sábado, 31 de dezembro de 2011

Ano novo: renovam-se as esperanças – um diálogo com Martin Luther King / New Year: Hopes are renewed – A dialogue with Dr. Martin Luther King

Dezembro é um mês que já começa com expectativa de final. É o mês não apenas do final do ano com suas festas, comidas e bebidas, mas também dos planos para o novo ano que está para chegar.
No meu caso essa expectativa é dobrada, pois além do ciclo da passagem de ano, tenho também o meu ciclo pessoal, pois nasci no mês de dezembro.
Nesse ano de 2011 completei 30 anos e acho que a possibilidade da passagem para uma nova fase me fez pensar em tudo que vivi e naqueles que me acompanharam.
Acredito que pensar na minha história de vida, me leva automaticamente a pensar na militância, já que desses 30 anos, mais da metade foram de batalhas e lutas.
Lembrei em tudo isso de um dos meus maiores ídolos negros e de sua trajetória: Martin Luther King.
Pensei em seu famoso discurso “Eu tenho um sonho” e tentei imaginar o que eu diria para ele se pudesse escrever uma carta de resposta.
Acho que em primeiro lugar eu diria que eu também tenho um sonho! Que ainda que eu não viva “nos campos vermelhos da Geórgia”, ou no “injusto estado do Mississipi”, ainda não vejo justiça e igualdade para nosso povo aqui em solo tupiniquim.
Que embora quase 50 anos tenham se passado desde que ele pronunciou essas palavras e hoje eu já possa ver “o filho do senhor andando junto com o filho do escravo”, este ainda é subjugado por um sistema que faz com que o filho do senhor, continue sendo o patrão.
Embora as crianças possam brincar juntas, nossas crianças ainda se sentem inferiores as outras, pois não veem seu reflexo nas bonecas que recebem.
Se ele estivesse por aqui talvez perguntasse, “mas vocês ainda não estão satisfeitos?”
Eu tomo a liberdade de usar as suas palavras e dizer que nós “nunca estaremos satisfeitos enquanto o negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial ... e até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza”.
Mas 2012 Dr. King, é um novo ano e eu tenho esperança, esperança de que as coisas vão mudar não apenas em meu país, mas para todos os filhos da diáspora que ainda sofrem as consequências do sequestro, de serem arrancados de sua terra natal e privados de toda sua identidade.
Mas assim como você, eu acredito que chegará o dia que poderemos cantar:

“Livres enfim, graças a Deus todo poderoso, somos livres enfim!!!!”
Feliz 2012



December is a month that started with an expectation of the end. It is the month not only the end of the year with the holidays and the whole food and drinks, but also of the plans for the new year that is coming.
In my case this expectation is doubled, because beyond the cycle of passing the year, I have also my personal cycle, because I was born in December.
In this year of 2011 I became 30 years old and I think that the possibility of to pass for a new stage made me think in everything that I lived and all those who accompanied me.
I believe that to think about the history of my life makes me automatically think on my activism, considering that during these 30 years, more than half time were in this struggle.
All of this reminded me one of my biggest black idols and his trajectory: Dr. Martin Luther King.
I thought about his famous speech “I have a dream” and I tried to wonder what I would say to him if I could write an answer letter.
I think in the first place I would say that I also have a dream. Even if I don’t live in the “red hills of Georgia”, or in the “unjust state of Mississipi”, I still don’t see justice and equality for our people here in Brazilian lands.
That although almost 50 years have been passed since he enunciated these words and nowadays I already can see the son of the former slave owner walking with the son of the former slave, this is still subjugated by a system that make the son of the lord remains be the boss.
Although kids can play together, our kids are still felling inferior than others, because they don’t see their reflexion on the dolls that they receive.
If he were here maybe he would ask, “but aren’t you satisfied yet?”
I feel free to use his words to say that we “can never be satisfied as long as the Negro is the victim of the unspeakable horrors of police brutality…we will not be satisfied until  justice rolls down like waters and righteousness like a mighty stream”.
But 2012 Dr. King, is a new year and I have hope, I’m hopeful that the things are going to change not only in my country, but also for all the kids of the diaspora that still suffer with the consequences of the kidnapping, of to be extracted from their motherlands and deprived of their identities.
But  just like you, I believe that will come the day that we can sing:

"Free at last! Free at last! thank God Almighty, we are free at last!"
Happy 2012!!!

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