quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Chove livros e esperança em São Paulo / Books and hope it rains in Sao Paulo

Chuva de Livros - Sarau da Cooperifa
 - Foto http://colecionadordepedras1.blogspot.com/
Antes de entrar no tema que este post aborda, preciso voltar um pouco no tempo.
Há alguns dias, alguns fatos corriqueiros (drogas, crimes, mães chorando), do tipo que a gente está cansado de ouvir (mas que graças a Deus ainda tem o poder de me chocar), me deixaram cabisbaixa e me fizeram pensar que mesmo lutando, para quem nasce por aqui não havia como sair disso, como fugir.
Me vi como uma garota, sentada na calçada de calça big, segurando o rosto nas mãos , como quem espera para ver o que o futuro reserva e foi como se não tivessem passado 15 anos desde aquela época.
E eu passei a semana pensando nisso e nas minhas realizações e na trajetória de tantas outras pessoas que conheço que contrariaram as estatísticas.
No domingo (22/08) tive oportunidade de ir a Bienal do Livro, onde o difícil acesso, a entrada paga e os altos preços dentro do evento, me passavam a sensação de que não era pra estar ali e me deixaram com vontade de pedir meu dinheiro de volta, pois com apenas uma exceção (o sarau do quilombhoje), não havia cultura ali.
Até que na quarta-feira a noite (25/08) eu fui ao Sarau da Cooperifa (para quem não conhece esse é um evento que acontece uma vez por semana na periferia de São Paulo).
Eu já estava decidida a ir quando fui designada a fazer uma matéria sobre o tema.
Na Cooperifa só quem é consegue permanecer, pois até o acesso faz com que os fracos desistam pelo caminho.
Ao chegar lá: casa lotada! Cerca de 500 pessoas participavam do Sarau e recebiam um ticket que deveria ser trocado por um livro.
Um boteco, que poderia ser mais um lugar cheio de gente querendo arrumar confusão, estava, ao contrário, cheio de gente querendo criar arte, reproduzir poesia e contar sua história.
Choveu livros na periferia de São Paulo e cada pessoa que estava ali, saiu feliz, com pelo menos um livro na mão. E eu?
Obviamente eu também saí com livros nas mãos, mas mais do que livros, eu ganhei renovo, pois ao ver um evento como aquele, em um lugar tão próximo e tão parecido com o lugar onde eu moro, onde pessoas eram agentes da própria história, veio em minha mente a música do Racionais e era como se algo me dissesse pra continuar tendo fé, porque até no lixão pode nascer flor.


Before entering the subject that deal this post, I need to go back in time.
A few days ago, some trivial facts (drugs, crime, crying mothers), the kind that we're tired of hearing (but thank God still has the power to shock me), made me sad and made me think that even struggling to who's born here there wasn’t a way out, escaping.
I saw myself as a girl sit onthe sidewalk dressing bag pants, holding my own face, as if I was waiting to see what the future would bring me, as if they had not passed 15 years since that time.
I’ve spent the week thinking about my achievements and the path of so many other people I know who frustrated the statistics.
On Sunday (Aug 22nd) I had the opportunity to go to the Book Biennal, and things like the hard access, the pay tickets and the high prices inside the event, made me feel that I shouldn’t be there and made me wanting to ask my money back, because with only one exception (the Quilombhoje’s soirée), there wasn’t culture there.
Until the Wednesday night (Aug 25th) I went to the Cooperifa Sarau (for those who don’t know this is an event that happens once a week on the ghetto in Sao Paulo city).
I was already determined to go when I was designated to do an article about that.
In Cooperifa only who real “belongs” can be able to stay, cause the hard road makes the weak give up by the way.
When I get there: the place was full! Around 500 people attended the Soirée and received a ticket that should be exchanged for one book.
A poor bar which could be another place full of people wanting to cause trouble, was instead full of people wanting to create art, to propagate poetry and tell their history.
It rained books on the ghetto of Sao Paulo city and every person who was there left happy, with at least one book in hand. What about me?
Obviously I also came away with books in hand, but more than books, I’ve gotten renewed , cause when I saw an event like that where people were agents of their own history, came to my mind a Racionais MC’s song, and it was as if something told me to continue to have faith, because even in the middle of the trash can be born a flower.

Eu no meio da Chuva de Livros - Sarau da Cooperifa
Me in the middle of the Books' rain

Foto http://colecionadordepedras1.blogspot.com

8 comentários:

  1. Ai Dani, o que posso dizer? Essa sua descrição do Sarau, me vieram as lágrimas aos olhos. É tão triste saber como o nosso povo ainda está tão longe da realidade que sonhamos, mas ao mesmo tempo ao ler o seu post eu partilho com você a renovação da esperança quando vejo essas fotos e a sua narração tão cheia de sentimentos!As vezes também me pego pensando se vale a pena toda essa nossa luta, as vezes ela parece caminhar tão devagar, mas o importante é caminhar sempre e não parar...

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  2. OI Gle, mais uma vez obrigada, por ler e acompanhar o post.
    Ontem conversando com o Sérgio Vaz, o criador da Cooperifa, ele me falou que uma briga é diferente de uma luta, briga é por um momento e luta é pra vida toda, então é isso amiga,o que temos é pra vida toda, às vezes estamos mais cansados, mas coisas como essa renovam nossas forças.

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  3. eu querooooooooooooooo!!!!
    me leva!!!!
    maravilhoso o blog, parabéns!!!
    beijão

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  4. Com certeza Martha, esse é um lugar que todos deveriam conhecer.
    bjoks e obrigada pela visita

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  5. Sarau da Cooperifa...ôôô lugar viu!!!
    Muito bom seu texto!!
    Beijuuss

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  6. Ca, muito muito obrigada por ter me apresentado pra esse lugar maravilhoso e obrigada pelo elogio tb.

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  7. Dani, I've started with the archives. I going to pray for the Lord's strength in you.
    I was hurt to read you saying you had a moment when you felt like you didn't belong. But you're so awesome, because you triumphed over self-doubt.

    The rain of books in Sarau de Cooperifa made me want to cry. We are a strong people, with brick spirits. There is always hope - we will always find it.

    Best,

    D

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  8. Thank you D.
    Spoken words are a new thing in Brazil, less than ten years and it has been changing the ghetto overhere. So many places without hope, became magical places with beautiful histories.
    I think everybody has some moments when we feel weak, but I believe that at this time God make us strong and I'm thankful for this. He is my hope and my reason to fight

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