my Masters’ thesis and I got two books that really impressed me.
The first book, Radical Dialetic of Black Brazil (Dialética Radical do Brasil negro) by Clovis Moura, share the Brazilian population in a “black elite” and “black plebeians”, which means that  the first group would be part of a black activist middle class who has information to fight against racism, but even they are fighting they can’t share these ideas with the huge black mass.
At the same time, I started to read the book, Brazil, Mixture Or Massacre?: Essays in the Genocide of a Black People (Genocídio do negro brasileiro) by Abdias do Nascimento and its scared me because even if the book was written 40 years ago, all the denounces that the activist does there, weren’t overpassed yet, our reasons to fight are still the same.
Reading these books I started to wonder:
Who is really listening to us? What kind of difference are we doing? What is the reason for so many readings, and so many discussions between “intellectuals” if so many brothers and sisters are still suffering, being murdered and most of time they still don’t know the tools used by the system?
How can we overcome this barrier? How can we leave the snob scholar dialogue and start do something that really helps change this game?
On my case specifically I see the black research as a way to learn and reveal the tools of the system and to capacitate myself to have my voice heard in some way and to be the echo for other people who are having the same experiences, but I don’t want to stop to communicate with those who are around me.
I’m afraid about to be close in a room talking and listening, discussing theories without do something really effective, not only on my daily life, but also on the daily life of those that like me are taking full buses, suffer discrimination on job interviews, are victims of racism jokes and so many other things that make us afflict.
I think I’m afraid about to create a so huge barrier around me that people can’t hear my voice through it!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Não vou aceitar / I won't accept

Olá a todos,
Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar pela falta de novos posts, com a escrita da dissertação de mestrado, mal tenho tempo para respirar e não quero escrever um texto só para  encher linguiça. Então prometo, que assim que as coisas ficarem mais fáceis eu posto.
Em segundo lugar, gostaria de me desculpar por remover alguns comentários postados aqui recentemente, mas eu não vou aceitar nenhum tipo de preconceito ou racismo a grupo algum, então postagens que eu julgue racista ou preconceituosa eu vou excluir.
Eu acredito em não fazer para o outro o que eu não gostaria que fizessem comigo, então não culpo toda uma população pelos erros de algum. Eu criei esse blog como uma ferramenta na luta contra o racismo e aceitar algo desse tipo seria no mínimo hipocrisia da minha parte.
Culpar todos os judeus pelo racismo dessa ou daquela emissora é inaceitável para mim e por isso exclui o comentário.
Peço a gentileza de não publicarem mais  esse tipo de coisa aqui no blog.
Abraços
Daniela

Hello you all,
First of all, I would like to apologize because I didn't write any new post on these past few days, I'm writing my thesis and I don't have time to breath and I don't want to write any bullshit, only to say that I'm writting something.As soon things become easier I'll write something good.
Second, I would like to apologize for remove some comments posted here recently. But I can't accept any kind of comment full of racism or prejudice, so If I see something like that here, I'm going to delete.
I believe that I shouldn't do to my neighbor things that I wouldn't like to suffer, so I can't blame a whole population for some people mistakes. I created this blog as a tool in the fight against racism and to accept something like that would be at least an hipocrisy.
To blame jewish people for the racism present on this or that TV station, in my opinion, is unacceptable and for this reason I removed the comment.
I would like to ask you please don't post this kind of thing here anymore.
Hugs
Daniela

domingo, 20 de janeiro de 2013

É tudo "brincadeira" / It is all a "joke"

Bom faz um tempo desde minha última postagem, com a correria do dia a dia acabo não escrevendo com a frequência que eu gostaria. Então aproveito esse post para em primeiro lugar desejar a todos vocês um 2013 abençoado.
Na última semana aconteceu um fato curioso aqui no Brasil, uma marca de cosméticos decidiu fazer uma campanha para seus produtos em uma feira específica para cabeleireiros e resolveu fazer uma “brincadeira” e divulgou as fotos dessa propaganda na internet.
Na foto, uma mulher branca, usava uma peruca black power e segurava um cartaz que dizia “eu preciso de Cadiveu”, sendo que Cadiveu é um produto alisante, o que explicitamente afirma a necessidade de negras alisarem seus cabelos.
Após a divulgação da foto, um protesto foi iniciado no facebook pelo site Meninas Black Power, onde a autora divulgou sua indignação e pediu a todas nós que usamos o cabelo natural para protestar contra a marca. O protesto cresceu e ao invés de se desculpar, a responsável pela marca publicou outras fotos de outras pessoas com a mesma peruca segurando a mesma frase e pediu que não nos incomodássemos com algo que era apenas uma brincadeira que já tinha acontecido no mundo inteiro.
Como não paramos com nosso protesto ela escreveu um “pedido de desculpas”, colocou uma outra foto de uma garota branca com uma peruca black e escreveu amamos black power e pediu que nós mandássemos sugestões “sensatas” do que ela poderia fazer para se redimir. Como se nossa reclamação por si só, não fosse sensata.
Quando nós deixamos os nossos comentários na foto, ela só respondeu aqueles que eram favoráveis a sua campanha.
Por fim, o assunto chegou a grande mídia e nossos protestos na internet continuam, mas por outro lado os comentários nas fotos continuam nos tratando como loucos e complexados que veem o racismo em tudo.
Nessa mesma semana li uma matéria publicada pela Seppir que afirmava que o Facebook é uma das redes sociais na internet que mais recebes denúncias de racismo e me lembrei  que pouco menos de um ano atrás eu selecionei mais de 30 imagens racistas que encontrei publicadas em páginas no FB como sendo apenas uma brincadeira.
Você pode estar se perguntando, porque eu estou contando essas histórias em uma introdução tão longa. Eu fiz isso, porque esses fatos me fizeram pensar em uma das principais características do racismo à brasileira: seu tom “engraçado”.
Em um país criado sob o mito da democracia racial, o racismo na maioria das vezes é algo extremamente difícil de ser identificado, principalmente quando ele acontece no que eu chamo de racismo “amigável”.
Eu sei que você pode estar pensando que eu endoidei de vez ao colocar a palavra amigável e racismo na mesma frase, considerando-se que o racismo causa danos tão terríveis que jamais poderia ser considerado como algo amigável. Mas o que eu chamo de racismo “amigável” é aquele que está implícito em ações que vem de quem a gente menos espera, em forma de brincadeira, de uma piada e que quando vamos contestar, somos tidos como loucos.
Essa é na minha opinião uma das maiores dificuldades do racismo no Brasil, pois ele veste seu manto “amigável” e nós acabamos nos perguntando: essa pessoa realmente falou isso?
Se para quem é brasileiro é difícil entender, imagine para quem vem de uma outra cultura onde o racismo geralmente tem uma forma mais clara, onde as cartas são postas na mesa?
Mas eu vou tentar usar alguns exemplos. Imagine que você está em um jogo de futebol com seus amigos, os mesmos que dividem a cervejinha do final de semana com você, no meio do jogo, você comete uma falta mais dura e no calor do momento seu “amigo” te chama de macaco, na mesma hora percebe a mancada que deu, olha pra você dá uma risada e diz: é brincadeira.
Ou você está tirando uma fotografia com seus “amigos” durante a noite e alguém se vira e diz que é preciso usar o flash da máquina, para que você que é o único negro possa aparecer.
Ou você usa seu cabelo alisado e sua “amiga” olha para você e diz tomara que não chova, ou então você vai ter que correr, ou no caso de você usar seu cabelo natural, perguntar se você quer um pente.
Você vai comer uma fruta e se escolher uma banana seus “amigos” riem da sua cara associando que você só poderia ter escolhido essa fruta.
Em cada uma dessas situações se você decide reclamar a pessoa certamente vai dizer ou pensar que você não tem senso de humor, pois tudo era apenas uma brincadeira.
Mas eu me pergunto, até que ponto uma pessoa dessa é realmente seu, ou meu amigo? Existe brincadeira em ferir, discriminar e ridicularizar o outro por causa de sua raça? Se fosse o contrário será que essa brincadeira teria alguma graça?
Embora pareça absurdo esse tipo de situação é mais frequente no Brasil do que se imagina e é por isso que eu faço questão de dizer nesse post que essa “brincadeira” não tem mais graça nenhuma.
O racismo deve ser visto como o que realmente é, uma ferramenta capaz de matar. Se alguém te apunhalar, tanto faz se a faca estava visível ou se estava disfarçada em forma de almofada cor de rosa, a morte aconteceu da mesma forma. O racismo é a mesma coisa, fatal seja ele explícito ou seja “apenas uma brincadeira”.
Já passou da hora de aceitarmos o racismo “amigável” do Brasil como sendo algo natural. Já passou da hora de permitirmos ser sempre o motivo da piada, o palhaço da festa, aquele que está ali para fazer os outros rirem.
Racismo não tem graça e pronto, Cabe a nós por um ponto final nessa palhaçada e não aceitarmos esse tipo de coisa seja virtualmente ou pessoalmente, venha ela de nossos “amigos” ou não.


Well, has a long time since I posted here, and because of a busy daily life I can’t write with the same often as I wish. So I would like to take this opportunity to in the first place wish you all a blessed 2013.
On the last week a curious thing happened here in Brazil, a cosmetic brand decided to create a campaign for its products in a fair specific for beauty shops and it decided to make “joke” releasing some pictures of this campaign on the internet.
In the Picture, a White woman was wearing an afro wig and holding a placar where was write “I need Cadiveu”, considering that Cadiveu is the name of a product to straight, which means explicitly that black women with afro hair need to straight their hair.
After this Picture was posted, a protest has started on facebook through the site “Meninas Black Power”, where the owner wrote about her indignation and asked that all of us who wear a natural hair to protest against the brand. The protest grow and instead to apologize for her mistake, the responsible for the brand Cadiveu decided to publish another pictures with  more people with the same wig and the same poster with the same sentence on that and asking us to don’t be bother about something that was just a joke and that have happened in the whole world.
We don’t stop with our protest, so she wrote an “apology note”, with another picture of a white girl with an afro and a sentence that said “we love black power” and asked us to send some “sensible” suggestion about how she could redeem herself. As if our protest wasn’t reasonable.
When we wrote our comments on the Picture, she just answered those who agreed with her campaign.
At least, this fact got some space on the traditional media and our protests on internet are still happening, but in the other hand the comments on the pictures are still treating us as crazy and complexed people who see racism everywhere.
On this same week I read an article publishe by the Ministery of the Racial Equality (Seppir) tha said that Facebook is the social network in Brazil that suffer more denounces for racism and Its reminded me that almost one year ago I selected more than 30 racist image that I found on FB pages as just a joke.
You are probably wondering why I’m telling you these histories in a long introduction. I wrote this, because these facts made me think about one of the main characteristics of the racism in Brazil: its “funny” tone.
In a country raised under the myth of the racial democracy, most of time is hard to identify the racism, especially when it happens in a way that I call as “friendly” racism.
I know that at this moment you are probably wondering if I lost my mind because I’m putting the words friendly and racism in the same sentence, considering that racism can cause so many damage that couldn’t be consider as something friendly. But what I named here as “friendly” racism is that one who is implicit in some actions that happen when we aren’t waiting, as a joke, and when we are going to contest, people says that we are crazy.
This is on my opinion one of the worst difficulties to identify racism in Brazil, because it dress its “friendly” mantle and we start to wonder: Does this person really said that?
If for those who are Brazilians is hard to understand, can you imagine for those who came from another culture where racism is usually clearer, where the cards are on the table?
But I’m going to try to give you some examples. Imagine that you are in an American football or in a soccer game with your friends, the same who share a beer with you in the end of the week, in the middle of the game you commit a hard foul and on that angry moment your “friend” say that you are a monkey (that in Brazil is the same of call you jigaboo for an African American), on the same moment he realizes how bad it was, look to you, laugh and say: it was a joke.
Or you are taking a picture with your “friends” during the night and someone says that is necessary to turn on the lights of the camera because you (who is the only black person) need to be visible on the picture.
Or you are a girl who straight your hair and a “friend” look to you and says that is better if not rain, or you will need to run, or in another case you are a girl who has a natural hair and your friend ask if you need a comb.
You are going to select a fruit and choose a banana and your “friends” laugh on your face, because they think you just could pick this fruit. (another association between monkeys and black people in Brazil)
Any of these situations if you decide to complain the person certainly will say or think that you don’t have a good sense of humor, because everything was a joke.
But this makes me wonder, is a person like this really your or my friend? What kind of joke can hurt, discriminate or mock another person because of the race? If were the opposite would this joke be so funny?
Even if this sounds as an absurd this kind of situation happens more often than you can think in Brazil and for this reason I make a point of saying that this “joke” isn’t funny.
Racism needs to be faced as it really is: a tool that can kill someone. If a person stabs you, doesn’t matter if the knife was visible or if it was disguised in a pink soft pad, the death happened in the same way. With racism is the same, it is fatal doesn’t matter if it was explicit or if was “just a joke”.
It is time to stop to accept that the Brazilian “friendly” racism as something natural. We can’t let us be always the reason of the joke, the clown on the party, the one who is there to make people laugh.
Racism isn’t funny! And we are those who need to stop with this comedy and don’t accept this anymore, no matter if it happens virtually or personally if were a “friend” of us or not.