sábado, 11 de setembro de 2010

Voto e consciência / Vote and consciense

Ao conversar com amigos Afro-americanos e comentar sobre a situação em que vivem os negros no Brasil, apesar de representarmos cerca de 50% de nossa população, algumas pessoas perguntam se nós não votamos, indicando que essa é a maneira para mudar essa situação.
Em época de eleição refletir sobre isso é extremamente necessário, pois as decisões que tomarmos agora, irão nos afetar, no mínimo, pelos próximo quatro anos.
Bombardeados por um horário político que nos traz de palhaços, a mulheres frutas e artistas decadentes, podemos muitas vezes esquecer de quão sérias são essas escolhas.
Em matéria publicada no último dia 06 de setembro, a agência de notícias Afropress, afirmou que, nenhum dos três principais candidatos à presidência priorizou os assuntos ligados a desigualdade racial.
Segundo a publicação, a candidata Dilma Roussef, que representa o PT, partido que atualmente está a frente da nação, apresenta apenas propostas genéricas de ampliação das políticas de promoção da igualdade racial.
O candidato José Serra, além de se declarar contra as cotas, tem como vice-presidente, Índio da Costa, que é membro do Democratas (DEM), partido que tem agido veementemente contrário as ações afirmativas, realizando desde alterações ofensivas no Estatuto da Igualdade Racial até uma ação na Suprema Corte para que as cotas nas universidades públicas fossem consideradas inconstitucionais.
A terceira candidata, Marina Silva, que se auto-declara negra, tem se posicionado a favor das ações afirmativas e de cotas para a população negra, como uma maneira para amenizar os desequilíbrios históricos causados por mais de 300 anos de escravidão no país.
Candidatos a presidência, são apenas o topo de uma pirâmide, já que temos que escolher também senadores e deputados estaduais e federais.
O que o seu candidato intenciona fazer pelo nosso povo? Quais as políticas de ações afirmativas (se é que ele as tem), que ele propõe?
Pensando nisso, os resultados de duas enquetes chamaram a minha atenção nesta semana.
A primeira, realizada pela própria Afropress, questionou os leitores se a votação em candidatos negros e anti-racistas pode fazer avançar a luta por igualdade no país. 89% dos leitores afirmaram que sim, contra apenas 11% que pensam o contrário.
A outra enquete, realizada pela agência de notícias Afrobrasnews, questionou os leitores se a identificação pela cor ou pela raça é um critério na hora da escolha dos candidatos, 56% dos leitores responderam que não, contra apenas 11%, que diz que esse é um fator de influência.
Refleti sobre as duas enquetes (os dois sites tem o mesmo público alvo) e percebi que embora a maioria das pessoas acredite que alguém igual a ele possa ajudar a mudar a situação de nosso povo, não há desejo nessas pessoas de dar a esses candidatos uma chance para realizar isso.
Sei perfeitamente, que essas respostas não são necessariamente um reflexo do pensamento em geral, mas me pergunto se essa não é mais uma situação, onde nós deixamos o poder de decisão para o outro, para assim se algo der errado poder dizer, “não foi minha culpa, pois eu não votei nele”.
É tempo de exercer nosso poder de voto, exercer a tão sonhada democracia e escolher candidatos que de alguma maneira representem os interesses de quase 100 milhões de cidadãos, que é o número aproximado de negros nesse país.
É tempo de exercer o tão sonhado 4p (poder para o povo preto) no Brasil.


When I talk with some Afro American friends and comment about the situation of black people, although we represents about 50% of our population, some people ask me if we don’t vote, indicating that is the way to change this situation.
At election time think about it is extremely necessary, cause the decisions we take now will affect us, at least the next four years.
Bombarded by a political timetable that bring us clowns, fruit women and decaying artists, we often forget how serious these choices are.
In a article published in the last September 6th, the news agency Afropress, said that none of the three main presidential candidates has the racial inequality as a priority issue.
According to the article, the candidate Dilma Roussef, who represents the PT, party which actually is driving the nation, has only generic proposals for expansion of policies to promote racial equality.
The candidate Jose Serra, futhermore he declares he is against quotas, he has as vice president, Indio da Costa, who is a member of Democratas (DEM), the party that has acted strongly opposed to affirmative action, doing things like offensive changes in the Statute of the Racial Equality and an action in the Supreme Court to make the quotas in public universities were considered unconstitutional.
The third candidate, Marina Silva, who selfs-declared black, has been positioning herself inf favor of affirmative actions and quotas for the black people, as a way to alleviate the historical imbalances caused by more than 300 hundred years of slavery in the country.
Presidential candidates are just the top of a pyramid, since we also have to chose senators, and state and federal representatives.
What does your candidate intend to do for our people? Which kind of affirmative actions politicies (if he has that), is he proposing?
Thinking about this, the results of two polls came to my attention this week.
The first one, also realized by Afropress, questioned the readers if the vote for black and anti racist candidates can make advance the struggle for equality in the country. 89% of the readers said yes, against only 11% who think the opposite.
The other pool, realized by the news agency Afrobrasnews, asked to the readers if the identification by the color or race is a criterion when they choose the candidates, 56% of the readers said no, against only 11% who said this is a influence factor.
I’ve reflect about the two pools (both sites have the same audience) and noticed that although most people believe that someone like him/her can help to change our people’s situation, there isn’t a wish to give to these candidates a chance to do that.
I perfectly know, that these answers aren’t necessarily a reflection of a general thought, but I wonder if this isn’t another situation, where we leave the decision-making power to another, thus if something wrong happen we can say “isn’t my fault, cause I didn’t vote on him”.
It’s time to exercise or voting power, exercise the dreamed democracy and choose candidates who in any way representing the interests of almost 100 million citizens, which is the approximate number of black people in this country.
It’s time to pursue the dreamed Power to the Black People in Brazil.

6 comentários:

  1. ¨Nascer negro é consequencia
    ser negro é conciência¨

    Trecho de um poema do Sergio Vaz presente no livro Colecionador de Pedras

    ...e concordo com isso.
    Acredito que o nosso passado nos diz de onde viemos e o que somos.

    Parabéns

    Bjs

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  2. Sérgio Vaz é uma das vozes que hoje transcreve nossos sentimentos, aqueles que só os corações periféricos conseguem ter.
    Valeu Jairo

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  3. Eu vou votar no Netinho pra senador. Muita gente acha ruim, mas pouco me importa. Colocar um negro de um partido de esquerda no poder pra mim já são grandes argumentos pra votar nele. O nosso apartheid é diário está em todos os lugares. Pelo menos no senado, se depender de mim haverá um negro da periferia. É muito pouco ainda, mas a luta tem de ser diária. Pra presidente, vou de Dilma. Mesmo que não na medida necessária, "nunca na história deste país" se discutiu no âmbito político tanto a questão racial quanto no período do Lula.

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  4. Oiê, gostei de seu blog. Vc tá no Twitter? Se tiver, me add, por favor.

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  5. Hoffmann não vou de Netinho por uma postura feminista, não posso votar em alguém que bate em mulher, é uma pena pois deixarei de votar em um senador negro, mas tem horas que preciso por a militância de lado.
    Já para presidente vou de Marina, que tem a coragem de se declarar mulher negra.
    Segundo turno, aí veremos o que será.

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