sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Muito obrigada / Thank you very much

Enquanto eu penso em um novo post para o blog eu gostaria de agradecer a todos que tem passado por aqui ainda que para uma simples leitura. Gostaria de agradecer primeiramente aos 36 seguidores que tenho, que ainda que sejam poucos sei que são fiéis. E por último agradeço a todos os leitores ao redor do mundo, que eu não sei quem são, mas que o Blogger me permitiu ver seus países. Então vocês que estão na Rússia, Eslovênia, Ucrânia, Emirados Árabes, Bélgica, Canadá, Alemanha, Indonésia, França, Espanha, Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Portugal, Holanda e todos os outros que já passaram por aqui muito obrigada.
Gostaria de pedir  um favor aos que acessam: sempre que possível deixem um comentário, pois assim eu posso saber o que é interessante para vocês e continuar postando.
Juntos nós somos mais fortes.
Abraços a todos
Dani



While I'm still thinking about a new post for the blog I would like to say thank you to you all that are coming here even if for a simple read. Firstly, I would like to say thank you to the 36 followers that I have, even if they are few I know they are loyal. At least I would like to say thank you to all my readers around the world, I don't know who they are, but Blogger let me see their countries. So you who are in Russia, Slovenia, Ukraine, Arab Emirates, Belgium, Canada, Germany, Indonesia, France, Spain, Brazil, USA, UK, Portugal, Netherlands and all the others who have passed here thank you very much.
I would like to ask a favor for those who come here: Every time when you can let a comment here, because this will let me know what is interesting for you and I can keep posting.
We are stronger together
Hugs for you all
Dani

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Mentes Acorrentadas / Chained Minds

Primeiro post do ano e tenho passado muito tempo pensando sobre o que escrever.
Nos últimos dias tenho tido algumas conversas sobre o que faz com que alguns negros se deixem tratar com estereótipos racistas ou utilizem eles mesmos desses estereótipos para se definir.
Em uma conversa em família me lembrei de uma cena que vi em um ônibus de um menino que foi chamado de macaco várias vezes por uma “amiga” e em nenhum momento reagiu ou pediu que ela parasse de chama-lo dessa maneira. Fiquei tão aborrecida com a situação que não conseguia disfarçar meu desgosto.
Me lembrei também de algumas fotos postadas por uma colega no FB protestando contra alguns rapazes que se deixavam chamar “carinhosamente” por suas namoradas brancas de  monkey ou de Gorila eyes, como se esse fosse um tratamento comum e sem um significado maior.
Mas a decisão de realmente tratar desse tema se deu ao assistir um vídeo do cantor Alexandre Pires que tem circulado no youtube.
O vídeo traz homens negros vestidos de macaco, onde se destacam entre os fantasiados personalidades como o funkeiro Mr. Catra e o jogador Neymar.
A letra da canção que tem o nome explícito de Kong, não tem pé nem cabeça e reforça o estereótipo de homem viril atribuído aos homens negros. Mas ainda assim, não é a letra em si que me preocupa.
O que me faz refletir é o que há por trás de um homem negro que aceita se fantasiar de macaco e ser comparado ao King Kong.
Não é segredo para ninguém que ser chamado de macaco sempre foi um termo pejorativo para a população negra e ser comparado ao animal nada mais é do que ser subestimado como um ser que não é dotado de inteligência.
Também não é segredo que o sistema que nos subestima tenta incutir isso na nossa cabeça. O que é um mistério para mim é como uma pessoa pode aceitar esse tipo de ofensa e achar que é algo natural ou engraçado.
Que tipo de ser humano teve sua autoestima tão danificada ao ponto de se ver exatamente dessa maneira? De achar que o lugar que ocupa na sociedade é o mesmo destinado a um animal?
Esses três personagens do vídeo são figuras conhecidas na mídia, Neymar causou polêmica ao  se declarar branco em um veículo de comunicação, Mr. Catra vive da venda da sexualidade presente em suas músicas e me pergunto se sua personalidade extravagante não é a forma que tem para lidar com as frustrações de ter sido criado como filho adotivo em uma família com características tão diferentes da sua.
Já Alexandre Pires é mais do que conhecido por sua trajetória como pagodeiro e depois cantor romântico.
Então em se tratando de personalidades que já conquistaram certo destaque na mídia qual a necessidade de se humilhar para ser aceito seja na vida pessoal ou profissional e esquecer o sofrimento de toda uma população?
Se esse é o exemplo de alguém famoso, que se preza a se tornar um bobo da corte da sociedade e desempenhar um papel que confirma um estereótipo tão racista, o que se passa na cabeça dos anônimos?
O que faz uma pessoa como essa dar armas para o inimigo permitindo assim a manutenção do racismo?
Será que o sistema racista continua sendo tão eficaz que nem anos de terapia poderiam nos ajudar a superar tantos traumas e complexos?
O que será que devemos fazer para olhar no espelho e nos vermos como seres humanos dignos do respeito, não apenas do outro, mas principalmente de nós mesmos?
Questiono ainda, qual seria a melhor maneira para combater esse tipo de desserviço que atinge diretamente o nosso povo.
Talvez isso aconteça, pois embora os grilhões que nos faziam escravos tenham se quebrado, muitos de nós ainda vivem como se estivessem acorrentados. Em sua mente ainda prevalece o pensamento do escravo, daquele que não têm direitos e que é forçado pelas condições em que vive a abrir mão de sua humanidade.
Só assim posso encontrar razão para tamanha falta de autoestima e consciência do quão sério esse tipo de coisa é.



First post of the year and I have been spending a long time thinking about what to write.
In these past few days I have been having some dialogues about what can do some black people let be treat with racists stereotypes or use themselves those stereotypes as a definition.
A conversation with my family reminded me a scene that I saw inside a bus where a young man was called as “monkey” (in Portuguese to call a black person monkey means the same that say jigaboo for an afro American) several times by a “friend” and he never responded or asked her to stop with it. I was so upset that I couldn’t pretend my disgust.
It also reminded me some pictures posted by a colleague on FB protesting against some boys who let themselves be called “affectionately” by their White girlfriends as monkey or Gorilla Eyes, as if it was a common treatment with no meaning.
But the real decision of talk about this subject has happened when i watched a video of a singer named Alexandre Pires (who is famous in Brazil) that is on youtube.
The video brings some black men dressed as monkeys, and highlighted between those people are some personalities as the “carioca” funk singer, Mr. Catra, and the soccer player Neymar.
The lyric has the explicit name of Kong, it is no sense and reinforces the hyper sexual representation of black men. But even this still isn’t the lyric that worries me.
What makes me think is what is behind a black man who accepts to be dressed as a monkey and be compared to King Kong.
It isn’t a secret for anybody that to be called monkey always was an offensive expression to black people and to be compared to the animal is not more than be underestimated as a being that isn’t endowed with intelligence.
Also it isn’t a secret that the system that underestimated us try to instill it to our head. What it is a mystery for me is how a person can accept this kind of offense and see it as something natural or funny.
What kind of human being did have his self-esteem so damaged until the point that him, he self are seeing it in this way? What does make him think that the place that he is occupying on the society is the same that is destined to an animal?
These three characters on the video are familiar in the media, Neymar caused controversy when he declared himself white in a communication vehicle. Mr. Catra lives of the seal of the sexuality present on his songs and sometimes I ask to myself if his freak personality isn’t a way to deal with his frustrations of has been created as a foster child in a family with characteristics differents of himself.
Alexandre Pires himself is known by his trajectory as pagode singer and after as a romantic singer.
So if we are talking about personalities that have gained some prominence in the media, what is the necessity of humiliate themselves to be accept in either personal or professional lives and forget the suffering of a entire population?
If it is the example of someone who is famous, that let himself to act as a jester of the society and play a role that confirms a racist stereotype, what is happening in anonymous people’s mind?
What does make a person like this to give weapons to the enemy allowing the maintenance of the racism?
Is still the racism system so effective that even if years of therapy couldn’t  help us to surpass so many traumas and complexes?
What should we do to look in the mirror and see ourselves as Human Beings worthy of respect, not only respect from the other, but also and mainly from ourselves?
I still wonder what would be the best way to combat this kind of disservice that affects rightly our people.
Maybe this happens, because although the chains that were making us slaves have broken, many of us are still living as if they were chained. On their minds are still predominating the slave thought, from that who doesn’t have rights and is forced by the condition in which they live to give up of their humanity.
Only in this case I can find a reason for so less self-esteem and conscience about how serious is this kind of thing.