quinta-feira, 23 de junho de 2011

Elos invisíveis / Invisible links

Há alguns anos eu venho pensando sobre as conexões existentes entre os povos da diáspora africana. Penso sobre todas as coisas em comum que podemos observar em afrodescendentes de diferentes lugares do mundo, mas que de alguma maneira estão conectados com pessoas das quais nunca ouviram falar.
Acredito que essa ligação se realiza através de elos invisíveis, que foram mais fortes do que as correntes que nos aprisionaram por mais de 300 anos de escravidão.
O pensamento sobre a diáspora também foi o que me motivou a iniciar minha vida acadêmica oficialmente, pois extra oficialmente, minha pesquisa teve início junto com meu processo de conscientização.
Um dos maiores insights que tive com relação à conexão dos povos negros ao redor do mundo, se deu no momento em que provei pela primeira vez a tradicional soul food (comida típica dos escravos americanos que foi transmitida de geração em geração). Qual não foi minha surpresa ao provar os pratos e ter a sensação de que estava comendo uma comida tipicamente mineira, como a que minha avó fazia?
Escravos e descendentes de escravos de diferentes lugares, com realidades diferentes comiam e comem até hoje exatamente a mesma coisa, afinal digam o que quiserem, a feijoada de quarta e sábado é a nossa “soul food”.
Após essa observação, meus olhos se abriram para observar outros elos que mesmo estando ao meu redor eu nunca tinha dado a devida atenção, como sendo algo particular aos membros da diáspora, como a música, o modo de se vestir, as relações pessoais e tantas outras pequenas coisas, mas que se tornam grandes quando passamos a comparar as histórias.
Por que falar sobre a diáspora? Porque no último mês comecei um curso maravilhoso sobre teorias da diáspora africana, onde professores brasileiros e americanos se unem para apresentar algumas das maneiras pelas quais esses elos se tornaram possíveis.
Dentre todas as temáticas abordadas pelo curso, não há um dia que eu não me veja inflamada pelas discussões que ocorrem em sala de aula.
Uma das coisas que tenho achado muito interessante é a fundamentação teórica, porque se relaciona de alguma maneira com uma série de autores que tenho estudado desde a especialização e agora também no mestrado.
Outra coisa que me impressionou muito (e essa tem muito mais a ver com os tais elos invisíveis que eu acredito existir entre os povos negros do mundo todo) é a maneira que a inquietação não apenas em torno da diáspora, mas da própria questão identitária do negro, como esse pensamento se forma, como trabalhar a questão do racismo e tantos outros assuntos que tem me afligido durante boa parte da minha vida, aflige também os demais membros do curso.
Corpos que fizeram o traslado em outro navio, que aportaram em outros portos e que viveram uma realidade muitas vezes diferente da minha, mas que ainda assim apresentam uma conexão, um elo, uma irmandade.
Qual escola que estuda a diáspora está correta? Aquela que acredita em uma conexão inerente a qualquer um que seja afrodescendente? Ou aquela que pensa que pessoas com realidades semelhantes acabam criando uma conexão? Para mim não há uma resposta correta, pois as duas formas de pensar se complementam. Somos membros da diáspora pela cor de nossa pele, pela dor de nossos ancestrais e também pela realidade que enfrentamos hoje como consequência desse processo.
Meus elos invisíveis se tornam mais aparentes a cada momento, especialmente quando conheço pessoas de diferentes culturas, mas com a mesma ânsia de encontrar um lugar de pertencimento.
Há alguns anos eu venho pensando sobre as conexões existentes entre os povos da diáspora africana. Penso sobre todas as coisas em comum que podemos observar em afrodescendentes de diferentes lugares do mundo, mas que de alguma maneira estão conectados com pessoas das quais nunca ouviram falar.
Acredito que essa ligação se realiza através de elos invisíveis, que foram mais fortes do que as correntes que nos aprisionaram por mais de 300 anos de escravidão.
O pensamento sobre a diáspora também foi o que me motivou a iniciar minha vida acadêmica oficialmente, pois extra oficialmente, minha pesquisa teve início junto com meu processo de conscientização.
Um dos maiores insights que tive com relação à conexão dos povos negros ao redor do mundo, se deu no momento em que provei pela primeira vez a tradicional soul food (comida típica dos escravos americanos que foi transmitida de geração em geração). Qual não foi minha surpresa ao provar os pratos e ter a sensação de que estava comendo uma comida tipicamente mineira, como a que minha avó fazia?
Escravos e descendentes de escravos de diferentes lugares, com realidades diferentes comiam e comem até hoje exatamente a mesma coisa, afinal digam o que quiserem, a feijoada de quarta e sábado é a nossa “soul food”.
Após essa observação, meus olhos se abriram para observar outros elos que mesmo estando ao meu redor eu nunca tinha dado a devida atenção, como sendo algo particular aos membros da diáspora, como a música, o modo de se vestir, as relações pessoais e tantas outras pequenas coisas, mas que se tornam grandes quando passamos a comparar as histórias.
Por que falar sobre a diáspora? Porque no último mês comecei um curso maravilhoso sobre teorias da diáspora africana, onde professores brasileiros e americanos se unem para apresentar algumas das maneiras pelas quais esses elos se tornaram possíveis.
Dentre todas as temáticas abordadas pelo curso, não há um dia que eu não me veja inflamada pelas discussões que ocorrem em sala de aula.
Uma das coisas que tenho achado muito interessante é a fundamentação teórica, porque se relaciona de alguma maneira com uma série de autores que tenho estudado desde a especialização e agora também no mestrado.
Outra coisa que me impressionou muito (e essa tem muito mais a ver com os tais elos invisíveis que eu acredito existir entre os povos negros do mundo todo) é a maneira que a inquietação não apenas em torno da diáspora, mas da própria questão identitária do negro, como esse pensamento se forma, como trabalhar a questão do racismo e tantos outros assuntos que tem me afligido durante boa parte da minha vida, aflige também os demais membros do curso.
Corpos que fizeram o traslado em outro navio, que aportaram em outros portos e que viveram uma realidade muitas vezes diferente da minha, mas que ainda assim apresentam uma conexão, um elo, uma irmandade.
Qual escola que estuda a diáspora está correta? Aquela que acredita em uma conexão inerente a qualquer um que seja afrodescendente? Ou aquela que pensa que pessoas com realidades semelhantes acabam criando uma conexão? Para mim não há uma resposta correta, pois as duas formas de pensar se complementam. Somos membros da diáspora pela cor de nossa pele, pela dor de nossos ancestrais e também pela realidade que enfrentamos hoje como consequência desse processo.
Meus elos invisíveis se tornam mais aparentes a cada momento, especialmente quando conheço pessoas de diferentes culturas, mas com a mesma ânsia de encontrar um lugar de pertencimento.



There are some years I have been thinking about connections that exist between the people of the African Diaspora. I think about all the things in common that we can observe in afrodescendents in different places in the world, but that are connected in a way with people that have never heard about.
I believe this link becomes true through invisible links, that we were stronger than the chains that put us on a prison during more than 300 hundred years of the slavery.
The thought about the Diaspora was also responsible to motivate myself to start my scholar life officially, cause extra officially, my activist research started with my process of conscious.
One of the biggest insights that I have had about the connection between black people around the world, happened in the moment that I proved the traditional American soul food. Which was my surprise when I tried the food and I had the sensation that I was eating a typically food from Minas Gerais in Brazil, like my Granma used to cook?
Slaves and descendants of slaves from different places, with different realities used to eat and are still eating nowadays exactly the same thing, cause people can say what they want, but the Brazilian feijoada, that we eat here on Wednesdays and Saturdays, is our “soul food”.
After to observe this, my eyes became open to see another links that although were around me, I had never given the right attention as something in common to members of the Diaspora, like the music,, the way that we dress, the personal relationships, and so many other little things, that become huge when we start to compare histories.
Why Am’I talking about the diáspora? Cause this last month I started a wonderful course about theories of the African Diaspora, where American and Brazilian professors are unified to show some ways that makes this process become possible.
In the middle of so many subjects that were approached during the course, there isn’t one single day were I can see myself excited cause of the discussion that happens on my classes.
One of the things that I have been seeing as interesting is the bibliography, cause it’s related with some authors that I’ve been studying since my graduate course and also now during my master course.
Another thing that have impressed me a lot (and that is much more connected with those invisible links that I believe exist between black people from the whole world), is the way that the concern not only about the diaspora, but also about the black people identity question itself, how this thought is form, how to work the racism issue and so many subjects that have been worrying me during most part of my life, and also have been worrying the other members of the course.
Bodies that have done the transfer in another ship, that have docked in other harbors and have lived realities really different of mine, but that still show a connection, a link, a sisterhood.
Which scholar that studies the diaspora is correct? That one which believes in an intrinsic connection with everyone who is afrodescendant? Or that one who thinks that people with similar realities will create a connection? For me there isn’t a right answer, because they are both a complement. We are members of the diaspora cause of the color of our skin, in the reason of our ancestors’ pain and also cause of the reality that we face now as a consequence of this process.
My invisible links become more apparently each moment, especially when I know people from different cultures, but with the same desire about to find a place of belonging.