quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Uma luta sem fronteiras / A fight without frontiers

Quando comecei minha militância eu tinha 11 anos. Era uma época conturbada para o bairro onde eu vivia e ao ouvir a letra de Fim de Semana no Parque, do grupo Racionais MC’s, as angústias vividas naquele momento passaram a ser verbalizadas, passei a entender que o que eu vivia e o que acontecia ao meu redor era parte da minha negritude e consequência dos sofrimentos vividos pelos meus ancestrais.
A partir dali, comecei a lutar, primeiro em minha própria casa, depois nas atividades do movimento negro, em instituições não-governamentais e hoje na vida acadêmica.
Minha vida passou a ser a luta pela inclusão da população negra na sociedade e por isso eu já briguei, já fiquei sem dormir, já perdi amizades.
Com o tempo, passei a entender que a batalha do povo negro, não é exclusiva de um país, mas que o passado de escravidão e o presente de exclusão e sofrimento nos une de uma maneira inexplicável e a consciência dessa dinâmica deu a minha jornada novas dimensões.
Contudo, nunca passou pela minha cabeça que nesse caminho eu iria ser levada a outros países, que minha caminhada poderia servir de exemplo para pessoas dos mais variados lugares, tudo que sempre fiz foi por amor ao meu povo e a minha história.
Mas acredito que Deus nos coloque em lugares altos e nesse momento eu estou sentada em uma sala de conferência na sede da ONU na Suíça.
Nunca imaginei vir a Genebra, os que me conhecem sabem que minha trajetória de militância sempre foi voltada para outro país, mas há alguns meses recebi o lindo presente de ser selecionada pela ONU para ser uma das representantes brasileiras no primeiro Fellowship Program for People of African Descendant, um curso sobre direitos humanos para afrodescendentes.
Nosso grupo tem 10 pessoas de diferentes países, cada um com uma história de batalha e com vitórias para partilhar.
Ainda não consigo imaginar como será isso, mas estou extasiada em saber que as pessoas estão interessadas em saber o que acontece com o povo negro no Brasil e mais ainda saber que meu trabalho e o que eu disser pode trazer avanços para a causa.
Por isso uso esse post como meio para agradecer a todos que me ajudaram ao longo da caminhada a entender a importância da conquista da liberdade.
OBRIGADA A TODOS




 
I was 11 when I started my militancy. It was a disturbed time in my neighborhood and when I listened the Racionais Mc’s’ song Fim de Semana no Parque, the anguish lived at that moment started to be verbalized, I started to understand that what I was living and  what was happening around me were a part of my blackness and consequence of the suffering lived  by my ancestors.
From that moment, I’ve started to fight, first in my own house, later in the black movement, and NGOs and nowadays as a scholar.
My life have started to be the struggle for the inclusion of the black population in the society, for this reason I fought, I didn’t sleep and I lost friends.
Along the time I’ve started to understand that the battle of the black people, isn’t exclusive of a country, but that the past of slavery and the present of the exclusion and suffer can unify us in a inexplicable way and the conscious of this dynamic brought to my journey new dimensions.
Although this, I have never thought that on this journey I would be taken to another countries, that my walk could work as an example to people from different places. Everything that I did was cause of my love for my people and my history.
But I believe that  God put us in high places and at this moment I’m sit in a conference room at UN basement in Switzerland.
I’ve never imagined to come to Geneva, all those who knows me know that my trajectory of militancy  always was focus in another country, but some months ago I received this beautiful gift of to be selected by UN to be one of that who are representing Brazil in the 1st Fellowship Program for People of African Descendant, a course about Human Rights for African Descendants.
Our group has 10 people from different countries, each one with a history of battles and wins to share.
I still can’t imagine how it is going to work, but I’m amazed to realize that people are interested in to know what is happening with black people in Brazil and more than this to know that my work and what I’m saying can bring advances to the cause.
For this reason I use this post as a way to say thank you to all those who helpt me during this journey to understand the importance of to get freedom.
Thank you everybody


3 comentários:

  1. Uma grande oportunidade!Você merece! Aproveite cada minuto do curso! Abração e Go Dani!!!

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  2. Obrigada amiga. Sei que vc e sua família torcem muito por mim. bjoks

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  3. It's funny to read you saying you never imagined yourself at the United Nations.

    As far I can see, that's exactly where you belong!!

    :)

    D

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