domingo, 25 de novembro de 2012

Um novembro para resgatar sonhos / A November to rescue dreams

Novembro chegou e acabou, todos que me conhecem sabem o quanto esse mês é importante para mim, o quanto não posso deixar que ele passe em branco, mesmo em meio a correria, mas esse ano trago um post diferente para celebrar o mês da Consciência Negra.
A militância está presente, mas em um mês onde tantas das minhas emoções foram tocadas, por diversas razões, não podia trazer um texto que não falasse de mim, de quem sou e de como cheguei onde estou.  Espero que gostem.
Em agosto de 1963, um jovem pastor batista norte-americano partilhou seu sonho com o mundo. Um sonho de luta contra o racismo e que desejava  justiça, igualdade, liberdade e respeito às diferenças para que todos pudessem viver em um mundo melhor.
O simples ato de sonhar custou a vida de Martin Luther King, pois seu sonho era grande demais para a mesquinhez do racismo a sua volta.
Mas nem o tiro que o matou, calou a voz do líder. Seu sonho ecoou, ganhou novas vozes, novos formatos, novas cores, novas versões, novas nacionalidades e em meados da década de 1990 encontrou em um ponto mais abaixo no atlântico o coração de uma menina, que tinha em comum a origem batista, uma ancestralidade desconhecida e milhões de dúvidas sobre o que causava o sofrimento de seu povo.
Através do hip hop as palavras do líder se fizeram conhecer ecoaram em seu coração e essa jovem menina passou então a adotar para si o ideal pacifista de luta pela liberdade do seu povo, pelo fim do racismo e da desigualdade vigente desde que seus ancestrais foram sequestrados no continente africano e trazidos como escravos para um novo mundo.
Conforme a garotinha crescia, o ideal crescia com ela e a luta contra o racismo e pela inclusão de seu povo tomou proporções inimagináveis, margeou suas escolhas, suas relações, seu dia a dia e de modo surpreendente a conectou com pessoas dos mais variados lugares.
Em 2008, quarenta anos após a morte do jovem pastor, a garotinha faz suas malas e parte em direção a um sonho, conhecer a terra daquele que a inspirava, ali andou pelas mesmas ruas que ele andava, entrou na casa que ele nasceu, comeu no restaurante onde se reuniu e chorou, chorou por tudo que aquilo significava para ela e pela maneira como de alguma forma isso a tornava mais próxima dele e de tantos outros que ali ainda ouviam ecoar o mesmo sonho que se pregava há mais de quarenta anos.
Quatro anos depois, a luta enfrenta cada vez mais barreiras, mas também alcança vitórias. Conectada com o mundo real e virtual a garotinha milita fazendo com que sua voz ecoe contando aquilo que é a realidade de seu povo para os povos irmãos ao redor do mundo e traduzindo as vozes de muitos para que a língua não se torne um obstáculo na luta.
Então nesse novembro a voz da garotinha ecoa uma outra voz, a voz de uma mulher que tinha apenas quatro anos quando seu pai foi assassinado, mas que ainda assim carrega no sangue e no nome as memórias de sua luta.
O sonho de seu pai era que ela pudesse viver em um mundo melhor do que aquele que ele conhecia que ela pudesse viver em um mundo livre do racismo e que encontrasse a igualdade sendo finalmente livre.
O sonho de Luther King ainda não se tornou realidade, mas na voz de sua filha Bernice esse sonho continua ecoando e motivando jovens negros a lutar por justiça e paz.
O encontro da garotinha com a filha de seu ídolo tocou seu coração e a emoção foi forte demais para que ela contivesse as lágrimas. Chorou em agradecimento àquele que sonhou, chorou por todos aqueles que sonharam juntos, por aqueles que ainda não viram o sonho concretizado e chorou também por aqueles que ainda não compreenderam o sonho, mas chorou também com a crença de que nesse novembro o sonho foi resgatado dentro de si e dentro de muitos.
Obrigada Dr. Martin Luther King Jr, Obrigada Dra. Bernice A. King por me lembrarem daquela garotinha e me ensinarem que às vezes é preciso voltar e resgatar o sonho!


Dra. Bernice King e eu durante o Trofeu Raça Negra 2012
Dr. Bernice King and I during the Raça Negra Awards 2012

November arrived and it’s over and all those who know me are conscious about the importance of this month to me, that even if I’m running I can’t let it go without to say anything, but this year I would like to bring a different post to celebrate this Brazilian Black Consciousness Month.
The activism is still here, but in a month where my emotions were touched in a deep way, for several reasons, I couldn’t bring an article that wouldn’t talk about me, about who I’m and about how I arrived at this moment. I hope you enjoy it.
In August, 1963 a young American Baptist pastor shared his dream with the world. It was a dream of struggle against the racism and it wished to find justice, equality, freedom and respect to the diversity to help everybody lives in a better world.
A simple dream took the life of Dr. Martin Luther King Jr. because his dream was too big for the stinginess of the racism around him.
But even the shot that killed him could stop the leader voice. His dream echoed, got new voices, new formats, new colors, new versions, new nationalities and in the middle of 1990’s it found in another point down in the Atlantic the heart of a little girl who had in common with him the Baptist origin, an unknown ancestry and millions of doubts about the reasons of her people suffering.
Through hip hop the words of the leader became known to her, they echoed on her heart and this little girl started to adopt herself the pacifist idea of fight for freedom for their people, for the fight against the racism and against the inequality that have been happen since their ancestors were kidnapped in the African continent and brought as slaves to a new world.
As the little girl was growing up, the ideal was also growing and her struggle against the racism and for the inclusion of her people got unthinkable proportions, it guided her choices, her relationships, her daily life and in an amazing way connected her with people in different places in the world.
In 2008, forty years after the death of the young pastor, the little girl packed and went rightly on her dreams direction: to know the land of that who was her inspiration, once she was there, she walked on the same streets that he used to walk, he entered on the same house where he was born, she ate at the restaurant where he used to meet and she cried, she cried for everything that mean to her and for the way how in a symbolic way it could make her closer not only to him, but to all the others who heard  the same dream that have been preached in these past forty years echoed.
Four years later, the struggle faces each day more barriers, but it also got some victories. Connected with the real and the virtual world the little girl fights making her own voice echoed talking about the reality of her people for brothers and sisters around the world and also translating several voices to don’t let the language be an obstacle in this struggle.
So on this November the voice of the little girl echoed another voice, the voice of a woman that was only four years old when her dad was killed, but that still carries on her body the name and memories of his struggle.
Her dad dream wished that she could live in a world better than the one that he used to know and that she could live in a world free of racism and that she could find the equality being finally free.
Dr. King’s dream isn’t a reality yet, but through his daughter Bernice voice this dream is still echoing and motivating black youth to fight for justice and peace.
The meeting of the little girl with the daughter of her idol has touched her heart and the emotion was too big and she couldn’t stop the tears. She cried grateful to the man who had the dream, she cried for all those who dreamed together, and for those who didn’t understand the dream yet, but she also cried for those who believe that on this November the dream was rescued inside them and many others.
Thank you Dr. Martin Luther King Jr., Thank you Dra. Bernice A. King for remind me about that little girl and thank you for teach me that sometimes we need to back and rescue the dream!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

artigo científico / scientific article

Eu sei que estou devendo um novo post, mas enquanto não escrevo algo novo gostaria de partilhar uma conquista.
Após anos de escrita jornalística tenho pela primeira vez um artigo científico publicado em uma revista acadêmica segue o link para o texto Vozes Afro Latinas - A omissão da esquerda e a insurgência do movimento negro. Publicado na Revista Pragmatizes de setembro


 


I know I owe you a new post, but while I don't write something new I would like to share a win.
After some years writing as a journalist for the first time I have a scientific article published in a scholar magazine. here is the link for the text Afro-latin voices - the omission of the left and the insurgency of the black movement. published in the september edition of Pragmatizes magazine
http://www.pragmatizes.uff.br/site/edicoes/2012_09/Pragmatizes_Edicao_3_Daniela_Fernanda_Gomes_da_Silva.pdf

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O medo do pensamento preto / The fear of the black thought

Há alguns dias eu venho pensando sobre o que escrever, a correria do dia-a-dia me deixa um tanto quanto relapsa. Diversas atividades acadêmicas e profissionais também me deixaram um pouco cansada e cérebro cansado não escreve um bom post.
Dentre essas atividades pude participar do Copene – Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as negros/as, que de diversas maneiras foi um evento surpreendente.
O que me surpreendeu primeiramente foi a quantidade de homens e mulheres negras naquele lugar desenvolvendo especificamente o pensamento preto, pois o congresso era para pesquisadores que trabalham com a questão racial.
Conheci diversas pessoas de diferentes idades, reencontrei velhos amigos e fiz muitos novos amigos e pude em poucos dias ganhar novas energias na luta contra o racismo, saindo de lá com a certeza de que esta luta que muitas vezes parece solitária tem na verdade muitos braços que podem se unir.
De volta para casa e ainda em contato com essas pessoas comecei a pensar em escrever sobre o pensamento preto, essa força que contra todas as perspectivas surgiu há alguns anos nas universidades brasileiras: negros que deixam de ser objeto de estudo de intelectuais e passam a pesquisar e falar, com muito mais propriedade, sobre aquilo que vivem.
Ainda que a história brasileira conte com muitos personagens negros que eram intelectuais, por muitos anos desde a criação da universidade brasileira, o papel que cabia ao negro era o de objeto de estudo.
Para completar a formação do pensamento de hoje, duas matérias em jornais de grande circulação do país com títulos tendenciosos despertaram a minha atenção.
Enquanto o jornal O Globo trazia como chamada do seu caderno opinião a matéria “Racialismo contamina de vez universidade pública”, o jornal O Estado de São Paulo trazia a matéria “Lei das Cotas já afetará o vestibular deste ano” ambas com críticas a decisão do senado brasileiro em determinar reserva de 50% das vagas das universidades federais para alunos de escolas públicas e dentro dessa porcentagem um recorte para alunos negros, indígenas e carentes.
Comecei mais uma vez a me perguntar porque essa decisão (que é um reflexo da decisão da Suprema Corte que determinou a constitucionalidade das cotas), incomoda de maneira tão significativa tanto a mídia brasileira quanto as elites que ela representa?
Entendi então que na verdade o que toma conta desse país é o medo do pensamento preto, medo de que a consciência que se apoderou das centenas de pesquisadores que estavam no Copene e de tantos outros que não puderam estar, tome conta das escolas, dos hospitais, da própria mídia, dos escritórios de engenharia e tantas outras profissões onde até hoje a presença negra era mínima.
Como manipular uma massa pensante que pode debater em pé de igualdade? O que se pode esperar se a população negra com seus diplomas de direito passar a ocupar o outro lado do banco dos réus?
O medo do pensamento preto é tão grande que eles começam o boicote no jardim de infância, onde não há investimento em creches de qualidade. Com o passar dos anos, o déficit escolar só aumenta, em salas de aula lotadas, professores mal pagos subestimam o potencial dos alunos negros, que acabam por receber o mínimo incentivo possível e deixam os estudos de lado totalmente desmotivados.
Então quando eles pensam que venceram, surge uma multidão de negros que não sucumbiu, que contrariou as estatísticas e está firme e forte levantando a cada novo golpe e incentivando as novas gerações a fazer o mesmo.
Cada novo diploma é uma prova de que o plano não foi tão bem sucedido quanto se pensava então criam-se novas estratégias para impedir que o pensamento preto se propague.
Dentre essas estratégias está a inversão do jogo, colocar os pensadores pretos como vilões da história e utilizar os meios de comunicação para manipular a opinião pública e dizer que cotas são uma forma de menosprezar o povo negro, o que faz muitos se colocarem contra esse direito.
Em um país com aproximadamente 100 milhões de negros segundo dados oficiais do governo brasileiro (o que representa 51% do total da população) como é possível que apenas 2 milhões de negros estejam no ensino superior e que destes pouco mais de 500 mil estudem em uma universidade pública? E além disso, como é possível que tentar reverter esse quadro possa ser um ato de menosprezo contra a população negra? Menosprezo é subestimar nossa inteligência.
Como pode a maior universidade pública do país, contar com apenas 77 jovens negros em cursos considerados de ponta nos últimos cinco anos ainda que esta afirme ter um sistema de inclusão social?
Mesmo com as ações afirmativas que já fazem parte da realidade do país há quase dez anos e que cerca de 100 universidades já tenham adotado o sistema, o número de jovens negros que adentraram as universidades através das cotas ainda está na casa dos 20 mil. Por que será que não há mais jovens para fazer uso da política?
Se o número de alunos é baixo, o de professores negros no ensino superior então é irrisório, menos de 1%. Como se pretende criar um ambiente acadêmico diverso no Brasil dessa maneira?
Por dados como esses é que se faz necessário continuar a luta, exigir reparações, não se intimidar e continuar espalhando o pensamento preto, fazer com que este cresça como uma onda que irá conscientizar a cada cidadão negro desse país, para que assim de modo consciente nós possamos em pé de igualdade exigir que nosso reflexo seja visto também no ambiente universitário.
É preciso não se assustar e deixar que o pensamento preto faça BUUUUH, na cara daqueles que o evitam.



There are some days I’ve been thinking about what to write, the busy daily life let me a little bit relapse. Different academic and professional activities let me a little bit tired and a brain tired can’t write a good post.
Among these activities I could participate in the Black Scholar Congress, which in different manners was surprising event.
What the first surprised me was the quantity of black men and women on that place developing specifically the black thought, because the Congress was for scholars who work with racial issues.
I have known people from several ages, I have met some old friends and I could do some new friends and I also could in few days to recharge my batteries in the fight against the racism, leaving that event sure that this struggle that can may seem lonely actually has a lot of arms that can be tight.
Back to home and still in contact with these people I started to think why not to write about the black thought, this power that against all perspectives emerged some years ago in Brazilian universities: black people who aren’t more intellectual studies object and start to research and talk about their experience with much more property.
Even if the Brazilian history had several black characters who were intellectual, for a long time since the creation of Brazilian higher education, the role for black people were an object of study.
Finishing the creation of this today thought, two articles published in big newspapers in my country, with tendentious titles attracted my attention.
If in one hand the Globo newspaper brought as a headline on it opinion section the article “Racialism definitely contaminates public university”, the Estado de São Paulo brought the article “Quotas law will affect tests this year” both with critics to the Brazilian Senate decision in separate 50% of the vacancies in federal universities to students who come from public schools and inside this percentage a cut to black, indigenous and poor student.
I started to wonder with myself again why  can this decision (that reflect the decision of the Supreme Court which considered that quotas were constitutional),  bother in a so meaningful way both the Brazilian media and the elite that it represents?
I understood that what really happens in this country is that the fear of the black thought is everywhere, fear that the conscious that took thousands scholars in that Congress and so much more who weren’t there, can invade schools, hospitals, the media itself, engineer offices and so many other professions where until nowadays the black presence was minimal.
How can they manipulate a thinking mass that can have a debate with equal arguments? What can they expect if the black population with their law degrees start to be in the other side the dock?
The black thought fear is so intense that they start to boycott black people on the kind garden, where there isn’t founds for good daycares. Over the years, the school deficit increase, in full classes with underpaid teachers who underestimate black students potential, students who receive less incentive and dropout their studies totally unmotivated.
So when they think that they won, a black crowd arises, people who didn’t succumb, and against statistics are stronger rising with each new blow and motivating the new generations to do the same.
Each new degree is a proof of that their plan wasn’t so well successful as they used to think so they start to create new strategies to don’t let the black thought spread.
Among these strategies is the inverse game, to put black scholars are villains in this history and use communication vehicles to manipulate the public opinion and say that quotas are a way to underestimate black people, what makes a lot of black people be positioned against it.
In a country with approximately 100 million black people according with official data bases from Brazilian government (what represents 51% of the whole population), how is it possible that only 2 million black people are in the higher education and among these less them 500 thousand students are in public universities? (In Brazilian education system public universities are better than private and to study in a public university open better doors in the job market) And although this how can an attempt to revert this situation been an act of contempt against the black population? Contempt is to underestimate our intelligence.
How can the better public university in the country (University of São Paulo) receive only 77 black students in high level courses in the last 5 years, even if it affirms has a social inclusion system?
Although Affirmative Actions has been a reality in Brazil in the last 10 years and around 100 universities have adopted the system, the number of black students who entered through the system is still around 20 thousand. Why there aren’t more youth using this policy?
And if we have a lower number of students, when we talk about black Professors on high education it is derisive, less than 1%. How can they intent to create a diverse academic environment in Brazil with this?
For dates like these become a need to keep fighting, to require reparations, don’t be intimidated and keep spreading the black thought, to make it grow as a wave that is going to make conscious each citizen in this country, so that in a conscious way we will can to in an equal way we can ask that our reflect can be seeing also in the university environment.
It is necessary don’t be afraid and let the black thought do BOO, on the face of those who avoid it.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Obrigada / Thank you

Acabo de descobrir que meu post sobre a Síndrome de Cirilo foi reproduzido em diversos sites e blogs no mundo todo. Muito obrigada Senhor pois ainda que eu não saiba meu trabalho vem sendo reconhecido e obrigada a todos que acessam o blog, comentam e me ajudam a divulgar.
Prometo que ainda esse mês publico um novo texto por aqui.

I just discovered that my post about the Cirilo' Syndrome was reproduced in many blogs and sites around the world. Thank you Lord because even if I don't know my work has been acknowledge and thank you all who access and comment it and help me to spread.
I promissed you that this month I'm going to publish a new post here.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Síndrome de Cirilo / Cirilo’s Syndrome

Há alguns dias o SBT começou a transmitir uma nova versão da novela Carrossel, uma novelinha mexicana que fez muito sucesso quando eu era criança e que tem entre uma de suas principais atrações a paixão de um garotinho negro por uma garotinha branca e o desprezo da mesma por sua condição social e por sua raça.
Na trama original Cirilo sofre todo o tipo de humilhação enquanto tenta desesperadamente chamar a atenção de Maria Joaquina  e  a mesma responde com agressividade a até mesmo violência fazendo do garoto mais uma vítima do famoso bullying.
Fiquei muito triste ao ler uma matéria onde a autora (que por sinal é esposa do dono da emissora) que fez esta versão brasileira da novela, dizer que iria manter todas as cenas de racismo, pois queria ser fiel ao original e porque acreditava que essa seria uma forma de mostrar um problema real no Brasil.
Na mesma hora me perguntei como a humilhação de um garoto negro em horário nobre na televisão, sem que haja nenhum tipo de reação por parte do mesmo poderia ajudar no combate ao racismo?
Mais triste fiquei ainda em ver meus pequenos sobrinhos assistindo a novela, mas como não há nada que eu pudesse fazer, para que meus gritos de protesto fossem ouvidos, comecei a pensar no assunto.
Pensei em quando assisti a primeira versão da novela o quanto sofria com as injustiças cometidas pela menina e com o sofrimento de Cirilo.
Pensei na alegria que sentimos quando Cirilo ganhou um carro motorizado preto como ele em uma rifa e disputou uma corrida com o menino considerado lindo na história, que era rico e tinha um carro motorizado branco como ele. (Na história Maria Joaquina era apaixonada pelo menino branco e fazia questão de mostrar a Cirilo como ela e o outro menino eram iguais e portanto superiores a Cirilo) Era como se todos nós estivéssemos ganhando também.
Pensei em todos os meninos negros que receberam o apelido de Cirilo em suas escolas durante a época da novela.
E comecei a pensar se isso não ajudou a desenvolver nos meninos de minha geração (hoje homens na faixa dos 30 anos), a síndrome de Cirilo.
O que trato aqui como Síndrome de Cirilo, é a necessidade que alguns meninos têm de aceitar ser tratado com inferioridade quando esse tipo de tratamento parte de uma mulher branca.
Jamais vou julgar relacionamentos interpessoais, afinal eu não mando no coração das pessoas, mas já vi muitos homens negros serem humilhados e aceitarem essa humilhação com resignação apenas por desejarem ter uma mulher branca ao seu lado.
Me questiono se o comportamento exibido por essa novelinha “inocente”, não pode ter ajudado a formar a mente resignada de muitos homens negros, que aceitam ser chamados de macaco por suas namoradas como se esse fosse um apelidinho carinhoso.
Me pergunto se em nossa sociedade onde o mito da democracia racial continua operando sua lavagem cerebral tão bem sucedida, onde o maior problema do negro é sua própria identidade mal formada ou falta de identidade, não é um desserviço criar mais uma geração vítimas dessa síndrome que só gera baixa autoestima.
Infelizmente para hoje não tenho respostas só perguntas, mas gostaria muito que o movimento negro se movimentasse para exigir que essa senhora que está adaptando a novela a realidade brasileira, ao menos crie um final onde haja algum tipo de reflexão e  mostre o horror do racismo em nossa sociedade.


There are few days the SBT (a Brazilian TV Channel) started to show a new version of the mexican soap opera Carrossel, that was a success when I was a kid and had as one of its main attraction the passion of a black little boy for a white little girl and her despise because of his social situation and his race.
In the original story Cirilo suffer with all kinds of humiliation while he desperately tries to get Maria Joaquina attention and she answer in an aggressive way including violence making the boy suffer bullying.
I became really sad when I read an article where the writer  (who is married with the owner of the TV channel) of the new version of the soap opera, said that she would keep all the racism’ scenes, because she would like to be faithful to the original version and because she believed it would help to show a real problem in Brazil.
At the same moment I wondered how to show a little black boy humiliation on TV in the prime Time without show any kind of reaction from him can help to combat racism?
I became sadder when I saw that my lil nephew and niece were watching the soap opera, but because I couldn’t do anything to make my protests about this listenable, I started to wonder about the subject.
I thought about the time when I watch the first version of the soap opera and how I suffered with the injustice committed by the girl and with Cirilo’s suffering.
I thought about how happy we felt when Cirilo won a motorized car, black like him, in a lottery and had a race with a boy considered handsome in the history, who was  rich and had a motorized car white like him. (In the story Maria Joaquina was in love with the white boy and insisted in to show to Cirilo how she and the other boy were equal and superior to Cirilo). It was as if we were had won with him.
I thought about all the boys that received the nickname Cirilo on their schools during that time.
And I started to wonder if it didn’t help to develop on the boys of my generation (nowadays men who has 30 years old approximately), the Cirilo’ Syndrome. 
What I call here Cirilo’ Syndrome, is the necessity that some men have in accept be treated in an inferior way when this kind of treatment comes from a white woman.
I never will judge personal relationships, because I don’t control people’s heart, but I have seen many black men being humiliated and accept this humiliation resigned only because they wish have a white woman on their sides.
I ask to myself if the behavior showed on this “innocent” soap opera, couldn’t help to create the resigned mind of many black men, who accept be called monkey by their girlfriends as if it was a lovely nickname.
I wonder if in our society where the myth of the racial democracy keeps doing its well successful brain wash, where the black main problem is he/she own identity bad formed, or lack of identity, wouldn’t be a disservice to create another generation of victims of this syndrome that only can create low self-esteem.
Unfortunatelly I don’t have answers now, only questions, but I really would love if the black movement could start to protest to ask for this lady who is adapting the soap opera to Brazilian reality, to create an end that would have any kind of reflection and would show the horror of the racism in our society.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

As vitórias podem ser pequenas, mas ainda assim são saborosas! / The victories may be small, but they are still taste!

Esse post vai ser pequeno, o tempo é curto e já é madrugada no Brasil, mas não podia deixar esse post para um outro dia.
Por que pequenas vitórias apesar de pequenas são saborosas? Porque a batalha que as antecede foi longa, uma jornada de anos e que ceifou a vida de muitos que participaram da luta.
Dois anos atrás eu pisei pela primeira vez no Supremo Tribunal Federal, em um momento de grande emoção, em que pela primeira vez a temática racial chegava a Suprema Corte brasileira, em uma audiência pública, para ouvir grupos contrários e favoráveis as ações afirmativas no país.
Ouvir as falas dos participantes foi emocionante  e naquele momento me senti fazendo a história do meu país, assim como ídolos que tanto me inspiraram.
Hoje, as vozes que se fizeram ouvir não apenas naquela audiência, mas também durante os séculos de escravidão e opressão, se fizeram ouvir novamente, quando a mesma Suprema Corte decide por unanimidade que as ações afirmativas no Brasil são constitucionais e podem continuar existindo.
Um sorriso no meu rosto, lágrimas nos meus olhos e preces de agradecimento nos meus lábios, por pensar que meus filhos terão mais oportunidades do que muitos dos que eu conheço tiveram, por saber que talvez eles não sejam mais os únicos em uma sala como eu fui, enfim são tantas esperanças que passam a existir, que se mostra como um grande reforço, pois só penso que a luta vale a pena.
Como diria Martin Luther King sonho em um dia poder cantar "Livres enfim, livres enfim, graças a Deus todo poderoso somos livres enfim".
Mas por hoje agradeço a Deus por essa vitória e trago a passagem de 2 Crônicas 7.14 "E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra."



This post is going to be small, the time is short and it's down in Brazil, but could not leave this post for another day.
Why small victories even they are small they are tasty? Because the battle that have happened before that was long, a journey of years and it cost the lives of many who participated in the struggle.
Two years ago I first stepped on the Supreme Court, in a moment of great emotion, because for the first time the racial issue came to the Brazilian Supreme Court in a public hearing to listen to groups that oppose affirmative action and favorable in the country.
Listening to the speeches of the participants was exciting and I felt at that moment I was making the history of my country, like the idols that inspired me so much.
Today, the voices that were heard not only in that audience, but also during the centuries of slavery and oppression, were heard again, when the same Supreme Court decided unanimously that affirmative action in Brazil are constitutional and can continue to exist.
A smile on my face, tears in my eyes and prayers of thanks on my lips, because I think my children will have more opportunities than many I know have had, knowing that perhaps they are no longer the only ones in a room as I  was finally there are so many expectations that now exist, which shows itself as a great enhancement, because just think that the fight is worth it
As Dr. King said I dream with the day where I can sing "Free at least, free at least, thank God almight we are free at least ".
But for today I'm thankful to God for this win and I bring here the text of 2 Chronicles 7.14 "if my people, who are called by my name, will humble themselves and pray and seek my face and turn from their wicked ways, then I will hear from heaven, and I will forgive their sin and will heal their land."

terça-feira, 20 de março de 2012

Quase negra, quase branca não serve para mim. O que eu sou? EU SOU MULHER NEGRA! / Almost black, almost white doesn’t work to me. What Am I? I’M A BLACK WOMAN

No dia internacional da luta contra a discriminação racial minha missão para esse mês é escrever um post que diga como é ser uma negra de pele clara no Brasil.
É engraçado para mim usar essa expressão, pois há tanto tempo me assumi como mulher negra, que na maioria das vezes não me posiciono como uma negra de pele clara, sou mulher negra e pronto.
Acho que o primeiro ponto para se entender a complexidade desse tema é se lembrar como funciona o pensamento racial no Brasil, onde quanto mais claro nós somos, mais brancos nos tornamos, podendo inclusive vestir a fantasia da branquitude.
Muitos de nós e, esse foi o meu caso, cresceram ouvindo que deveríamos limpar a nossa raça, de que se escolhêssemos parceiros brancos nossos descendentes não seriam mais negros. (O Brasil é um dos poucos países onde isso é realmente possível).
Esse não é um pensamento simples, na verdade é um conceito acadêmico muito complexo criado na segunda metade do século19 por nomes como Silvio Romero e que foi responsável por fatos importantes na história do Brasil, como o incentivo a colonização europeia, por exemplo.
Então quando paro para pensar na posição de ser “quase negra” ou uma negra de pele clara, vejo que a primeira vista esse poderia ser um lugar de conforto, um lugar de escolha, mas pelo menos no meu caso não o é.
Eu só descobri que minha ancestralidade fazia de mim uma mulher negra quando tinha 12 anos, até então sabia que meus tios e tias eram negros e que tinha avós negros e até mesmo irmãos negros, mas por ter pais que também tem pele clara, não me via como uma pessoa negra.
Porém, ao contrário do que muitos possam pensar, esse para mim nunca foi um lugar confortável, pois ainda que eu não soubesse que minha negritude era a verdadeira razão, fui vítima de inúmeras situações de racismo, onde era discriminada e ridicularizada, por causa do meu cabelo, do meu nariz, da minha boca, enfim, pelo que hoje eu reconheço como traços visíveis que denunciam minha negritude ainda que a cor da minha pele não o faça.
Muitas das pessoas que hoje olham para mim e dizem não entender o por que de eu querer ser negra, no passado me diziam, que eu tinha o pé na senzala, em um claro reconhecimento de minha negritude.
Então no meu caso, ter a pele clara sempre foi um lugar de opressão e a descoberta de minha negritude me fez sentir livre e me deu armas para lutar contra o racismo que eu já sofria e não entendia a razão.
Em um segundo momento esse pode parecer um lugar de alienação. Embora esse não seja o meu caso, infelizmente o é para muitos dos brasileiros. Ainda que a pele não seja tão clara, a teoria do embranquecimento faz com que muitos brasileiros  miscigenados não se deem conta de sua negritude, eles sofrem com o racismo sem saber o porque apanham e ainda que percebam sinais de ancestralidade negra façam questão de negar, pois é mais fácil ser branco.
Dessa maneira a cada dias mais a sociedade como um todo cria estratégias para aproximar as pessoas de um padrão branco de beleza.
Valorizam-se termos como mulata, morena, ou qualquer outra definição que os afaste da negritude e os aproximem de um estado quase branco, afinal aquilo que eu ignoro supostamente não me faz sofrer.
Uma receita para a mudança eu não tenho, mas acredito que ajudar as pessoas a se conscientizar ainda é o melhor remédio, funcionou comigo e com outros e é por essa razão que continuo lutando.


On the International day for the elimination of racial discrimination my month’s mission is to write a post that tells how is be a lighter person in Brazil.
It’s really funny to me to use this expression, because there is so many time since I assumed myself as a black woman, that most of time I don’t stand myself as a lighter black woman, I’m a black woman and just it.
I think that the first point to understand the complexity of this subject is to remember how the racial thought works in Brazil, where how lighter we are, more white we become, and we can till dress whiteness’ costume.
Many of us, including myself, grew up listening that we should clean our race, that if we chose white partners our descendants wouldn’t be black anymore (Brazil is one of the few countries where this is really possible).
This isn’t a simple thought, actually is a really complex scholar concept created in the second half of the 19th century by names as Silvio Romero and that was responsible for important facts in Brazilian history, as the stimulus of the European colonization, for example.
So when I think about the position of be an “almost black” or a lighter black woman, I see that in a first sight in Brazil it could be a comfortable place, or an optional place, but at least it isn’t in my case.
I just realize that my ancestry made me a black woman when I was 12, till that moment I knew that my uncles and aunts were black and that I had black grandparents, and even black siblings but because my parents also have a lighter skin, I didn’t see myself as a black person.
However in the opposite of some people can think, this have never been for me a comfortable place, because even if I didn’t have any idea that my blackness was the real reason, I was a victim of numerous racist situations, where I was discriminated and victim of bullying, because of my hair, or my nose, or my mouth, it means, because of nowadays I recognize as visible features that make a denounce of my blackness even if the color of my skin doesn’t do it.
Many people that nowadays look to me and say that they don’t understand why I want to be black, in the past used to look to me and that I had the foot at the slave house (a Brazilian expression that means that you have a black person hide on your family), in a clear acknowledgement of my blackness. 
So in my case, have a lighter skin always was an oppressive place and to discovery my blackness made me feel free and gave me weapons to fight against the racism that I have already suffered and didn’t understand the reason.
In a second moment, this can look like a place of alienation. Even if isn’t my case, unfortunately it is to most of Brazilians. Even the skin isn’t so lighter, the whiteness theory make a lot of mixed Brazilians don’t realize their blackness, they suffer with the racism without to know why they are receiving the punishment and when they realize some signals of their black ancestry they need to deny, because is easier to be white.
In this way each day more the whole society are creating strategies to let people closest to a white beauty model.
People give value for expressions like mulatto or brown (Moreno), or any other definition that stay them away from their blackness and make them close of an almost white model.
I don’t have a recipe for the change, but I believe that to help people to create a conscious is still the best medicine; it worked with me and with others and this is the reason why I keep fighting.  

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Muito obrigada / Thank you very much

Enquanto eu penso em um novo post para o blog eu gostaria de agradecer a todos que tem passado por aqui ainda que para uma simples leitura. Gostaria de agradecer primeiramente aos 36 seguidores que tenho, que ainda que sejam poucos sei que são fiéis. E por último agradeço a todos os leitores ao redor do mundo, que eu não sei quem são, mas que o Blogger me permitiu ver seus países. Então vocês que estão na Rússia, Eslovênia, Ucrânia, Emirados Árabes, Bélgica, Canadá, Alemanha, Indonésia, França, Espanha, Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Portugal, Holanda e todos os outros que já passaram por aqui muito obrigada.
Gostaria de pedir  um favor aos que acessam: sempre que possível deixem um comentário, pois assim eu posso saber o que é interessante para vocês e continuar postando.
Juntos nós somos mais fortes.
Abraços a todos
Dani



While I'm still thinking about a new post for the blog I would like to say thank you to you all that are coming here even if for a simple read. Firstly, I would like to say thank you to the 36 followers that I have, even if they are few I know they are loyal. At least I would like to say thank you to all my readers around the world, I don't know who they are, but Blogger let me see their countries. So you who are in Russia, Slovenia, Ukraine, Arab Emirates, Belgium, Canada, Germany, Indonesia, France, Spain, Brazil, USA, UK, Portugal, Netherlands and all the others who have passed here thank you very much.
I would like to ask a favor for those who come here: Every time when you can let a comment here, because this will let me know what is interesting for you and I can keep posting.
We are stronger together
Hugs for you all
Dani

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Mentes Acorrentadas / Chained Minds

Primeiro post do ano e tenho passado muito tempo pensando sobre o que escrever.
Nos últimos dias tenho tido algumas conversas sobre o que faz com que alguns negros se deixem tratar com estereótipos racistas ou utilizem eles mesmos desses estereótipos para se definir.
Em uma conversa em família me lembrei de uma cena que vi em um ônibus de um menino que foi chamado de macaco várias vezes por uma “amiga” e em nenhum momento reagiu ou pediu que ela parasse de chama-lo dessa maneira. Fiquei tão aborrecida com a situação que não conseguia disfarçar meu desgosto.
Me lembrei também de algumas fotos postadas por uma colega no FB protestando contra alguns rapazes que se deixavam chamar “carinhosamente” por suas namoradas brancas de  monkey ou de Gorila eyes, como se esse fosse um tratamento comum e sem um significado maior.
Mas a decisão de realmente tratar desse tema se deu ao assistir um vídeo do cantor Alexandre Pires que tem circulado no youtube.
O vídeo traz homens negros vestidos de macaco, onde se destacam entre os fantasiados personalidades como o funkeiro Mr. Catra e o jogador Neymar.
A letra da canção que tem o nome explícito de Kong, não tem pé nem cabeça e reforça o estereótipo de homem viril atribuído aos homens negros. Mas ainda assim, não é a letra em si que me preocupa.
O que me faz refletir é o que há por trás de um homem negro que aceita se fantasiar de macaco e ser comparado ao King Kong.
Não é segredo para ninguém que ser chamado de macaco sempre foi um termo pejorativo para a população negra e ser comparado ao animal nada mais é do que ser subestimado como um ser que não é dotado de inteligência.
Também não é segredo que o sistema que nos subestima tenta incutir isso na nossa cabeça. O que é um mistério para mim é como uma pessoa pode aceitar esse tipo de ofensa e achar que é algo natural ou engraçado.
Que tipo de ser humano teve sua autoestima tão danificada ao ponto de se ver exatamente dessa maneira? De achar que o lugar que ocupa na sociedade é o mesmo destinado a um animal?
Esses três personagens do vídeo são figuras conhecidas na mídia, Neymar causou polêmica ao  se declarar branco em um veículo de comunicação, Mr. Catra vive da venda da sexualidade presente em suas músicas e me pergunto se sua personalidade extravagante não é a forma que tem para lidar com as frustrações de ter sido criado como filho adotivo em uma família com características tão diferentes da sua.
Já Alexandre Pires é mais do que conhecido por sua trajetória como pagodeiro e depois cantor romântico.
Então em se tratando de personalidades que já conquistaram certo destaque na mídia qual a necessidade de se humilhar para ser aceito seja na vida pessoal ou profissional e esquecer o sofrimento de toda uma população?
Se esse é o exemplo de alguém famoso, que se preza a se tornar um bobo da corte da sociedade e desempenhar um papel que confirma um estereótipo tão racista, o que se passa na cabeça dos anônimos?
O que faz uma pessoa como essa dar armas para o inimigo permitindo assim a manutenção do racismo?
Será que o sistema racista continua sendo tão eficaz que nem anos de terapia poderiam nos ajudar a superar tantos traumas e complexos?
O que será que devemos fazer para olhar no espelho e nos vermos como seres humanos dignos do respeito, não apenas do outro, mas principalmente de nós mesmos?
Questiono ainda, qual seria a melhor maneira para combater esse tipo de desserviço que atinge diretamente o nosso povo.
Talvez isso aconteça, pois embora os grilhões que nos faziam escravos tenham se quebrado, muitos de nós ainda vivem como se estivessem acorrentados. Em sua mente ainda prevalece o pensamento do escravo, daquele que não têm direitos e que é forçado pelas condições em que vive a abrir mão de sua humanidade.
Só assim posso encontrar razão para tamanha falta de autoestima e consciência do quão sério esse tipo de coisa é.



First post of the year and I have been spending a long time thinking about what to write.
In these past few days I have been having some dialogues about what can do some black people let be treat with racists stereotypes or use themselves those stereotypes as a definition.
A conversation with my family reminded me a scene that I saw inside a bus where a young man was called as “monkey” (in Portuguese to call a black person monkey means the same that say jigaboo for an afro American) several times by a “friend” and he never responded or asked her to stop with it. I was so upset that I couldn’t pretend my disgust.
It also reminded me some pictures posted by a colleague on FB protesting against some boys who let themselves be called “affectionately” by their White girlfriends as monkey or Gorilla Eyes, as if it was a common treatment with no meaning.
But the real decision of talk about this subject has happened when i watched a video of a singer named Alexandre Pires (who is famous in Brazil) that is on youtube.
The video brings some black men dressed as monkeys, and highlighted between those people are some personalities as the “carioca” funk singer, Mr. Catra, and the soccer player Neymar.
The lyric has the explicit name of Kong, it is no sense and reinforces the hyper sexual representation of black men. But even this still isn’t the lyric that worries me.
What makes me think is what is behind a black man who accepts to be dressed as a monkey and be compared to King Kong.
It isn’t a secret for anybody that to be called monkey always was an offensive expression to black people and to be compared to the animal is not more than be underestimated as a being that isn’t endowed with intelligence.
Also it isn’t a secret that the system that underestimated us try to instill it to our head. What it is a mystery for me is how a person can accept this kind of offense and see it as something natural or funny.
What kind of human being did have his self-esteem so damaged until the point that him, he self are seeing it in this way? What does make him think that the place that he is occupying on the society is the same that is destined to an animal?
These three characters on the video are familiar in the media, Neymar caused controversy when he declared himself white in a communication vehicle. Mr. Catra lives of the seal of the sexuality present on his songs and sometimes I ask to myself if his freak personality isn’t a way to deal with his frustrations of has been created as a foster child in a family with characteristics differents of himself.
Alexandre Pires himself is known by his trajectory as pagode singer and after as a romantic singer.
So if we are talking about personalities that have gained some prominence in the media, what is the necessity of humiliate themselves to be accept in either personal or professional lives and forget the suffering of a entire population?
If it is the example of someone who is famous, that let himself to act as a jester of the society and play a role that confirms a racist stereotype, what is happening in anonymous people’s mind?
What does make a person like this to give weapons to the enemy allowing the maintenance of the racism?
Is still the racism system so effective that even if years of therapy couldn’t  help us to surpass so many traumas and complexes?
What should we do to look in the mirror and see ourselves as Human Beings worthy of respect, not only respect from the other, but also and mainly from ourselves?
I still wonder what would be the best way to combat this kind of disservice that affects rightly our people.
Maybe this happens, because although the chains that were making us slaves have broken, many of us are still living as if they were chained. On their minds are still predominating the slave thought, from that who doesn’t have rights and is forced by the condition in which they live to give up of their humanity.
Only in this case I can find a reason for so less self-esteem and conscience about how serious is this kind of thing.