quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Salvador – A experiência de cada um / Salvador – The each one experience

Desde que comecei minha caminhada no movimento negro, sempre ouvi as pessoas dizerem que o negro brasileiro precisa conhecer Salvador, para ver a efervescência da cultura afro, como se a cidade fosse uma espécie de “Meca” Afro-brasileira.
Assim, o desejo de conhecer este lugar mágico cresceu comigo por anos gerando expectativa, até que na última semana, entre os dias 21 e 28 de setembro, eu tive a oportunidade de fazer essa viagem.
O passeio foi uma surpresa em vários sentidos e eu vou tentar fazer um relato dividido em dois posts.
O primeiro, postado hoje, fala sobre minha experiência em conhecer Salvador, o segundo, que coloco nos próximos dias, conta um pouco mais sobre o restante da viagem.
Ansiosa por conhecer Salvador, eu esperava respirar a cultura afro profundamente, achava que o axé da cidade ia entrar pelos poros e que tudo ia estar ali de maneira palpável, sem que eu precisasse procurar.
Infelizmente as coisas não foram tão míticas como eu esperava e a falta de um contato no movimento negro da cidade me deixou isolada de um contato mais profundo com a cena de Salvador, muitas coisas lá são como cá: a pobreza tem cor, o racismo é gigante e etc.
Também não vi “baianas” com suas roupas típicas, não vi “carnaval o ano todo”, ou o jeito vagaroso do baiano e nenhum outro dos estereótipos preconceituosos passados pela televisão.
Enfim, não vi o que acreditava que ia ver.
Mas andar nas ruas do Pelourinho, (mesmo elas estando vazias, devido ao medo da violência e a baixa temporada), me trouxe a sensação de pertencimento, de saber que ali a história é viva, que as coisas aconteceram e ainda acontecem.
Fiquei muito emocionada ao visitar a Igreja do Carmo, que é conhecida por abrigar uma imagem do “Senhor Morto”, feita por um escravo, cravejada em rubis. Embora a escultura seja muito bonita, para mim, a jóia maior estava nos porões da igreja.
Um esconderijo e rota de fugas de escravos, que eram ajudados pelos sacerdotes daquela comunidade, isso sim é valiosíssimo.
Assistir televisão, ou observar os outdoors e ver o meu reflexo, nas propagandas ou mesmo nos produtos afro nas prateleiras do supermercado, me fez ao mesmo tempo sentir feliz e injustiçada. Feliz, por saber que o público negro ali está sendo valorizado, ainda que seja no sentido mercadológico. Injustiçada, porque não é possível que as empresas pensem que só há negros na Bahia e não se preocupem em mostrar a diversidade em outros lugares.
Além do Pelô, conheci outros pontos turísticos da Bahia, alguns me surpreenderam, como o tamanho da Igreja do Bonfim, por exemplo, que eu acreditava ser bem maior, outros me deixaram pasma, como a beleza do Farol da Barra ou a Lagoa do Abaeté, entre outras coisas.
Saí de Salvador com duas certezas. A primeira que, embora não tenha conhecido a cidade como esperava, esta se mostrou belíssima para mim, mesmo que de maneira menos mitológica e fantasiosa.
A segunda que ela pode me aguardar, pois a sensação de quero mais, vai me fazer voltar muito em breve, pois afinal, o que vale é a experiência de cada um e a minha com certeza foi fantástica.

Aguarde cenas do próximo capítulo...



Since I started my journey in the black movement, I always heard people saying that the black Brazilian needs to know Salvador, to see the flourishing of african culture, like if the city was a kind of Afro Brazilian “Mecca”.
Thus, the wish to know this magic place grow up with me for years, creating expectation, till the last week, sep. 21st to 28th, when I had na opportunity to do this trip.
The trip was a surprise in many ways and I’ll try to make a report divided into two posts.
The first, posted today, talks about my experience in knowing Salvador, the second, which lay in the coming days, says more about the rest of the trip.
Anxious to know Salvador, I was waiting to breath deep te afro culture, I thought the city “axé”, would going enter by my pores and that everything would be there in a tangible way, as if I didn’t need to search.
Unfortunatelly things weren’t as mythical as I expected and the lack of a contact in the black movement of the city stayed me away from a deeper contact with the scene of Salvador, there are as many things there who are equal here: poverty has a color, racism is huge and etc.
I also didn’t see “baianas” with their costumes, I saw no “carnaval all year”, the slowly way of people from there and no other of the prejudicial stereotypes showed by television.
Anyway, I didn’t see what I believed I would see.
But to walk in the Pelourinho’ streets (even they were empty cause of the scary with the violence and it’s the low seasson, brought to me a sense of belonging, of knowing that the history is alive, that things happened and still happen over there.
I was very emotionally when I visited the Church of Carmo, which is known to houses na image of “the Death Lord”, made by a slave, encrusted in jewels. Although the sculpture is very beautiful, in my opinion, the best jewel was in the church basements.
A hiding-place and route of runaway to slaves, who were helped by the priests of that community, this is very valued.
Watching television, or to look the outdoors and seeing my reflections,
in advertisements or even african products on supermarket shelves, made me feel at the same time happy and wronged. Happy, knowing that the black audience is being valued there, even if it is in the marketing sense. Wronged because it is not possible that the companies think that there is only black people in Bahia and not bother to show the diversity in another places.
In addition to “Pelô”, I met other sights of Bahia, some surprised me, as the size of Bonfim’s Church, for example, that I believed to be much higher, others made me stunned, as the beauty of the Barra’s Lighthouse or the Abaeté lake, amontg other things.
I left Salvador with two certainties: The first one, although it has not known the city as I was expecting, that showed itself pretty for me, even though in a less mythological and fanciful.
The second that it can wait for me, because the sensation that I wanna see more, will bring me back very soon, because after all, what counts is the each one experience, and I’m sure my experience was fantastic.

Wait scenes of the next chapter ...

4 comentários:

  1. Quando eu visitei esse lugar eu era tão pequena, mas pretendo visitar em breve, é sempre bom visitar lugares que são cheios de mitos e que nós podemos olhar com nossos próprios olhos o que é real e o que é ilusão, na verdade eu acho que a visão que nós temos de Salvador é mais ou menos a visão que os estrangeiros têm do Brasil, porque todo mundo fala desse lugar como se fosse algo a parte do Brasil, mas no fundo é só mais um pedacinho daqui, nosso país é um lugar maravilhoso com tantos lugares surpreendentes e místicos é importante que conheçamos melhor o nosso lugar para termos uma maior compreensão de nós mesmos, e daí o mundo é o limite... Espero que possamos ir juntas Dani na próxima!! Vamos redescobrir o Brasil!! Sempre adoro seus posts!!! Espero pelo próximo...

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  2. Dani seu texto está perfeito...Muito Bom Mesmo...
    agora dá mais vontade ainda de Conhecer Salvador

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  3. Obrigada Mi.
    Gle, na vdd a cidade pode não ser mítica, mas com certeza tem muito mais a oferecer, eu que deveria ter entrado em contato com alguém envolvido com a movimentação por lá.
    Mas na próxima vez, que se tudo der certo podemos sim ir juntas, as coisas serão completamente diferentes.

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  4. Ser ou não ser?
    Ser, essa é a questão.
    Viver... simplemente viver.
    Fazer, realizar, escrever, amar, estudar, respeitar... essa é a chave... até que o tempo passe e Zeus, Deus nos leve... Leeeeveeeee como uma pena.
    Que pena... (Jorge Ben Jor), estou dez anos atrazado (Toni Tornado) quem diria Tornado... Tsunami Apocalipse... Escritas as palavras, absorvem os inquietos, amem os quem amam, invejem os que em vida vivem, e respeite os que vivem pq os mortos ja estão em vida.
    Assim seja. Dormindo.

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