sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dia da Consciência Negra - Black Conscience Day


Finalmente chegou!
É 20 de novembro, feriado que para mim é celebrado de modo quase religioso.
É tempo de lembrar a luta de Zumbi, herói homenageado nesse dia, por sua resistência e liderança no quilombo dos Palmares, uma comunidade forte que agregava aqueles que chegavam a procura de abrigo.
Mas mais do que isso, é tempo de celebrar nossos heróis anônimos, os meus, os seus e os nossos.
Aqueles que labutaram pra nos permitir andar na rua de cabeça erguida. Aquelas que tiveram e ainda tem que lavar muitas privadas para colocar comida na mesa e que muito antes do mundo falar em mulheres no mercado de trabalho, já realizavam jornadas, duplas e triplas, cuidando de seus filhos e dos filhos de seus senhores.
Aqueles que vieram acorrentados nos porões dos navios, mas que chegaram aqui de cabeça erguida, sem permitir que o sofrimento da escravidão tirasse o que eles tinham de mais importante, o orgulho de sua terra natal, Mãe África!
A mesma mãe, berço da humanidade, que muitas vezes é vista por nós como algo exótico, com olhares cheios de preconceito, mas que nos trouxe a força, a ginga, a música, a espiritualidade e muito mais.
É tempo de lembrar, honrar e por a mão na consciência, pensar o que nós temos feito para mudar não apenas a nossa realidade, mas também a dos irmãos ao nosso redor. Para tornar conscientes aqueles que ainda estão vedados com a venda do sistema, que ainda acreditam em histórias da carochinha sobre uma tal democracia racial.
Por isso, convido a todos que lerem esse post a realizarem comigo uma homenagem aqueles que vieram antes de nós.
Vou começar uma lista aqui, com nomes de líderes negros e também de anônimos, que acredito mereçam ser honrados apenas pelo fato de SER, negro.
E se vocês puderem façam o mesmo em seus comentários. (Para os que não são brasileiros, ponham nomes de líderes em seus países, afinal a diáspora tem que estar unida).

Axé – Valeu Zumbi sua luta ainda está viva dentro de nós

Jesus Cristo, Zumbi dos Palmares, Dandara, Nzinga, Luiza Mahin, Luiz Gama, Machado de Assis, João Cândido, Tia Ciata, Abdias do Nascimento, Milton Gonçalves, Carolina Maria de Jesus, Wilson Simonal, Anastácia, Silvéria, Regina, Tia Ida, Chica Xavier, Ruth de Souza, Léa Garcia, Mano Brown, ...



Finally arrived!
It's november 20, holiday which is celebrated for me in an almost religious way.
It’s time to remember the fight of Zumbi, hero honored at this day, for his resistance and leadership in the quilombo of Palmares, a strong community which used to join all that that came looking for a shelter.
But more than this, it’s time to celebrate our anonymous heroes, yours, mine and ours.
Those that worked to let us walk with our head up.
Those that had and still have to clean a lot of toilets to bring food for the table and that a long time before the world talk about women in the job market used to realize double and triple work journeys taking care both their own kids and also their lords kids.
Those that came chained at the ships’ holds, but arrived here with their heads up, without let the suffer of the slavery, to take the most important thing that they have, the proud of their motherland, Africa!
The same mother, birthplace of the humanity, that is often seen as something exotic, with eyes full of prejudice, but which brought us strength, the waddle, the music, the spirituality and much more.
It’s time to remember, to honor, and put our hands on our conscience, to think about what we have been doing to change not only our own reality but also the reality of the brothers around us. To make more conscious those who still are blinded with the system band, and still believe in fairy tales about a certain racial democracy.
For this reason, I invite you all that are reading this post, to realize with me, a honor for those who became before us.
I’m going to start a list here, with names of black leaders and also anonymous black people, that I believe deserves to be honored just in reason TO BE, black.
If you can, do the same on your comments. (To those who aren’t Brazilians, you can put names of leaders on your country, cause the diaspora needs to be unify).
Asé – Thanks Zumbi your struggle is still alive inside us

Jesus Cristo, Zumbi dos Palmares, Dandara, Nzinga, Luiza Mahin, Luiz Gama, Machado de Assis, João Cândido, Tia Ciata, Abdias do Nascimento, Milton Gonçalves, Carolina Maria de Jesus, Wilson Simonal, Anastácia, Silvéria, Regina, Tia Ida, Chica Xavier, Ruth de Souza, Léa Garcia, Mano Brown, ...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ausência / Abscense

Gostaria de me desculpar pela falta de posts recentes aqui. Estou focada em meu trabalho da pós graduação e o tempo anda escasso. Prometo que assim que possível publico um texto fresquinho.

I would like to say I'm sorry cause I don't put a recent post here. I'm focus on my research for my grad course and my time is rare. I promisse you all as soon is possible I'm going to publish a new article here.

domingo, 10 de outubro de 2010

Uma outra Bahia / Another Bahia

Como prometido este é o segundo post sobre a minha viagem a Bahia. Mais do que um relato, vou publicar aqui uma reportagem que fiz sobre um restaurante local cuja história me impressionou muito.
 Minha primeira parada foi em Camaçari, cidade a pouco mais de 30km da capital e que é um grande pólo industrial naquela região.
A cidade, que me serviu como abrigo, é uma cidade de interior comum, me lembrou muito o Largo 13 de Maio, aqui em São Paulo, com seus alto faltantes e praças.
A uma hora de Camaçari está o litoral da região, onde fui presenteada com a praia de Arembepe, um lugar paradisíaco cheio de histórias para contar, dos tempos em que famosos se refugiavam em uma comunidade hippie que existia ali.
Além da vista linda, com os recifes que ao vir de encontro ao mar formam piscinas naturais, conheci a Dona Edely que me contou sua história maravilhosa que vocês poderão acompanhar em uma matéria que eu fiz e foi publicada na agência Afrobrasnews no dia 05 de outubro.
Espero que vocês gostem

Empreendedorismo e Conquista

Por: Daniela Gomes

Com uma história de quase 50 anos, restaurante impulsiona o comércio e se torna marco no litoral baiano


A praia de Arembepe, no município de Camaçari, a cerca de 30 km de Salvador, oferece para aqueles que a visitam uma série de atrativos.
Desde histórias referentes à comunidade hippie, que na década de 60 abrigou nomes famosos como Gilberto Gil, Caetano Veloso e até astros internacionais como Janis Joplin e Mick Jagger, até a paisagem paradisíaca, formada pelo mar, os recifes e as piscinas naturais.
Em meio a este cenário, situado em frente ao mar, encontra-se há 48 anos, muito antes das personalidades aparecerem por Arembepe, o Restaurante da Coló.
Dirigido hoje, por Edely de Souza, ou Dely, como é carinhosamente chamada, o restaurante herdou o nome da fundadora Dona Coló, de quem Dely é filha e, conta com uma história de empreendedorismo, que impulsionou a economia local.
Segundo Dely, Arembepe era apenas uma vila de pescadores, quando seus pais decidiram apostar tudo na criação do restaurante, influenciados por um diretor de teatro.
“Ele perguntou para minha mãe, porque ela não fazia uma moqueca de peixe com arroz e feijão para vender, que ele ia trazer um pessoal de Salvador e eles iam comprar”, conta.
De acordo com a empresária, a mãe resolveu aceitar a sugestão e o pai, que no dia ainda não tinha o dinheiro para comprar os mantimentos necessários, pegou um empréstimo, com o tesoureiro da comunidade, prometendo o pagamento para o final da tarde.
“Meu pai contou a história para ele e disse que assim que a comida fosse vendida ele devolveria o dinheiro”.
Com o dinheiro emprestado, o pescador comprou os mantimentos e Dona Coló fez a moqueca, acompanhada de arroz e feijão. Dona Dely conta que todos os pratos foram vendidos, o pai saldou a dívida com o tesoureiro da vila e nascia assim o primeiro restaurante daquela região, que também funcionava como pensão.
O negócio cresceu e atraiu personalidades e artistas, atraindo olhares para a comunidade e trazendo prosperidade para a família.
Além de Dona Dely, que herdou o restaurante após o falecimento dos pais, o negócio ajudou ainda nos estudos de seu irmão, que se tornou o primeiro jovem da região a frequentar uma universidade, chegando a ganhar destaque nas manchetes dos jornais locais.
Com o passar dos anos, a família foi aumentando e com a nova geração, que hoje engloba as filhas e os pequenos netos de Dona Dely, o restaurante ganhou instalações maiores e uma nova imagem.
O que não mudou, no entanto, foi o sabor dos pratos servidos, que custam pouco e trazem de frutos do mar, a carnes e outras iguarias, acompanhados de uma excelente comida caseira.
Também não mudou o tratamento dado aos clientes, que continuam sendo atendidos com a cortesia herdada pelos primeiros proprietários.
A história, que é retratada em fotografias espalhadas pelo ambiente, também pode ser ouvida da boca da própria Dona Dely, que se alegra em sentar com os fregueses para narrar a trajetória de sua família. “Eu tenho muito orgulho de minha história”, declara a empresária.



As I had promissed this is the second post about my trip to Bahia. More than a description, I’m going to publish here an article that I did about a local restaurant whose history impressed me very much.
My first stopped was in Camaçari, a city just over 18 miles from the hometown and which is a big industrial area over there.
The city, that worked as an shelter for me, is a normal country city, that reminded me the “Largo 13 de Maio” (a big informal market) in Sao Paulo, with its speakers and squares.
One hour away from Camaçari is the coast of that area, where I was gifted with the Arembepe beach, a kind of paradise with a lot of stories to tell, from the time that famous people used to take refuge in a hippie community that used to be there.
Besides the beautiful view, with the reefs that come to the sea making natural pools, I’ve known Mrs Edely de Souza whot told me her wonderful history that will can see in a article that I did and was published in the news agency Afrobrasnews in October, 5.
I hope you like it


Entrepreneurship and Achievement

By: Daniela Gomes

With a history of almost 50 years, restaurant stimulates the trade and becomes a landmark in the coast of Bahia



The Arembepe Beach in Camaçari, just over 18 miles from Salvador, provides for those who visit a variety of attractions.
From stories about the hippie community, which in the 60’s housed famous names like Gilberto Gil, Caetano Veloso and even international stars like Janis Joplin and Mick Jagger by the idyllic view, formed by the sea, reefs and natural pools.
Amid this scenario, located on the seafront, is there in these past 48 years, long before the personalities appeared in Arembepe, the Restaurant of Coló.
Managed today by Edely de Souza, or Dely, as she is affectionately called, the restaurant has inherited the name of the founder Dona Coló, who was Dely’s mother, and has a history of entrepreneurship, which pushed the local economy.
According to Dely, Arembepe was just a fishing village, when her parents decided to stake everything on the restaurant's creation, influenced by a theater director.
"He asked for my mother, why she didn’t make a fish “moqueca” with rice and beans to sell, that he would bring a group from Salvador and they would buy," she says.
According to the businesswoman, the mother decided to accept the suggestion and the father, who in that day didn’t have the money to buy the groceries needed, got a loan, with the treasurer of the community, promising to pay for the late afternoon.
"My father told him the story and said that once the food was sold he would pay the money back."
With the lent money, the fisherman bought groceries and Mrs Coló made the “moqueca”, with rice and beans. Mrs Dely tell that all dishes were sold, the father paid off the debt with the treasurer of the village and thus was born the first restaurant in that region, which also functioned as a pension.
The business grew and attracted personalities and artists, attracting stares for the community and bringing prosperity to the family.
Besides Mrs. Dely, who inherited the restaurant after the death of her parents, the business has also helped in the studies of his brother, who became the first young of the region to attend a university, coming to prominence in the headlines of local newspapers.
Over the years the family grew and with the new generation, which now includes the daughters and grandchildren of Mrs. Dely, the restaurant has gained largerr facilities and a new image.
What has not changed, however, was the taste of dishes that cost little and bring since seafood, to meats and other delicacies, accompanied by an excellent homemade food.
Has also not changed the treatment to customers, who are still treated with the courtesy inherited by the former owners.
The history, which is portrayed in pictures throughout at the place, can also be heard from Mrs. Dely mouth, who is glad to sit with customers to tell the history of her family. "I'm very proud of my history," says the businesswoman.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Partilhando uma conquista - Sharing a win

Estou um pouco corrida com o artigo final da pós graduação, mas prometo a todos que amanhã publico aqui o segundo post sobre a viagem para a Bahia.
Hoje porém gostaria de partilhar com vocês uma conquista. Meu primeiro trabalho publicado em um jornal internacional.
O Atlanta Daily World publicou na edição de hoje, uma entrevista que fiz com o primeiro afro-americano a ser proprietário de um centro de estudo do plasma humano, Furquan Stafford.
Estou muito feliz com essa vitória e quero dividir com todos os meus leitores, que podem ser poucos mas, são fiéis.
Abraços e obrigada pela torcida

I'm a little bit busy with the final article of my graduate course, but I promisse to you all that tomorrow I'm going to publish here my second post about my trip to Bahia.
But today, I would like to share with you a win. My first work published in a international newspaper.
The Atlanta Daily World published in today's edition , an interview that I did with the first Afro American who is the owner of a plasma center, Mr. Furquan Stafford.
I'm really happy with this win and I wanna share with all my readers, that can be few but, are loyal.
Hugs and thanks for the good wishes
For who wanna see the link http://www.atlantadailyworld.com/articles/2010/10/07/vitality/doc4cae3782d5e72327374180.txt

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Salvador – A experiência de cada um / Salvador – The each one experience

Desde que comecei minha caminhada no movimento negro, sempre ouvi as pessoas dizerem que o negro brasileiro precisa conhecer Salvador, para ver a efervescência da cultura afro, como se a cidade fosse uma espécie de “Meca” Afro-brasileira.
Assim, o desejo de conhecer este lugar mágico cresceu comigo por anos gerando expectativa, até que na última semana, entre os dias 21 e 28 de setembro, eu tive a oportunidade de fazer essa viagem.
O passeio foi uma surpresa em vários sentidos e eu vou tentar fazer um relato dividido em dois posts.
O primeiro, postado hoje, fala sobre minha experiência em conhecer Salvador, o segundo, que coloco nos próximos dias, conta um pouco mais sobre o restante da viagem.
Ansiosa por conhecer Salvador, eu esperava respirar a cultura afro profundamente, achava que o axé da cidade ia entrar pelos poros e que tudo ia estar ali de maneira palpável, sem que eu precisasse procurar.
Infelizmente as coisas não foram tão míticas como eu esperava e a falta de um contato no movimento negro da cidade me deixou isolada de um contato mais profundo com a cena de Salvador, muitas coisas lá são como cá: a pobreza tem cor, o racismo é gigante e etc.
Também não vi “baianas” com suas roupas típicas, não vi “carnaval o ano todo”, ou o jeito vagaroso do baiano e nenhum outro dos estereótipos preconceituosos passados pela televisão.
Enfim, não vi o que acreditava que ia ver.
Mas andar nas ruas do Pelourinho, (mesmo elas estando vazias, devido ao medo da violência e a baixa temporada), me trouxe a sensação de pertencimento, de saber que ali a história é viva, que as coisas aconteceram e ainda acontecem.
Fiquei muito emocionada ao visitar a Igreja do Carmo, que é conhecida por abrigar uma imagem do “Senhor Morto”, feita por um escravo, cravejada em rubis. Embora a escultura seja muito bonita, para mim, a jóia maior estava nos porões da igreja.
Um esconderijo e rota de fugas de escravos, que eram ajudados pelos sacerdotes daquela comunidade, isso sim é valiosíssimo.
Assistir televisão, ou observar os outdoors e ver o meu reflexo, nas propagandas ou mesmo nos produtos afro nas prateleiras do supermercado, me fez ao mesmo tempo sentir feliz e injustiçada. Feliz, por saber que o público negro ali está sendo valorizado, ainda que seja no sentido mercadológico. Injustiçada, porque não é possível que as empresas pensem que só há negros na Bahia e não se preocupem em mostrar a diversidade em outros lugares.
Além do Pelô, conheci outros pontos turísticos da Bahia, alguns me surpreenderam, como o tamanho da Igreja do Bonfim, por exemplo, que eu acreditava ser bem maior, outros me deixaram pasma, como a beleza do Farol da Barra ou a Lagoa do Abaeté, entre outras coisas.
Saí de Salvador com duas certezas. A primeira que, embora não tenha conhecido a cidade como esperava, esta se mostrou belíssima para mim, mesmo que de maneira menos mitológica e fantasiosa.
A segunda que ela pode me aguardar, pois a sensação de quero mais, vai me fazer voltar muito em breve, pois afinal, o que vale é a experiência de cada um e a minha com certeza foi fantástica.

Aguarde cenas do próximo capítulo...



Since I started my journey in the black movement, I always heard people saying that the black Brazilian needs to know Salvador, to see the flourishing of african culture, like if the city was a kind of Afro Brazilian “Mecca”.
Thus, the wish to know this magic place grow up with me for years, creating expectation, till the last week, sep. 21st to 28th, when I had na opportunity to do this trip.
The trip was a surprise in many ways and I’ll try to make a report divided into two posts.
The first, posted today, talks about my experience in knowing Salvador, the second, which lay in the coming days, says more about the rest of the trip.
Anxious to know Salvador, I was waiting to breath deep te afro culture, I thought the city “axé”, would going enter by my pores and that everything would be there in a tangible way, as if I didn’t need to search.
Unfortunatelly things weren’t as mythical as I expected and the lack of a contact in the black movement of the city stayed me away from a deeper contact with the scene of Salvador, there are as many things there who are equal here: poverty has a color, racism is huge and etc.
I also didn’t see “baianas” with their costumes, I saw no “carnaval all year”, the slowly way of people from there and no other of the prejudicial stereotypes showed by television.
Anyway, I didn’t see what I believed I would see.
But to walk in the Pelourinho’ streets (even they were empty cause of the scary with the violence and it’s the low seasson, brought to me a sense of belonging, of knowing that the history is alive, that things happened and still happen over there.
I was very emotionally when I visited the Church of Carmo, which is known to houses na image of “the Death Lord”, made by a slave, encrusted in jewels. Although the sculpture is very beautiful, in my opinion, the best jewel was in the church basements.
A hiding-place and route of runaway to slaves, who were helped by the priests of that community, this is very valued.
Watching television, or to look the outdoors and seeing my reflections,
in advertisements or even african products on supermarket shelves, made me feel at the same time happy and wronged. Happy, knowing that the black audience is being valued there, even if it is in the marketing sense. Wronged because it is not possible that the companies think that there is only black people in Bahia and not bother to show the diversity in another places.
In addition to “Pelô”, I met other sights of Bahia, some surprised me, as the size of Bonfim’s Church, for example, that I believed to be much higher, others made me stunned, as the beauty of the Barra’s Lighthouse or the Abaeté lake, amontg other things.
I left Salvador with two certainties: The first one, although it has not known the city as I was expecting, that showed itself pretty for me, even though in a less mythological and fanciful.
The second that it can wait for me, because the sensation that I wanna see more, will bring me back very soon, because after all, what counts is the each one experience, and I’m sure my experience was fantastic.

Wait scenes of the next chapter ...

sábado, 11 de setembro de 2010

Voto e consciência / Vote and consciense

Ao conversar com amigos Afro-americanos e comentar sobre a situação em que vivem os negros no Brasil, apesar de representarmos cerca de 50% de nossa população, algumas pessoas perguntam se nós não votamos, indicando que essa é a maneira para mudar essa situação.
Em época de eleição refletir sobre isso é extremamente necessário, pois as decisões que tomarmos agora, irão nos afetar, no mínimo, pelos próximo quatro anos.
Bombardeados por um horário político que nos traz de palhaços, a mulheres frutas e artistas decadentes, podemos muitas vezes esquecer de quão sérias são essas escolhas.
Em matéria publicada no último dia 06 de setembro, a agência de notícias Afropress, afirmou que, nenhum dos três principais candidatos à presidência priorizou os assuntos ligados a desigualdade racial.
Segundo a publicação, a candidata Dilma Roussef, que representa o PT, partido que atualmente está a frente da nação, apresenta apenas propostas genéricas de ampliação das políticas de promoção da igualdade racial.
O candidato José Serra, além de se declarar contra as cotas, tem como vice-presidente, Índio da Costa, que é membro do Democratas (DEM), partido que tem agido veementemente contrário as ações afirmativas, realizando desde alterações ofensivas no Estatuto da Igualdade Racial até uma ação na Suprema Corte para que as cotas nas universidades públicas fossem consideradas inconstitucionais.
A terceira candidata, Marina Silva, que se auto-declara negra, tem se posicionado a favor das ações afirmativas e de cotas para a população negra, como uma maneira para amenizar os desequilíbrios históricos causados por mais de 300 anos de escravidão no país.
Candidatos a presidência, são apenas o topo de uma pirâmide, já que temos que escolher também senadores e deputados estaduais e federais.
O que o seu candidato intenciona fazer pelo nosso povo? Quais as políticas de ações afirmativas (se é que ele as tem), que ele propõe?
Pensando nisso, os resultados de duas enquetes chamaram a minha atenção nesta semana.
A primeira, realizada pela própria Afropress, questionou os leitores se a votação em candidatos negros e anti-racistas pode fazer avançar a luta por igualdade no país. 89% dos leitores afirmaram que sim, contra apenas 11% que pensam o contrário.
A outra enquete, realizada pela agência de notícias Afrobrasnews, questionou os leitores se a identificação pela cor ou pela raça é um critério na hora da escolha dos candidatos, 56% dos leitores responderam que não, contra apenas 11%, que diz que esse é um fator de influência.
Refleti sobre as duas enquetes (os dois sites tem o mesmo público alvo) e percebi que embora a maioria das pessoas acredite que alguém igual a ele possa ajudar a mudar a situação de nosso povo, não há desejo nessas pessoas de dar a esses candidatos uma chance para realizar isso.
Sei perfeitamente, que essas respostas não são necessariamente um reflexo do pensamento em geral, mas me pergunto se essa não é mais uma situação, onde nós deixamos o poder de decisão para o outro, para assim se algo der errado poder dizer, “não foi minha culpa, pois eu não votei nele”.
É tempo de exercer nosso poder de voto, exercer a tão sonhada democracia e escolher candidatos que de alguma maneira representem os interesses de quase 100 milhões de cidadãos, que é o número aproximado de negros nesse país.
É tempo de exercer o tão sonhado 4p (poder para o povo preto) no Brasil.


When I talk with some Afro American friends and comment about the situation of black people, although we represents about 50% of our population, some people ask me if we don’t vote, indicating that is the way to change this situation.
At election time think about it is extremely necessary, cause the decisions we take now will affect us, at least the next four years.
Bombarded by a political timetable that bring us clowns, fruit women and decaying artists, we often forget how serious these choices are.
In a article published in the last September 6th, the news agency Afropress, said that none of the three main presidential candidates has the racial inequality as a priority issue.
According to the article, the candidate Dilma Roussef, who represents the PT, party which actually is driving the nation, has only generic proposals for expansion of policies to promote racial equality.
The candidate Jose Serra, futhermore he declares he is against quotas, he has as vice president, Indio da Costa, who is a member of Democratas (DEM), the party that has acted strongly opposed to affirmative action, doing things like offensive changes in the Statute of the Racial Equality and an action in the Supreme Court to make the quotas in public universities were considered unconstitutional.
The third candidate, Marina Silva, who selfs-declared black, has been positioning herself inf favor of affirmative actions and quotas for the black people, as a way to alleviate the historical imbalances caused by more than 300 hundred years of slavery in the country.
Presidential candidates are just the top of a pyramid, since we also have to chose senators, and state and federal representatives.
What does your candidate intend to do for our people? Which kind of affirmative actions politicies (if he has that), is he proposing?
Thinking about this, the results of two polls came to my attention this week.
The first one, also realized by Afropress, questioned the readers if the vote for black and anti racist candidates can make advance the struggle for equality in the country. 89% of the readers said yes, against only 11% who think the opposite.
The other pool, realized by the news agency Afrobrasnews, asked to the readers if the identification by the color or race is a criterion when they choose the candidates, 56% of the readers said no, against only 11% who said this is a influence factor.
I’ve reflect about the two pools (both sites have the same audience) and noticed that although most people believe that someone like him/her can help to change our people’s situation, there isn’t a wish to give to these candidates a chance to do that.
I perfectly know, that these answers aren’t necessarily a reflection of a general thought, but I wonder if this isn’t another situation, where we leave the decision-making power to another, thus if something wrong happen we can say “isn’t my fault, cause I didn’t vote on him”.
It’s time to exercise or voting power, exercise the dreamed democracy and choose candidates who in any way representing the interests of almost 100 million citizens, which is the approximate number of black people in this country.
It’s time to pursue the dreamed Power to the Black People in Brazil.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Chove livros e esperança em São Paulo / Books and hope it rains in Sao Paulo

Chuva de Livros - Sarau da Cooperifa
 - Foto http://colecionadordepedras1.blogspot.com/
Antes de entrar no tema que este post aborda, preciso voltar um pouco no tempo.
Há alguns dias, alguns fatos corriqueiros (drogas, crimes, mães chorando), do tipo que a gente está cansado de ouvir (mas que graças a Deus ainda tem o poder de me chocar), me deixaram cabisbaixa e me fizeram pensar que mesmo lutando, para quem nasce por aqui não havia como sair disso, como fugir.
Me vi como uma garota, sentada na calçada de calça big, segurando o rosto nas mãos , como quem espera para ver o que o futuro reserva e foi como se não tivessem passado 15 anos desde aquela época.
E eu passei a semana pensando nisso e nas minhas realizações e na trajetória de tantas outras pessoas que conheço que contrariaram as estatísticas.
No domingo (22/08) tive oportunidade de ir a Bienal do Livro, onde o difícil acesso, a entrada paga e os altos preços dentro do evento, me passavam a sensação de que não era pra estar ali e me deixaram com vontade de pedir meu dinheiro de volta, pois com apenas uma exceção (o sarau do quilombhoje), não havia cultura ali.
Até que na quarta-feira a noite (25/08) eu fui ao Sarau da Cooperifa (para quem não conhece esse é um evento que acontece uma vez por semana na periferia de São Paulo).
Eu já estava decidida a ir quando fui designada a fazer uma matéria sobre o tema.
Na Cooperifa só quem é consegue permanecer, pois até o acesso faz com que os fracos desistam pelo caminho.
Ao chegar lá: casa lotada! Cerca de 500 pessoas participavam do Sarau e recebiam um ticket que deveria ser trocado por um livro.
Um boteco, que poderia ser mais um lugar cheio de gente querendo arrumar confusão, estava, ao contrário, cheio de gente querendo criar arte, reproduzir poesia e contar sua história.
Choveu livros na periferia de São Paulo e cada pessoa que estava ali, saiu feliz, com pelo menos um livro na mão. E eu?
Obviamente eu também saí com livros nas mãos, mas mais do que livros, eu ganhei renovo, pois ao ver um evento como aquele, em um lugar tão próximo e tão parecido com o lugar onde eu moro, onde pessoas eram agentes da própria história, veio em minha mente a música do Racionais e era como se algo me dissesse pra continuar tendo fé, porque até no lixão pode nascer flor.


Before entering the subject that deal this post, I need to go back in time.
A few days ago, some trivial facts (drugs, crime, crying mothers), the kind that we're tired of hearing (but thank God still has the power to shock me), made me sad and made me think that even struggling to who's born here there wasn’t a way out, escaping.
I saw myself as a girl sit onthe sidewalk dressing bag pants, holding my own face, as if I was waiting to see what the future would bring me, as if they had not passed 15 years since that time.
I’ve spent the week thinking about my achievements and the path of so many other people I know who frustrated the statistics.
On Sunday (Aug 22nd) I had the opportunity to go to the Book Biennal, and things like the hard access, the pay tickets and the high prices inside the event, made me feel that I shouldn’t be there and made me wanting to ask my money back, because with only one exception (the Quilombhoje’s soirée), there wasn’t culture there.
Until the Wednesday night (Aug 25th) I went to the Cooperifa Sarau (for those who don’t know this is an event that happens once a week on the ghetto in Sao Paulo city).
I was already determined to go when I was designated to do an article about that.
In Cooperifa only who real “belongs” can be able to stay, cause the hard road makes the weak give up by the way.
When I get there: the place was full! Around 500 people attended the Soirée and received a ticket that should be exchanged for one book.
A poor bar which could be another place full of people wanting to cause trouble, was instead full of people wanting to create art, to propagate poetry and tell their history.
It rained books on the ghetto of Sao Paulo city and every person who was there left happy, with at least one book in hand. What about me?
Obviously I also came away with books in hand, but more than books, I’ve gotten renewed , cause when I saw an event like that where people were agents of their own history, came to my mind a Racionais MC’s song, and it was as if something told me to continue to have faith, because even in the middle of the trash can be born a flower.

Eu no meio da Chuva de Livros - Sarau da Cooperifa
Me in the middle of the Books' rain

Foto http://colecionadordepedras1.blogspot.com

sábado, 21 de agosto de 2010

O Início / The Beginning

Pronto, finalmente decidi criar meu blog! Há algum tempo venho protelando, mas a necessidade de interagir com as redes sociais me fez ver que não tinha mais opção.
Mesmo depois que decidi criar o blog, não sabia ainda sobre o que falar, mas durante a aula de hoje no meu curso de pós graduação fez-se a luz.
O professor convidado nos deu a dica de que para potencializar seu blog ou twitter é melhor falar sobre coisas que você domina e cativar seu público.
Então, não tive mais escolha, pois nada faz parte de maneira tão constante da minha vida quanto a negritude.
Alguém pode estar vendo a minha pele clara e perguntando "Que negritude?" e eu só posso me apropriar de algo que ouvi uma vez e dizer: "minha pele pode até ser clara, mas minha ancestralidade é escura como a noite"  e é isso o que eu mais valorizo.
Desde os meus 13 anos, quando (mais uma vez me apropriando) "afrosurtei" e descobri que ter avós, tios e ancestrais negros, faziam de mim uma pessoa negra, apesar da minha pele clara e da pele clara dos meus pais (para quem não é brasileiro pode ser difícil entender isso, prometo tentar explicar em algum outro post), comecei a militar de diferentes formas.
Por isso, a descrição de que esse blog será mais uma ferramenta, ou se preferirem mais uma arma na luta contra a discriminação racial, pela inclusão da população negra no Brasil, pela divulgação da cultura negra e para promover a conexão entre os povos da diáspora (por isso posto em português e inglês).
Vou me dedicar para continuar realizando um bom trabalho e espero que vocês gostem e possam interagir.
Apreciem sem moderação!
Abraços
Dani


Okay, I finally decided to create my blog! For some time I've been postponing this, but the necessity of to interact  with social networks made me see I didn't have more options.
Even after I decided to create the blog, still didn't know what about to talk , but today during my  grad classes became the light.
The guest professor gave us the tip that to potentiate your blog or twitter is better to talk about things that you dominate and can catch your audience.
So, I didn't have a choice, causing nothing is a so constant part of my life as the blackness.
Maybe someone seeing my lighter skin is asking "what blackness?" and I can only ownership something that I've heard once and say: "my skin can be lighter but my ancestry is black as night", and that is what I give more value.
Since I was 13, when (once more ownershipping) "I afrofreaked" and figured out that have black granpas, uncles/aunts and ancestors, made me a black person, even my lighter skin and the lighter skin of my parents (for who isn't Brazilian can be difficult to understand this, I promisse try to explain this in another post), I've started to millitate in different ways.
For this reason, the description of this blog say it will be another tool, or if you prefer another weapon against the racial discrimination, for the inclusion of the black people in Brazil, the dissemination of the black culture and to promote the connection between the diaspora's people (for this reason I'm going to post in portuguese and english).
I'll dedicate myself to keep realizing a good work and I hope you like and can interact.
Enjoy without moderation!
Hugs
Daniela