sábado, 31 de dezembro de 2011

Ano novo: renovam-se as esperanças – um diálogo com Martin Luther King / New Year: Hopes are renewed – A dialogue with Dr. Martin Luther King

Dezembro é um mês que já começa com expectativa de final. É o mês não apenas do final do ano com suas festas, comidas e bebidas, mas também dos planos para o novo ano que está para chegar.
No meu caso essa expectativa é dobrada, pois além do ciclo da passagem de ano, tenho também o meu ciclo pessoal, pois nasci no mês de dezembro.
Nesse ano de 2011 completei 30 anos e acho que a possibilidade da passagem para uma nova fase me fez pensar em tudo que vivi e naqueles que me acompanharam.
Acredito que pensar na minha história de vida, me leva automaticamente a pensar na militância, já que desses 30 anos, mais da metade foram de batalhas e lutas.
Lembrei em tudo isso de um dos meus maiores ídolos negros e de sua trajetória: Martin Luther King.
Pensei em seu famoso discurso “Eu tenho um sonho” e tentei imaginar o que eu diria para ele se pudesse escrever uma carta de resposta.
Acho que em primeiro lugar eu diria que eu também tenho um sonho! Que ainda que eu não viva “nos campos vermelhos da Geórgia”, ou no “injusto estado do Mississipi”, ainda não vejo justiça e igualdade para nosso povo aqui em solo tupiniquim.
Que embora quase 50 anos tenham se passado desde que ele pronunciou essas palavras e hoje eu já possa ver “o filho do senhor andando junto com o filho do escravo”, este ainda é subjugado por um sistema que faz com que o filho do senhor, continue sendo o patrão.
Embora as crianças possam brincar juntas, nossas crianças ainda se sentem inferiores as outras, pois não veem seu reflexo nas bonecas que recebem.
Se ele estivesse por aqui talvez perguntasse, “mas vocês ainda não estão satisfeitos?”
Eu tomo a liberdade de usar as suas palavras e dizer que nós “nunca estaremos satisfeitos enquanto o negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial ... e até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza”.
Mas 2012 Dr. King, é um novo ano e eu tenho esperança, esperança de que as coisas vão mudar não apenas em meu país, mas para todos os filhos da diáspora que ainda sofrem as consequências do sequestro, de serem arrancados de sua terra natal e privados de toda sua identidade.
Mas assim como você, eu acredito que chegará o dia que poderemos cantar:

“Livres enfim, graças a Deus todo poderoso, somos livres enfim!!!!”
Feliz 2012



December is a month that started with an expectation of the end. It is the month not only the end of the year with the holidays and the whole food and drinks, but also of the plans for the new year that is coming.
In my case this expectation is doubled, because beyond the cycle of passing the year, I have also my personal cycle, because I was born in December.
In this year of 2011 I became 30 years old and I think that the possibility of to pass for a new stage made me think in everything that I lived and all those who accompanied me.
I believe that to think about the history of my life makes me automatically think on my activism, considering that during these 30 years, more than half time were in this struggle.
All of this reminded me one of my biggest black idols and his trajectory: Dr. Martin Luther King.
I thought about his famous speech “I have a dream” and I tried to wonder what I would say to him if I could write an answer letter.
I think in the first place I would say that I also have a dream. Even if I don’t live in the “red hills of Georgia”, or in the “unjust state of Mississipi”, I still don’t see justice and equality for our people here in Brazilian lands.
That although almost 50 years have been passed since he enunciated these words and nowadays I already can see the son of the former slave owner walking with the son of the former slave, this is still subjugated by a system that make the son of the lord remains be the boss.
Although kids can play together, our kids are still felling inferior than others, because they don’t see their reflexion on the dolls that they receive.
If he were here maybe he would ask, “but aren’t you satisfied yet?”
I feel free to use his words to say that we “can never be satisfied as long as the Negro is the victim of the unspeakable horrors of police brutality…we will not be satisfied until  justice rolls down like waters and righteousness like a mighty stream”.
But 2012 Dr. King, is a new year and I have hope, I’m hopeful that the things are going to change not only in my country, but also for all the kids of the diaspora that still suffer with the consequences of the kidnapping, of to be extracted from their motherlands and deprived of their identities.
But  just like you, I believe that will come the day that we can sing:

"Free at last! Free at last! thank God Almighty, we are free at last!"
Happy 2012!!!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Entrevista / Interview

Gente gostaria de partilhar com vocês uma entrevista que meu amigo Amil Cook fez comigo sobre hip hop e consciência negra. Espero que vocês gostem.
http://husslingtonpost.com/danielagomes/


Hey guys I would like to share with you an interview that my friend Amil Cook have done with me about hip hop and black conscious. I hope you enjoy.

http://husslingtonpost.com/danielagomes/

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A trilha sonora da resistência / The sound track of the resistance

“20 de novembro temos que repensar, a liberdade do negro, tanto teve de lutar...”
Toda vez que o mês da consciência negra chega, eu lembro dos versos da música Sou Negrão do Rappin Hood, não apenas pelo que significam, mas também porque essa música faz parte das lembranças que tenho do início da minha militância.
Os que me conhecem sabem o quanto a música significa para mim e em mais de 15 anos de caminhada, a trilha sonora tem se tornado extensa. Músicas que relembram Palmares (Coisa de Pele), que remetem a nossa Identidade (Identidade), que ressaltam os nossos Olhos Coloridos e o nosso sangue criolo (Olhos Coloridos), enfim, uma trilha sonora de resistência.
Mas muito além das festas, dos eventos, dos encontros com os amigos, o 20 de novembro e o mês da consciência negra, que vai chegando ao seu final, tem sido na minha vida um período para reflexão, para pensar em tudo que tenho feito, não apenas por mim, mas por todo o meu povo, pois “amo minha raça, luto pela cor e o que quer que eu faça é por nós, por amor” (Jesus Chorou).
É dia de pensar também naqueles que lutaram antes de mim e nos que lutam até hoje, pois ninguém consegue lutar sozinho.
Eu acredito que um dia, quando deixarmos de ser "A Carne mais barata do mercado" (A Carne), vou cantar canções que falem das mudanças ocorridas, das trajetórias percorridas e das vitórias conquistadas, mas por enquanto só posso falar do quanto ainda temos de lutar.
Em 2011, meu 20 de novembro foi celebrado em meio a música e enquanto nos programávamos para comemorar, eu via nos olhos dos amigos a emoção em dizer o que seria feito para celebrar esta data tão significativa. Eu percebi ali, mais uma vez, aquilo que Simonal cantou muito antes de eu nascer “Com uma canção, também se luta”! (Tributo a Martin Luther King)
 






“20th november we need to remind, the black freedom, with so many struggle..,”
Every time when the black conscious month arrives, its reminds me the verses of the song “Sou Negrão” (I’m black) of Rappin Hood, not only because of its meaning but also because this song is a part of the memories that I have from the beginning of  my militancy.
All those who know me, also know the importance of the music for me and in more than 15 years of journey, the sound track has become extensive. Musics that remind us Palmares (Coisa de pele is a Brazilian samba song) , that refer to our Identity (Identidade is a Brazilian samba song), that reinforce our Colored Eyes and our “criolo” blood (Olhos Coloridos is a Brazilian soul music), at long last, a sound track of resistance.
But beyond the parties, the events, and the meetings with friends, the 20th november and the black conscious month, that is almost ending, has been a period in my life to reflection, to think in everything that I’ve been done, not only for me, but for all my people, because “I love my race, I fight for the color, whatever what I do is for us, for love” (Jesus Chorou is a Brazilian rap song).
It is also a day to think about those who fought before me and those who are still fighting nowadays, because nobody can struggle alone.
I believe that one day, when we no longer we won’t be the Cheapest meat in the market (A Carne is a Brazilian soul song), I’m going to sing songs that talk about the changes that have happened, the trajectory that we made, the victories that we had, but for a while I just can say how much we still have to fight.
In 2011, my 20th november was celebrated with music and while we were planning to celebrate, I saw in my friends’ eyes the emotion when they were telling what would be done to celebrate this so meaningful day. So I realized, again, what Simonal sang a long time before I born “With a song, you also fight”! (Tributo a Martin Luther King is a Brazilian soul song).





 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Uma luta sem fronteiras / A fight without frontiers

Quando comecei minha militância eu tinha 11 anos. Era uma época conturbada para o bairro onde eu vivia e ao ouvir a letra de Fim de Semana no Parque, do grupo Racionais MC’s, as angústias vividas naquele momento passaram a ser verbalizadas, passei a entender que o que eu vivia e o que acontecia ao meu redor era parte da minha negritude e consequência dos sofrimentos vividos pelos meus ancestrais.
A partir dali, comecei a lutar, primeiro em minha própria casa, depois nas atividades do movimento negro, em instituições não-governamentais e hoje na vida acadêmica.
Minha vida passou a ser a luta pela inclusão da população negra na sociedade e por isso eu já briguei, já fiquei sem dormir, já perdi amizades.
Com o tempo, passei a entender que a batalha do povo negro, não é exclusiva de um país, mas que o passado de escravidão e o presente de exclusão e sofrimento nos une de uma maneira inexplicável e a consciência dessa dinâmica deu a minha jornada novas dimensões.
Contudo, nunca passou pela minha cabeça que nesse caminho eu iria ser levada a outros países, que minha caminhada poderia servir de exemplo para pessoas dos mais variados lugares, tudo que sempre fiz foi por amor ao meu povo e a minha história.
Mas acredito que Deus nos coloque em lugares altos e nesse momento eu estou sentada em uma sala de conferência na sede da ONU na Suíça.
Nunca imaginei vir a Genebra, os que me conhecem sabem que minha trajetória de militância sempre foi voltada para outro país, mas há alguns meses recebi o lindo presente de ser selecionada pela ONU para ser uma das representantes brasileiras no primeiro Fellowship Program for People of African Descendant, um curso sobre direitos humanos para afrodescendentes.
Nosso grupo tem 10 pessoas de diferentes países, cada um com uma história de batalha e com vitórias para partilhar.
Ainda não consigo imaginar como será isso, mas estou extasiada em saber que as pessoas estão interessadas em saber o que acontece com o povo negro no Brasil e mais ainda saber que meu trabalho e o que eu disser pode trazer avanços para a causa.
Por isso uso esse post como meio para agradecer a todos que me ajudaram ao longo da caminhada a entender a importância da conquista da liberdade.
OBRIGADA A TODOS




 
I was 11 when I started my militancy. It was a disturbed time in my neighborhood and when I listened the Racionais Mc’s’ song Fim de Semana no Parque, the anguish lived at that moment started to be verbalized, I started to understand that what I was living and  what was happening around me were a part of my blackness and consequence of the suffering lived  by my ancestors.
From that moment, I’ve started to fight, first in my own house, later in the black movement, and NGOs and nowadays as a scholar.
My life have started to be the struggle for the inclusion of the black population in the society, for this reason I fought, I didn’t sleep and I lost friends.
Along the time I’ve started to understand that the battle of the black people, isn’t exclusive of a country, but that the past of slavery and the present of the exclusion and suffer can unify us in a inexplicable way and the conscious of this dynamic brought to my journey new dimensions.
Although this, I have never thought that on this journey I would be taken to another countries, that my walk could work as an example to people from different places. Everything that I did was cause of my love for my people and my history.
But I believe that  God put us in high places and at this moment I’m sit in a conference room at UN basement in Switzerland.
I’ve never imagined to come to Geneva, all those who knows me know that my trajectory of militancy  always was focus in another country, but some months ago I received this beautiful gift of to be selected by UN to be one of that who are representing Brazil in the 1st Fellowship Program for People of African Descendant, a course about Human Rights for African Descendants.
Our group has 10 people from different countries, each one with a history of battles and wins to share.
I still can’t imagine how it is going to work, but I’m amazed to realize that people are interested in to know what is happening with black people in Brazil and more than this to know that my work and what I’m saying can bring advances to the cause.
For this reason I use this post as a way to say thank you to all those who helpt me during this journey to understand the importance of to get freedom.
Thank you everybody


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Até onde chega a maldade? As “Wanuzis” do Brasil / How far can the evil go? The “Wanuzis” of Brazil

Cerca de um mês atrás, uma notícia deixou a população brasileira muito chocada. Dezenas de crianças haviam sido envenenadas em uma escola em Porto Alegre. A acusada? Uma merendeira negra que supostamente seria a única pessoa com acesso àquela refeição e que havia confessado o crime. A raiva e a indignação nas vozes dos apresentadores de telejornais sensacionalistas eram perceptíveis e correspondiam ao sentimento de todos os telespectadores.
Poucos dias após o crime, o advogado de Wanuzi Machado de 23 anos, apareceu em público e disse que sua cliente não havia confessado o crime, mas que havia sido torturada para confessar o crime e que também havia sido vítima de racismo por parte do delegado e dos policiais envolvidos.
Ao ouvir esse relato, eu que também estava indignada com o caso, disse para a minha família, que preferia acreditar que essa moça era mentalmente perturbada e havia cometido o crime, do que acreditar que o racismo no Brasil havia atingido um grau tão grande de maldade para acusar injustamente uma pessoa de um crime tão bárbaro, apenas por ela ser a única negra no estabelecimento.
Como eu estava enganada! Um mês após o caso, o mesmo apresentador que exigiu a prisão de Wanuzi na ocasião, consegue conversar ao vivo com a jovem, que teve a prisão revogada e afirmou publicamente que a polícia a torturou física e psicologicamente, com ameaças de retirar seu filho.
Nas imagens, a jovem se mostra extremamente nervosa e o próprio apresentador afirma que se a polícia revogou a prisão isso prova a ausência de provas. O advogado afirma que os autos do processo também não mostram nenhuma prova contra Wanuzi.
Um caso como esse me fez pensar até onde chega a maldade do ser humano? Até onde o racismo pode levar as pessoas?
O racismo no Brasil tem tomado proporções gigantescas, casos de espancamento de crianças e idosos em avenidas e supermercados. Além de denúncias de agressões físicas, verbais e virtuais.
Ainda nesta semana o mundo se mostrou pronto para reconhecer a beleza negra ao eleger sua 4ª miss universo negra. No Brasil, país com 53,7% de afrodescendentes, a moça foi enxovalhada na internet por racistas que se escondem atrás da tela do computador.
Esse é o país em que vivemos, onde a teoria da democracia racial é revisitada a todo momento para dizer que a mestiçagem nos faz únicos e nos livra de todo o racismo, embora a cada momento um novo caso de racismo é denunciado por uma pessoa negra no Brasil provando o contrário.
A quem essa democracia favorece? Se somos todos iguais, por que ainda existem tantas “Wanuzis” no Brasil?
Recentemente os levantes ocorridos na Inglaterra me fizeram imaginar como seria se algo assim acontecesse no Brasil. Se a população negra fosse as ruas em um violento grito de BASTA. Eu não desejo algo desse tipo, mas tenho certeza de que se acontecesse, esse grupo seria acusado de desordeiro e questionariam o porquê de tantas reclamações.
Por que afinal as pessoas tendem a nos culpar das agruras que sofremos? Será que nós somos culpados dos trezentos anos de escravidão? dos 123 anos de abolição sem nenhum tipo de direito? e de todos casos de racismo no Brasil?
Quantas outras “Wanuzis” terão que existir até que alguém preste atenção na discriminação sofrida pelo povo negro brasileiro? Fica a pergunta...



Around one month ago, a news really shocked Brazilian people. Dozens of kids were poisoned in a school in Porto Alegre, hometown of the state of Rio Grande do Sul. The accused? A black girl who used to serve the lunch that supposedly would be the only person with access to that meal and had confessed the crime. The anger and the indignation in the voices of sensationalist television news anchors were perceptible and corresponded to the feelings of all viewers.
Few days after the crime, the Wanuzi Machado’s (the 23 years old girl) laywer appeared in public and said that his client didn’t have confessed the crime, but that she was tortured to confessed it and also was victim of racism by the police chief and all the polices involved in the case.
When I heard this, I was also indignant with the case and said to my family, that I would prefer to believe that this girl was mentally disturbed and had committed the crime, than believe that the racism in Brazil had achieved so high level of malignancy to wrongly accuse a person of committed a so evil crime, only cause she was the only black person on that place.
How wrong I was! One month after the case, the same TV anchor who demanded the arrest of Wanuzi on that occasion, got to talk live with the young lady, who had the sentence revoked and affirmed publicly that the police have tortured her physically and emotionally, with intimidations of to remove her son.
In the video images, the girl showed herself really nervous and the TV anchor affirmed that if the police revoked her prison it shows that they didn’t have any proof against her. The lawyer also affirmed that also the process didn’t show any proof against Wanuzi.
A case like this, makes me wonder how evil can be the human been? How far can the racism take people?
The racism in Brazil has taking gigantic proportions, cases of children and old people beated in avenues and supermarkets. In addition to denounces about physical, psychology and virtual aggressions.
Also in this week the world showed itself ready to recognize the black beauty when it elected the 4th black Miss Universe. In Brazil, a country with 53,7% of African descendants, the lady was humiliated on the internet by racists that were hiding themselves behind the computer screen.
This is the country where we live, where the theory of the racial democracy is revisited every moment to say that the miscegenation make us unique and make us free of all racism, although every time a new case of racism is denounced by a black person in Brazil proving the opposite.
Who is this democracy favoring? If we are all equal, why there are so many “Wanuzis” in Brazil?
Recently the riots that happened in England made me wonder how would be if something like that happened in Brazil. If the black population went to streets in a violent ENOUGH scream. I don’t wish something like this, but I’m sure that if it happened this group would be accused of be riotous and would ask us why so many complains.
Why after all people tend to blame us of the hardships that we suffer? Are we guilty of 300 years of slaver? Are we guilty of 123 years since the abolition without any kind of reparation? And are we guilty of all these cases of racism in Brazil?
How many other “Wanuzis” will still need to exist till someone pay attention in the discrimination suffered by black people in Brazil? I let you with this question…



http://videos.band.com.br/Exibir/Noticias/2c9f94b6325a7af8013269ee889d1186

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ausência / Abscence

Esse é um post bem curto apenas para me desculpar com todos vocês. Às vezes quando a gente cria uma nova página na internet, faz isso mais para nós mesmos do que para qualquer outra pessoa e esquece que ao postar alguma coisa na rede ela já não é mais sua. Apenas hoje me dei conta que este blog já teve quase 2 mil acessos desde que comecei a escrevê-lo pouco mais de um ano atrás. Por ainda enxergar o veículo como algo pessoal estou há dois meses sem postar um novo texto e me esqueci que do outro lado estão vocês, que gostam de ler o que eu escrevo, ou que pelo menos se interessam por esse tema. Me desculpem, a correria do dia a dia me fez ir deixando a escrita sempre por último e acabei não me dedicando como deveria, prometo que logo logo escrevo um post fresquinho.
Paz
Dani


This is a really short post just to say I'm sorry for you all. Sometimes when we create a new internet page, we do that more for ourselves than for anyone else and we forget that when we post something on the web this isn't our anymore. Just today I realized that this blog already had almost 2 thousands access since I have started to write it around one year ago. Because I still was seeing it as a personal stuff I'm almost two months without post a new article and I forgot that in the other side are you, that like to read what I write, or at least are interested on this subject. I'm sorry, the busy daily life made me let the write as a last thing and I didn't dedicate myself as a I should do, I promisse that as soon as possible I'm going to write a fresh post.
Peace
Dani

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Elos invisíveis / Invisible links

Há alguns anos eu venho pensando sobre as conexões existentes entre os povos da diáspora africana. Penso sobre todas as coisas em comum que podemos observar em afrodescendentes de diferentes lugares do mundo, mas que de alguma maneira estão conectados com pessoas das quais nunca ouviram falar.
Acredito que essa ligação se realiza através de elos invisíveis, que foram mais fortes do que as correntes que nos aprisionaram por mais de 300 anos de escravidão.
O pensamento sobre a diáspora também foi o que me motivou a iniciar minha vida acadêmica oficialmente, pois extra oficialmente, minha pesquisa teve início junto com meu processo de conscientização.
Um dos maiores insights que tive com relação à conexão dos povos negros ao redor do mundo, se deu no momento em que provei pela primeira vez a tradicional soul food (comida típica dos escravos americanos que foi transmitida de geração em geração). Qual não foi minha surpresa ao provar os pratos e ter a sensação de que estava comendo uma comida tipicamente mineira, como a que minha avó fazia?
Escravos e descendentes de escravos de diferentes lugares, com realidades diferentes comiam e comem até hoje exatamente a mesma coisa, afinal digam o que quiserem, a feijoada de quarta e sábado é a nossa “soul food”.
Após essa observação, meus olhos se abriram para observar outros elos que mesmo estando ao meu redor eu nunca tinha dado a devida atenção, como sendo algo particular aos membros da diáspora, como a música, o modo de se vestir, as relações pessoais e tantas outras pequenas coisas, mas que se tornam grandes quando passamos a comparar as histórias.
Por que falar sobre a diáspora? Porque no último mês comecei um curso maravilhoso sobre teorias da diáspora africana, onde professores brasileiros e americanos se unem para apresentar algumas das maneiras pelas quais esses elos se tornaram possíveis.
Dentre todas as temáticas abordadas pelo curso, não há um dia que eu não me veja inflamada pelas discussões que ocorrem em sala de aula.
Uma das coisas que tenho achado muito interessante é a fundamentação teórica, porque se relaciona de alguma maneira com uma série de autores que tenho estudado desde a especialização e agora também no mestrado.
Outra coisa que me impressionou muito (e essa tem muito mais a ver com os tais elos invisíveis que eu acredito existir entre os povos negros do mundo todo) é a maneira que a inquietação não apenas em torno da diáspora, mas da própria questão identitária do negro, como esse pensamento se forma, como trabalhar a questão do racismo e tantos outros assuntos que tem me afligido durante boa parte da minha vida, aflige também os demais membros do curso.
Corpos que fizeram o traslado em outro navio, que aportaram em outros portos e que viveram uma realidade muitas vezes diferente da minha, mas que ainda assim apresentam uma conexão, um elo, uma irmandade.
Qual escola que estuda a diáspora está correta? Aquela que acredita em uma conexão inerente a qualquer um que seja afrodescendente? Ou aquela que pensa que pessoas com realidades semelhantes acabam criando uma conexão? Para mim não há uma resposta correta, pois as duas formas de pensar se complementam. Somos membros da diáspora pela cor de nossa pele, pela dor de nossos ancestrais e também pela realidade que enfrentamos hoje como consequência desse processo.
Meus elos invisíveis se tornam mais aparentes a cada momento, especialmente quando conheço pessoas de diferentes culturas, mas com a mesma ânsia de encontrar um lugar de pertencimento.
Há alguns anos eu venho pensando sobre as conexões existentes entre os povos da diáspora africana. Penso sobre todas as coisas em comum que podemos observar em afrodescendentes de diferentes lugares do mundo, mas que de alguma maneira estão conectados com pessoas das quais nunca ouviram falar.
Acredito que essa ligação se realiza através de elos invisíveis, que foram mais fortes do que as correntes que nos aprisionaram por mais de 300 anos de escravidão.
O pensamento sobre a diáspora também foi o que me motivou a iniciar minha vida acadêmica oficialmente, pois extra oficialmente, minha pesquisa teve início junto com meu processo de conscientização.
Um dos maiores insights que tive com relação à conexão dos povos negros ao redor do mundo, se deu no momento em que provei pela primeira vez a tradicional soul food (comida típica dos escravos americanos que foi transmitida de geração em geração). Qual não foi minha surpresa ao provar os pratos e ter a sensação de que estava comendo uma comida tipicamente mineira, como a que minha avó fazia?
Escravos e descendentes de escravos de diferentes lugares, com realidades diferentes comiam e comem até hoje exatamente a mesma coisa, afinal digam o que quiserem, a feijoada de quarta e sábado é a nossa “soul food”.
Após essa observação, meus olhos se abriram para observar outros elos que mesmo estando ao meu redor eu nunca tinha dado a devida atenção, como sendo algo particular aos membros da diáspora, como a música, o modo de se vestir, as relações pessoais e tantas outras pequenas coisas, mas que se tornam grandes quando passamos a comparar as histórias.
Por que falar sobre a diáspora? Porque no último mês comecei um curso maravilhoso sobre teorias da diáspora africana, onde professores brasileiros e americanos se unem para apresentar algumas das maneiras pelas quais esses elos se tornaram possíveis.
Dentre todas as temáticas abordadas pelo curso, não há um dia que eu não me veja inflamada pelas discussões que ocorrem em sala de aula.
Uma das coisas que tenho achado muito interessante é a fundamentação teórica, porque se relaciona de alguma maneira com uma série de autores que tenho estudado desde a especialização e agora também no mestrado.
Outra coisa que me impressionou muito (e essa tem muito mais a ver com os tais elos invisíveis que eu acredito existir entre os povos negros do mundo todo) é a maneira que a inquietação não apenas em torno da diáspora, mas da própria questão identitária do negro, como esse pensamento se forma, como trabalhar a questão do racismo e tantos outros assuntos que tem me afligido durante boa parte da minha vida, aflige também os demais membros do curso.
Corpos que fizeram o traslado em outro navio, que aportaram em outros portos e que viveram uma realidade muitas vezes diferente da minha, mas que ainda assim apresentam uma conexão, um elo, uma irmandade.
Qual escola que estuda a diáspora está correta? Aquela que acredita em uma conexão inerente a qualquer um que seja afrodescendente? Ou aquela que pensa que pessoas com realidades semelhantes acabam criando uma conexão? Para mim não há uma resposta correta, pois as duas formas de pensar se complementam. Somos membros da diáspora pela cor de nossa pele, pela dor de nossos ancestrais e também pela realidade que enfrentamos hoje como consequência desse processo.
Meus elos invisíveis se tornam mais aparentes a cada momento, especialmente quando conheço pessoas de diferentes culturas, mas com a mesma ânsia de encontrar um lugar de pertencimento.



There are some years I have been thinking about connections that exist between the people of the African Diaspora. I think about all the things in common that we can observe in afrodescendents in different places in the world, but that are connected in a way with people that have never heard about.
I believe this link becomes true through invisible links, that we were stronger than the chains that put us on a prison during more than 300 hundred years of the slavery.
The thought about the Diaspora was also responsible to motivate myself to start my scholar life officially, cause extra officially, my activist research started with my process of conscious.
One of the biggest insights that I have had about the connection between black people around the world, happened in the moment that I proved the traditional American soul food. Which was my surprise when I tried the food and I had the sensation that I was eating a typically food from Minas Gerais in Brazil, like my Granma used to cook?
Slaves and descendants of slaves from different places, with different realities used to eat and are still eating nowadays exactly the same thing, cause people can say what they want, but the Brazilian feijoada, that we eat here on Wednesdays and Saturdays, is our “soul food”.
After to observe this, my eyes became open to see another links that although were around me, I had never given the right attention as something in common to members of the Diaspora, like the music,, the way that we dress, the personal relationships, and so many other little things, that become huge when we start to compare histories.
Why Am’I talking about the diáspora? Cause this last month I started a wonderful course about theories of the African Diaspora, where American and Brazilian professors are unified to show some ways that makes this process become possible.
In the middle of so many subjects that were approached during the course, there isn’t one single day were I can see myself excited cause of the discussion that happens on my classes.
One of the things that I have been seeing as interesting is the bibliography, cause it’s related with some authors that I’ve been studying since my graduate course and also now during my master course.
Another thing that have impressed me a lot (and that is much more connected with those invisible links that I believe exist between black people from the whole world), is the way that the concern not only about the diaspora, but also about the black people identity question itself, how this thought is form, how to work the racism issue and so many subjects that have been worrying me during most part of my life, and also have been worrying the other members of the course.
Bodies that have done the transfer in another ship, that have docked in other harbors and have lived realities really different of mine, but that still show a connection, a link, a sisterhood.
Which scholar that studies the diaspora is correct? That one which believes in an intrinsic connection with everyone who is afrodescendant? Or that one who thinks that people with similar realities will create a connection? For me there isn’t a right answer, because they are both a complement. We are members of the diaspora cause of the color of our skin, in the reason of our ancestors’ pain and also cause of the reality that we face now as a consequence of this process.
My invisible links become more apparently each moment, especially when I know people from different cultures, but with the same desire about to find a place of belonging.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Imagens de nós / Images of us

Há alguns dias eu venho pensando sobre qual seria o tema mais interessante para ser abordado aqui.
Nesse processo, os textos acabaram não sendo escritos, às vezes por falta de ideias e às vezes por excesso de informação.
Diversos fatos envolvendo casos de racismo chegaram ao meu conhecimento nos últimos tempos, casos com características diversas envolvendo crianças e adultos, homens e mulheres, anônimos e famosos e tantas outras dualidades que só vem ratificar o fato de que o racismo não diferencia suas vítimas.
Nesse contexto e principalmente após o choque gerado pela leitura de uma matéria que narra a história de jamaicanos que utilizam cremes para clarear a pele, meu post finalmente nasceu não para falar sobre o racismo em si, mas para abordar a imagem que o negro faz de si mesmo.
Há algum tempo uma propaganda de refrigerante utilizava o slogan “imagem não é nada” para justificar que as escolhas dos consumidores deveriam ser feitas sem influência das aparências.
Utilizo o gancho da imagem como símbolo do que se é ou do que não se deve ser.
A imagem associada ao negro foi criada a partir de conceitos formados por uma sociedade racista, onde tudo que indica essa negritude é taxado como feio, ruim e até mesmo repugnante, algo a ser rejeitado.
Desde a aparência física até a cultura e a religiosidade negra foram denominadas como algo sem valor, o que gerou uma imagem distorcida do negro sobre ele mesmo e da sociedade para com ele.
Me lembro que quando criança cantávamos uma cantiga de roda, cujo refrão dizia que ao plantar uma semente no quintal, havia nascido uma “negrinha de avental” que se não soubesse dançar deveria apanhar com um chicote. Hoje me arrepio ao pensar em quantas crianças foram marcadas por esse tipo de canção, pois situações como essa formam a concepção que a pessoa tem de si mesmo e também a que terá dos outros.
A partir de fatos como esse qual o melhor rumo a seguir para uma mudança na imagem que temos de nós mesmos e que o outro tem de nós, em uma sociedade onde isto representa uma peça chave no processo de inclusão?
Como fazer com que a menina negra tenha orgulho de sua imagem no espelho, quando a mídia faz com que ela ache que seus traços não são bonitos? Como fazer com que o menino negro veja sua imagem refletida em seu jogador de futebol favorito, quando nem o jogador consegue enxergar seu próprio reflexo? Como fazer com que o policial negro veja sua imagem refletida no menino que ele “dá a geral” ao invés de enxergar o seu inimigo? Como fazer com que a senhora lute contra a discriminação, quando a imagem que ela tem a todo o momento é a de alguém dizendo que ela deve “se por em seu lugar”?
A reconstrução de uma imagem, que ultrapassa o campo do eu, para atingir o campo do “nós” quanto sociedade faz sim com que imagem seja “tudo”, seja um passo fundamental para o rumo que iremos seguir nos próximos anos.
Alguns trabalhos têm sido feito nesse sentido, nos mais diversos setores da sociedade, mas ainda é pouco, ainda é preciso agir, não se calar, para fazer com que as próximas gerações possam ver sua imagem refletida, sem que isso cause dor ou vergonha e para que assim possam sentir orgulho do que são.


There are some days I’ve been wondering about what would be the most interesting subject to be approached here.
In this process, the articles weren’t written, sometimes cause a lack of ideas and sometimes for information overload.
Diverse facts involving racism’s cases came to my attention lately, cases with different characteristics involving children and adults, men and women, anonymous and famous people and so many other dualities that comes to ratify the fact that racism does not differentiate its victms.
In this context and mainly after the shock created by the reading of an article that tells the history of Jamaicans who are using some creams to lighter their skin, my post finally born, not to talk about racism itself, but to approach the image of the black person has of him/herself.
Some time ago a soda advertising used to use the slogan “image is nothing” to justify that the choices of the costumers should be done without the influence of appearance.
I’m going to use the concept of the image as a symbol of what we are or we shouldn’t be.
The image associated to the black person was created from concepts formed by a racist society, where everything that indicates this blackness is named as ugly, bad and even repugnant, something that should be rejected.
Since the physical appearance till the culture and the black religiosity were named as something without value, what created a distorted image to the black person about him/herself and from the society about him.
I remember when I was a child we used to sing a rhyme to play, whose the chorus said that planted a seed at the backyard, was born a black woman with an apron and if she didn’t know how to dance, she should be beat with a whip. Nowadays I feel horrify when I think in how many kids were touched for this kind of song, cause situations like this form the conception that the person has about him/herself and also that that he/she will have about other people.
From facts like this what is the best way for a change in the image that we have of ourselves and that the other has of us, in a society where this represents a key piece in the inclusion process?
How to make the black girl be proud of her image in the mirror, when the media makes her think that her features aren’t pretty? How to make the black boy see his image reflected in his favorite soccer player, when even the player can’t see his own reflex? How to make the black police man see his image reflected in the boy that he raids instead to see his enemy? How to make the old lady fight against the discrimination, when the image that she has the whole time is someone saying that she should “put herself in her own place”?
The reconstruction of a image, that exceeds the “I”, to achieve the “us” as a society, it certainly does that the image is “everything”, is a key step to the way that we will follow in the next years.
Some works have been done in this direction, in different sectors of the society, but is still low, further action is required, not to be silent, to make that the future generations can see their image reflected, without cause pain or shame and so they can feel proud of what they are.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Para aqueles que acreditam que não existe racismo no Brasil / For those who believes there isn't racism in Brazil

Gostaria de compartilhar com todos vocês, um texto escrito pela minha amiga e também jornalista Ana Luiza Biazeto sobre um caso de racismo que ocorreu essa semana em uma agência do Banco do Brasil no centro de São Paulo.
Esse é um bom exemplo da verdade sobre o racismo no Brasil, que ao contrário de ser inexistente ou imperceptível como alguns acreditam é algo cruel e que causa muito sofrimento.
E aos que puderem eu peço que me ajudem a divulgar esse caso.
Deixo também o link para o manifesto proposto pelo poeta Sérgio Vaz. Aos que quiserem assinar acessem o blog http://colecionadordepedras1.blogspot.com/2011/02/manifesto-contra-o-racismo-no-banco-do.html#comment-form

I would to share with you all, an article write by my friend and also journalist Ana Luiza Biazeto about a case of racism that happened this week in an agency of the Banco do Brasil in Sao Paulo downtown.
This is a good example of the true about the racism in Brazil, that contrary to be nonexistent or imperceptible like some people believe, is something cruel and that causes so much pain.
And for who can I ask to help me to pass this case.
I also suggest the link for the manifesto proposed by the poet Sergio Vaz. For who want to sign please go the blog http://colecionadordepedras1.blogspot.com/2011/02/manifesto-contra-o-racismo-no-banco-do.html#comment-form

Discriminação racial gera protesto contra Banco do Brasil

Por Ana Luiza Biazeto

Numa manifestação pacífica, porém de repúdio, integrantes de diferentes segmentos de movimentos sociais reuniram-se hoje, por volta das 14h, na agência do Banco do Brasil, à Rua Rego Freitas, 530, contra a discriminação racial.

O protesto aconteceu depois que Luciano Dimis da Silva, conhecido como James Bantu, foi barrado na porta giratória da agência ontem, 9/2, e mesmo após ter seus pertences revistados, não conseguiu descontar seu cheque, referente a um serviço prestado à ONG Ação Educativa.

Após o constrangimento, a segurança do banco chamou um policial militar que passava fora da agência. Submetido à revista corporal, Bantu ouviu ordens truculentas como “Você precisa me respeitar!”, “Coloca a mão para trás!”, “Cala a boca!”, “Se eu quiser, se eu mandar, eu posso até te deixar pelado aqui!”, “Só fala depois de mim; cala a boca!”, “Se você não calar a boca, eu vou te algemar aqui!”, conta ele.

Hoje, durante o protesto, com bandeira em punho, os manifestantes vibraram e aplaudiram quando Bantu conseguiu retirar seu salário. “Foi isso que vim buscar, sou trabalhador e é bom que saibam da atitude racista desta agência”, disse Bantu, em voz alta, aos funcionários e clientes do estabelecimento, com pouco mais de R$500,00 em mãos.

A denúncia do crime foi feita na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância e Bantu aguarda as decisões da justiça.

http://news.afrobras.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=773%3Adiscriminacao-racial-gera-protesto-contra-banco-do-brasil&catid=34%3Anoticias&Itemid=55

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

ainda falando sobre cabelos / still talking about hair

Pessoal,
Não sei quantos conseguiram ler meu post sobre cabelos, mas recebi esse vídeo e tem tudo a ver com o que eu escrevi aqui, então partilho com vocês.
http://www.youtube.com/watch?v=enpFde5rgmw&feature=youtube_gdata_playe

Hey Guys,
I don't know how many of you could read my post about hair, but I have received this video and its is the same thing that I wrote here, so I share it with you.
http://www.youtube.com/watch?v=enpFde5rgmw&feature=youtube_gdata_playe

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Meu cabelo afro é lindo / My afro is pretty

Toda vez que eu olho no espelho antes de sair e vejo a maneira como eu uso meu cabelo hoje, eu penso no quanto ele é bonito e combinou muito bem com meu estilo, geralmente na mesma hora me vem a mente um trecho da música Put your records on da Corinne Bailey Rae que diz “Don't you let those other boys fool you. Gotta love that afro hairdo (não deixe aqueles outros meninos te enganarem, você tem que amar o seu penteado afro)”.
Mas escolher usar um cabelo afro envolve muito mais do que uma simples decisão sobre alisar ou não alisar um cabelo, envolve mais do que estética, uma aceitação em saber que esta é uma opção tão boa quanto qualquer outra.
Há alguns dias tive oportunidade de assistir a um dos programas da modelo Tyra Banks, cujo tema era “O que é cabelo bom”, ali mulheres negras de diferentes idades, até mesmo crianças narravam suas aventuras e desventuras com seus cabelos e porque usar o cabelo natural não seria uma coisa boa ou aceitável.
Ouvir as narrativas realizadas no programa me fez pensar na minha própria relação com meu cabelo e sobre o peso que colocaram sobre nós, ao criarem o estigma do “cabelo bom”.
Me fez ver também que esta é mais uma das particularidades partilhadas por aqueles que são vítimas de racismo, não importa em qual dos países da diáspora essas pessoas tenham nascido.
Como qualquer outra criança negra no Brasil, eu fui criada sob o estigma do “cabelo bom”, ou melhor, o estigma de não ter “cabelo bom”, essa foi uma das características que me fez ver, o quanto meu cabelo remete a minha negritude, já que pela minha pele clara, supostamente no Brasil, eu não deveria sofrer racismo de nenhuma maneira.
Mas ao contrário do que é pregado por aqueles que defendem a não existência do racismo em nosso país, essa, ao meu ver, sempre foi uma das maneiras mais cruéis de discriminação.
Quando criança, meu desejo era ter um cabelo liso. Sofria quando as outras crianças tiravam sarro de mim e diziam que meu cabelo era bombril, ou riam quando ele estava mais armado. Pentear o cabelo então era outro sofrimento, mesmo com toda a paciência de minha mãe, não havia na época no Brasil, produtos específicos para crianças de cabelo afro.
Me lembro bem de enrolar toalhas de banho no cabelo e balançar como se fosse um rabo de cavalo, como as garotas de cabelos lisos faziam.
Nessa época o meu maior sofrimento, foi não ter sido convidada para ser dama de honra de uma pessoa conhecida, pois em minha cabeça de criança de seis anos, isso havia acontecido por eu ser a única criança de “cabelo ruim”.
A primeira vez que eu alisei meu cabelo eu tinha sete anos, ainda me lembro com precisão o cheiro forte do produto, que me lembrava uma fossa aberta, me lembro mais ainda da minha alegria ao ver que meu cabelo finalmente estava liso.
Mas obviamente o processo de alisamento é temporário, então depois de uns meses lá estava minha raiz crespa cismando em aparecer.
Daí pra frente a busca por manter o cabelo cada vez mais liso só cresceu, passei pela touca de gesso (um alisamento antigo, que pode ser considerado o avô da escova progressiva), que me rendeu uma enxaqueca de mais de uma semana. Depois voltei para os alisamentos comprados em farmácia, até que por volta dos 16 anos descobri o alisamento com soda.
Esse método foi escolhido por sua eficácia em deixar um cabelo liso e “natural”, mas suas contra indicações eram graves queimaduras em diferentes pontos do couro cabeludo.
Entre um alisamento e outro meu processo de conscientização sobre a negritude ia acontecendo e um dia ao ler a biografia do Malcom X, me dei conta, que a agressão que ele havia sofrido ao alisar o cabelo e ter que enxaguar a cabeça na privada, era a mesma que eu passava ao usar um produto que tinha como principal elemento a soda cáustica e que me deixava com feridas por toda a cabeça.
Mas eu ainda não estava pronta para deixar meu cabelo natural, todos os anos de lavagem cerebral que diziam que meu cabelo era "feio", ou "ruim", haviam funcionado muito bem, porque eu não conseguia pensar em deixá-lo sem química. Uma das razões era acreditar que isso não ia permitir que eu encontrasse um bom emprego, o que infelizmente ainda é uma realidade no Brasil.
Após alguns anos eu conheci as tranças (um tipo de trança diferente do que eu usava quando criança), o Kannekalon foi meu primeiro contato com um penteado completamente afro e também meu passaporte para a “marginalidade” dos cabelos.
Quando escolhi usar tranças, eu ouvi todo o tipo de pergunta possível, desde por que eu não tirava aquela “coisa horrível” até se eu não lavava o cabelo enquanto usava “aquilo”, com direito inclusive a pegarem meu cabelo no metrô só para ver do que era feito.
Mas eu amava minhas tranças, sempre fiquei muito feliz em trançar o cabelo.
No intervalo entre uma trança e outra, continuava relaxando meu cabelo, com processos menos agressivos, mas não havia "paciência" para deixar o cabelo crescer ao natural .
Até que finalmente criei coragem para cortar os cabelos, usar a trança até o momento em que o meu cabelo natural estivesse comprido e trocar as tranças pelo afro, ou black como chamamos por aqui.
Essa poderia ser apenas mais uma história, afinal mulheres trocam de penteado com facilidade, ou esse poderia ser apenas mais um modismo, mas ao ver as crianças daquele programa dizendo o porque não queriam usar seus cabelos naturais, senti muita dor, por elas, por mim e por todas as outras meninas negras que sofreram com isso e que ainda sofrem.
Esse não é um processo fácil, eu ainda ouço muitas piadas e risadas quando ando na rua com meu cabelo afro, muitas pessoas ainda não compreendem e me dizem que é feio. É algo que está mais intrínseco do que se pensa, pois o estigma do “cabelo ruim” faz parte da nossa sociedade e é tão sutil que muitas vezes nem paramos para pensar sobre isso e o que ele causa em nossas mentes.
Não pensem que tenho problemas com cabelos alisados, relaxados, ou qualquer outra coisa do tipo, nem acredito que mulheres negras possam ser menos conscientes por alisarem os cabelos, mas acredito que é válido pararmos para refletir o porque de fazermos isso, se apenas porque é algo que gostamos, uma opção a mais ou se é algo mais profundo, que nos faz como garotinhas querendo ter o cabelo liso e loiro que nunca teremos.
Deixo essa pergunta para vocês e posso afirmar que me sinto livre ao olhar no espelho e dizer: Eu amo meu cabelo afro!



Every time when I look in the mirror before leave my home and I see the way I wear my hair nowadays, I think how it’s beautiful and matched well with my style, at the same time come to my mind a part of the Corinne Bailey Rae song Put your recors on, that says “Don't you let those other boys fool you. Gotta love that afro hairdo ”.
But choosing to use an afro involves much more than a simple decision about to straight or don’t straight a hair, involves more than esthetic, an acceptance of know that it’s an option as good as any.
A few days ago I had the opportunity to watch Tyra Banks’ show, whose theme was "What is good hair," there black women of different ages, even children narrated their adventures and misadventures with their hair and they explained why wear their hair natural wouldn’t be a good or acceptable thing.
Hear the stories told the show made me think about my own relationship with my hair and about the weight that people put on us when they create the stigma of "good hair".
Also made me see that this is another of particularities shared by those who are victims of racism, no matter which of the countries of the diaspora these people were born.
Like any other black child in Brazil, I grew up under the stigma of "good hair" or rather, the stigma of not having "good hair", this was one of the features that made me see how my hair refers to my blackness, considering that cause of my lighter skin, presumably in Brazil, I shouldn’t suffer with racism in any way.
But contrary to what is preached by those who defend the non-existence of racism in our country, this, in my view has always been one of the most cruel ways of discrimination.
When I was a child, my wish was to have straight hair. I use to suffer when other children made jokes about me and said that my hair looked like steel wool, or laughed when he was bigger. Comb my hair was another pain, even with all the patience of my mother, at that time in Brazil, there weren’t specific products for children with an afro.
I still remember myself wraping bath towels on my hair and shake it like a ponytail, as the girls with a straight hair used to do.
At that time my greatest suffering, was not being invited to be maid of honor to an acquaintance, cause on my six years old child head, that have happened cause I was the only kid in the group with “bad hair”
The first time that I straight my hair I was seven, I still remember accurately the bad smell, that reminded me an open sewage, but I remember much more my happiness when I see that my hair finally was straight.
But obviously the perm process is temporary, so after some months there was my curly roots insisting in to appear.
From this moment the search to keep my hair every time more straight only grew, I went through the plaster cap (an old way to straight the hair, that can be considered the Grandpa of the progressive straightener), that gave me a migraine for more than one week. After that I back to the drugstores’ straight products, till when I was around 16 I discovered the straight with sodium hydroxide (caustic soda).
This method was chosen cause its efficiency in letting a straight and “natural” hair, but its contraindications were severe burns in different parts of the scalp.
Between a perm and other my awareness process was happening and one day when I read the Malcom X biography, I realized, I was suffering the same aggression thing that he have suffered when he straighted his hair and had to wash on the toillet when I used a product that cause of the caustic soda was causing wounds in my whole head.
But I still wasn’t ready to let my natural hair, all those years of brainwashing that told me that my hair was "ugly", or "bad", had worked very well, cause I could not think about leave it without chemical. One of the reasons was cause I believed that using my natural hair I wouldn’t find a good job, what unfortunately is still a reality in Brazil.
After few years I met the braids (a kind of braid different from that I used to wear when I was a child), the Kannekalon was my first contact with a totally afro hairdo and also my passport to the “marginality” of the hair.
When I chose to wear braids, I heard all kind of possible questions, since why I didn’t remove that “horrible thing”, till if I didn’t wash my hair while I was wearing “that”, with right to having my hair caught on the subway station just to see how was made.
But I loved my braids and I always was really happy in braid my hair.
Between a braid and another, I still was relaxing my hair, with less agressive process, but I didn’t have "patience" to let my natural hair grow.
Till I finally had the courage to cut my hair, wear braids until the moment that my natural hair was long and change my braids to na afro, or “black hair” as we call here.
This could be only another history, cause women change their hairdo easily, or this could be just another fad, but when I saw children on that show saying why they didn’t wanna use their natural hair, I felt much pain, for them, for me and for all the other black girls that have suffered with this and for thos who are still suffering.
This isn’t a easy process, I still hear a lot of jokes and laughter when I walk on street with my afro, many people still don’t understand and tell me that is ugly. It’s something that is more intrinsic than we think, cause the stigma of the “bad hair” is a parto f our society and is so subtle that often we don’t stop to think about this or about what it does with our minds.
Don’t think I have problems with hair straightened, relaxed, or anything like that, nor do I believe that black women may be less aware cause they have their hair straight, but I believe is a valid thing to stop to reflect why we are doing this, if is only cause is something that we like, another option, or if is something deeper, that made us as little girls wishing the straight and blond hair that we will never have.
I leave this question to you and I can affirm that I feel free to look in the mirror and say: I love my afro!





sábado, 1 de janeiro de 2011

Que venha 2011 / That Come 2011

Olá a todos,

Sei que estou em dívida com vocês e deveria postar alguma coisa nova por aqui, afinal meu último post foi sobre o mês da consciência negra e desde lá muitas águas rolaram embaixo da ponte.
Mas fim de ano é sempre corrido: Terminei minha pós graduação e meu artigo "Espelhos e Canções - A Influência da Black Music norte-americana na juventude negra de São Paulo" conseguiu nota 9, a Feira Preta aconteceu e foi um sucesso, após isso completei mais um ano de vida com muitas vitórias, celebrei natal e agora festejo a entrada de mais um ano.
Logo, logo estarei por aqui, com mais um post que narra minha trajetória de militância e luta pela igualdade e inclusão de nosso povo. 
Mas apesar do silêncio não esqueçam "Amo minha raça luto pela cor, o que quer que eu faça é por nós, por amor"(Racionais MC's).
Então este pequeno post é apenas para desejar a todos os meus seguidores, que apesar de poucos são fiéis, um feliz ano novo, que em 2011 nós possamos continuar juntos compartilhando sonhos, pois de acordo com o poeta Sérgio Vaz, "um sonho não envelhece" e continuando a nossa luta, pois "briga é uma coisa passageira, mas luta é para uma vida toda".
E por falar no poeta, deixo com vocês a mensagem dele de ano novo, profunda e sincera.
Um ano novo abençoado para todos vocês Feliz 2011!!!
http://www.youtube.com/watch?v=ZhxK-txUYcI



Hello Everybody,

I know I have a debt with you and should post here something new, cause my last post was about the Black conscience month and since them a lot of water flowed under the bridge (a Brazilian expression).
But in the end of the year everything is fast: I have finished my graduate course and my final article "Mirrors and Songs - the Influence of American Black Music in the black youth from Sao Paulo" - got a 9 (the major grade was 10), the Black Fair happened and was sucessful, after that I completed another year in my life, I celebrated Christmas, and now I'm celebrating the begin of another year.
Asap I'll be here with another post that tells my trajectory  of militancy and struggle for the equality and inclusion of our people.
But although the silence, don't forget that ""Amo minha raça luto pela cor, o que quer que eu faça é por nós, por amor".(I love my race and fight for the color, no matter what I do is for us, for love - Racionais MC's).
So this little post, is only to wish to all my followers, that although few are faithful, a happy new year, that in 2011 we can still toguether sharing dreams, cause according with the poet Sérgio Vaz, "a  dream never get old", and following with our struggle, cause "fight is a passing thing but struggle is for the whole life"
And by the way, I let with you a Sérgio Vaz's, new year message, deep and sinceer.
A blessed New Year for you all. Happy 2011
http://www.youtube.com/watch?v=ZhxK-txUYcI